Deus também nasce na Sibéria, na Mongólia e em Myanmar…

Sexta, 09 Dezembro 2016 18:32 Escrito por 
Bem sei que o Filho de Deus nasce em todos os lugares do mundo, para toda a humanidade, mas queria sublinhar que também será assim na Sibéria, na Mongólia e em Myanmar, periferias do mundo que pude recentemente visitar.

Há poucos dias, em Moscovo, encontrei-me com um dos cinco missionários salesianos que compartilham a vida na Sibéria. Perguntei por curiosidade, ao nosso irmão salesiano qual era a diferença de temperatura que tinham de suportar entre o frio do inverno e o calor do verão e disse-me que era, aproximadamente, de 90 graus centígrados, entre os 52º negativos do maior rigor do inverno e os 38º ou 40º positivos dos dias mais quentes do verão.

Ele acrescentou: “Mas sentimo-nos felizes por compartilhar a vida com aquela boa gente, cerca de 150 pessoas entre os três lugares”. Senti um aperto no coração, principalmente quando me confidenciou o que aquelas pessoas lhes tinham dito: “Obrigado por vir compartilhar a fé conosco. Pensávamos que Deus tinha esquecido de nós, mas vemos que não foi assim”.

Não é para menos, ao pensar que a distância mais curta entre aqueles lugares é de 2.400 Km, e é preciso deslocar-se no frio e no gelo. Disse-me o missionário: “Certamente o Filho de Deus também nasce, e com um carinho especial, nesses lugares ‘perdidos’ do mundo, mas nunca perdidos para Ele”.

 

Calor no coração

Uma semana depois, visitei as nossas irmãs FMA e os nossos irmãos SDB na Mongólia. Pude experimentar por mim mesmo o frio já agudo, embora fossem apenas 14º negativos, muito longe dos 48º a que se pode chegar. Entretanto, também experimentei o calor no coração daquelas pessoas simples, das comunidades cristãs, muito pobres em todos os sentidos, também em número, que durante dezenas de anos difíceis guardaram a fé como o tesouro mais precioso.

Via aquela comunidade cristã de Darham celebrando a Eucaristia do domingo, com um grupo de idosos, alguns pais jovens e muitas crianças, com a neve a cercar-nos e a rezar e a cantar com uma fé que me comovia o coração. Senti profundamente a certeza de que o Filho de Deus nascerá dentro de poucos dias também na Mongólia, e com uma predileção especial.

Do frio da Mongólia às chuvas de Myanmar, com uma bela e exuberante vegetação e centenas de adolescentes - pobres, muito pobres, mas de sorriso nos lábios e de olhar encantador. Celebramos várias vezes a Eucaristia e as vozes e cânticos eram de tal beleza que não deixavam nada a desejar aos cânticos dos índios Guarani no filme “A Missão”. E pensei também que em breve o Natal encherá aquelas faces de sorrisos com o júbilo do nascimento do Filho de Deus, porque Deus também nascerá em Myanmar.

 

O mistério do Natal

Nosso Deus, que tão forte e maravilhosamente amou os seus filhos e suas filhas de todos os tempos, continua a amá-los; e, como naquela época, com uma predileção especial pelos últimos, os mais humildes, os mais simples e pobres do nosso mundo. O que Jesus viveu e o Evangelho narra continua a ter tanta atualidade como então. Os corações dos pobres estão preparados como ninguém para O receber.

Perante essas vivências, peço a Deus no meu coração que não permita que eu me acostume a ver ‘tantos milagres e maravilhas’, sem me surpreender com eles. Não permita que eu veja como normal aquilo que fala aos gritos do essencial, do mais belo e importante de cada vida humana: a dignidade pessoal e o amor que se dá, se vive e se compartilha, porque, não esqueçamos, o Natal é o mistério do Deus Amor que se faz um de nós.

Feliz Natal, com a bênção do Deus que é Amor. E o meu augúrio de toda a felicidade e todo o bem para cada de vocês.

