Liceu Campinas inova nas aulas de ciências e ganha destaque na mídia

Wednesday, 28 August 2013 14:58 Written by  Fabiano Omanezze – Especial para Agência Anhanguera
  Projeto desenvolvido com alunos do 7º ano do Liceu Campinas é selecionado para concorrer ao prêmio Experiência 10 do Jornal Correio Popular.   Ciência e sustentabilidade em desfile   Moda é ponto de partida para responder sobre os processos químicos e refletir sobre o uso consciente dos recursos naturais

Camisetas, lantejoulas, pigmentos naturais e um desfile de moda. A descrição sugere um ateliê de costura, mas, na verdade, é parte das aulas de ciências do 7º ano do Colégio Liceu Nossa Senhora Auxiliadora, em Campinas. O professor Heldis Silveira Santos usa a moda para ensinar processos químicos, preservação ambiental e sustentabilidade.

 

Aulas de arte e de língua portuguesa complementam o projeto

O projeto, nomeado Ecodesfile, começa com uma discussão retirada das páginas do livro didático: a necessidade de uso consciente dos produtos industrializados que poluem rios, como é o caso dos tecidos, grandes poluidores em razão do alto número de produtos químicos utilizados para o tingimento. “Nesse momento, inicio uma discussão com os alunos que envolve o mercado da moda e, ao mesmo tempo, a necessidade de pensar alternativas sustentáveis”, conta o professor. A contextualização envolve também o risco de escassez de água potável.

Recuperando a história da moda e da indústria, o professor conta que, até o final do século 19, a cor dos tecidos era dada exclusivamente por meio de corantes naturais extraídos das plantas. Depois dessa abordagem, o professor solicita aos alunos que tragam para as aulas camisetas de algodão que possam ser tingidas. Além disso, cada estudante deve descobrir elementos naturais que possam gerar corantes, como sementes, frutas e folhas.

Dessa contextualização, faz parte também a reflexão sobre o uso consciente de qualquer recurso, já que o pau-brasil foi quase extinto das matas do País por causa de usa extração desregrada para ser usado como madeira nobre e corante no início da colonização.

No laboratório, os processos de separação dos pigmentos e de fixação das cores nos tecidos são detalhados. Depois é a vez de cada aluno tingir sua própria camiseta. “Como o objetivo é mostrar que é possível conseguir uma grande diversidade de modelos e detalhes, também solicito aos alunos que busquem alternativas para as estamparias”, reforça o educador. Assim, eles descobrem, por exemplo, que se, no processo de tingimento fizeram dobras ou amarras nos tecidos, surgirão estampas personalizadas e exclusivas.

Para demonstrar que o processo poderia ser usado em escala comercial, os alunos passam a fazer testes de durabilidade com as roupas. Assim, com um pedaço de tecido, avaliam a firmeza da firmeza das cores diante dos processos de lavagem e secagem, além do tipo de produto que poderia ser utilizado sem agredir as cores. Essa etapa termina com a elaboração de uma etiqueta nos moldes da indústria da moda, contendo informações sobre como conservar as peças.

 

Interdisciplinaridade  

Quando terminam as atividades com o professor de ciências, começa a contribuição das aulas de artes. O projeto é desenvolvido há quatro anos e, a cada edição, uma temática ligada à influência da arte na moda é escolhida para ser agregada ao projeto. Usando materiais diversos como lantejoulas e botões, os alunos customizam as peças que tingiram para adequá-las à história que pretendem contar no desfile. “Ao relacionar a moda com a história de uma manifestação artística, como o cinema e a música, os alunos passam a perceber as inter-relações, principalmente, veem que as disciplinas podem ser estudadas em conjunto”, afirma Santos.

Com a ajuda dos professores de língua portuguesa, os alunos produzem os textos que descrevem o processo de produção das peças e serão lidos durante o desfile, além de produzirem o roteiro da apresentação. Assim, no ano passado, quem foi à escola durante a mostra aberta ao público, pode conhecer a história da música na moda nos últimos 60 anos. Neste ano, no evento marcado para 2 de outubro, a história a ser contada diz como o vestuário foi influenciado pelo cinema desde a década de 1950.