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Última modificação em Quarta, 26 Junho 2024 17:52

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Deus também nasce na Sibéria, na Mongólia e em Myanmar…

Sexta, 09 Dezembro 2016 18:32 Escrito por 
Bem sei que o Filho de Deus nasce em todos os lugares do mundo, para toda a humanidade, mas queria sublinhar que também será assim na Sibéria, na Mongólia e em Myanmar, periferias do mundo que pude recentemente visitar.

Há poucos dias, em Moscovo, encontrei-me com um dos cinco missionários salesianos que compartilham a vida na Sibéria. Perguntei por curiosidade, ao nosso irmão salesiano qual era a diferença de temperatura que tinham de suportar entre o frio do inverno e o calor do verão e disse-me que era, aproximadamente, de 90 graus centígrados, entre os 52º negativos do maior rigor do inverno e os 38º ou 40º positivos dos dias mais quentes do verão.

Ele acrescentou: “Mas sentimo-nos felizes por compartilhar a vida com aquela boa gente, cerca de 150 pessoas entre os três lugares”. Senti um aperto no coração, principalmente quando me confidenciou o que aquelas pessoas lhes tinham dito: “Obrigado por vir compartilhar a fé conosco. Pensávamos que Deus tinha esquecido de nós, mas vemos que não foi assim”.

Não é para menos, ao pensar que a distância mais curta entre aqueles lugares é de 2.400 Km, e é preciso deslocar-se no frio e no gelo. Disse-me o missionário: “Certamente o Filho de Deus também nasce, e com um carinho especial, nesses lugares ‘perdidos’ do mundo, mas nunca perdidos para Ele”.

 

Calor no coração

Uma semana depois, visitei as nossas irmãs FMA e os nossos irmãos SDB na Mongólia. Pude experimentar por mim mesmo o frio já agudo, embora fossem apenas 14º negativos, muito longe dos 48º a que se pode chegar. Entretanto, também experimentei o calor no coração daquelas pessoas simples, das comunidades cristãs, muito pobres em todos os sentidos, também em número, que durante dezenas de anos difíceis guardaram a fé como o tesouro mais precioso.

Via aquela comunidade cristã de Darham celebrando a Eucaristia do domingo, com um grupo de idosos, alguns pais jovens e muitas crianças, com a neve a cercar-nos e a rezar e a cantar com uma fé que me comovia o coração. Senti profundamente a certeza de que o Filho de Deus nascerá dentro de poucos dias também na Mongólia, e com uma predileção especial.

Do frio da Mongólia às chuvas de Myanmar, com uma bela e exuberante vegetação e centenas de adolescentes - pobres, muito pobres, mas de sorriso nos lábios e de olhar encantador. Celebramos várias vezes a Eucaristia e as vozes e cânticos eram de tal beleza que não deixavam nada a desejar aos cânticos dos índios Guarani no filme “A Missão”. E pensei também que em breve o Natal encherá aquelas faces de sorrisos com o júbilo do nascimento do Filho de Deus, porque Deus também nascerá em Myanmar.

 

O mistério do Natal

Nosso Deus, que tão forte e maravilhosamente amou os seus filhos e suas filhas de todos os tempos, continua a amá-los; e, como naquela época, com uma predileção especial pelos últimos, os mais humildes, os mais simples e pobres do nosso mundo. O que Jesus viveu e o Evangelho narra continua a ter tanta atualidade como então. Os corações dos pobres estão preparados como ninguém para O receber.

Perante essas vivências, peço a Deus no meu coração que não permita que eu me acostume a ver ‘tantos milagres e maravilhas’, sem me surpreender com eles. Não permita que eu veja como normal aquilo que fala aos gritos do essencial, do mais belo e importante de cada vida humana: a dignidade pessoal e o amor que se dá, se vive e se compartilha, porque, não esqueçamos, o Natal é o mistério do Deus Amor que se faz um de nós.

Feliz Natal, com a bênção do Deus que é Amor. E o meu augúrio de toda a felicidade e todo o bem para cada de vocês.

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