Com toda a proposta do desfile pronto, é hora de pensar a produção do cenário e iluminação do desfile, vestir as roupas personalizadas, treinar a postura corporal e as técnicas de passarela e esperar para lançarem moda e hábitos sustentáveis. “Além de aprenderem o conteúdo, consigo perceber uma mudança de hábitos, uma preocupação cada vez mais frequente com a sustentabilidade e o meio ambiente. Isso já faz parte da rotina dos alunos. Eles percebem que esse é um assunto que está o tempo todo ao redor deles. Além disso, aprendem que é possível reaproveitar  peças e evitar o desperdício”, avalia o professor.

 

Fabiano Omanezze – Especial para Agência Anhanguera

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Last modified on Wednesday, 28 August 2013 18:12

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Liceu Campinas inova nas aulas de ciências e ganha destaque na mídia

Wednesday, 28 August 2013 14:58 Written by  Fabiano Omanezze – Especial para Agência Anhanguera
  Projeto desenvolvido com alunos do 7º ano do Liceu Campinas é selecionado para concorrer ao prêmio Experiência 10 do Jornal Correio Popular.   Ciência e sustentabilidade em desfile   Moda é ponto de partida para responder sobre os processos químicos e refletir sobre o uso consciente dos recursos naturais

Camisetas, lantejoulas, pigmentos naturais e um desfile de moda. A descrição sugere um ateliê de costura, mas, na verdade, é parte das aulas de ciências do 7º ano do Colégio Liceu Nossa Senhora Auxiliadora, em Campinas. O professor Heldis Silveira Santos usa a moda para ensinar processos químicos, preservação ambiental e sustentabilidade.

 

Aulas de arte e de língua portuguesa complementam o projeto

O projeto, nomeado Ecodesfile, começa com uma discussão retirada das páginas do livro didático: a necessidade de uso consciente dos produtos industrializados que poluem rios, como é o caso dos tecidos, grandes poluidores em razão do alto número de produtos químicos utilizados para o tingimento. “Nesse momento, inicio uma discussão com os alunos que envolve o mercado da moda e, ao mesmo tempo, a necessidade de pensar alternativas sustentáveis”, conta o professor. A contextualização envolve também o risco de escassez de água potável.

Recuperando a história da moda e da indústria, o professor conta que, até o final do século 19, a cor dos tecidos era dada exclusivamente por meio de corantes naturais extraídos das plantas. Depois dessa abordagem, o professor solicita aos alunos que tragam para as aulas camisetas de algodão que possam ser tingidas. Além disso, cada estudante deve descobrir elementos naturais que possam gerar corantes, como sementes, frutas e folhas.

Dessa contextualização, faz parte também a reflexão sobre o uso consciente de qualquer recurso, já que o pau-brasil foi quase extinto das matas do País por causa de usa extração desregrada para ser usado como madeira nobre e corante no início da colonização.

No laboratório, os processos de separação dos pigmentos e de fixação das cores nos tecidos são detalhados. Depois é a vez de cada aluno tingir sua própria camiseta. “Como o objetivo é mostrar que é possível conseguir uma grande diversidade de modelos e detalhes, também solicito aos alunos que busquem alternativas para as estamparias”, reforça o educador. Assim, eles descobrem, por exemplo, que se, no processo de tingimento fizeram dobras ou amarras nos tecidos, surgirão estampas personalizadas e exclusivas.

Para demonstrar que o processo poderia ser usado em escala comercial, os alunos passam a fazer testes de durabilidade com as roupas. Assim, com um pedaço de tecido, avaliam a firmeza da firmeza das cores diante dos processos de lavagem e secagem, além do tipo de produto que poderia ser utilizado sem agredir as cores. Essa etapa termina com a elaboração de uma etiqueta nos moldes da indústria da moda, contendo informações sobre como conservar as peças.

 

Interdisciplinaridade  

Quando terminam as atividades com o professor de ciências, começa a contribuição das aulas de artes. O projeto é desenvolvido há quatro anos e, a cada edição, uma temática ligada à influência da arte na moda é escolhida para ser agregada ao projeto. Usando materiais diversos como lantejoulas e botões, os alunos customizam as peças que tingiram para adequá-las à história que pretendem contar no desfile. “Ao relacionar a moda com a história de uma manifestação artística, como o cinema e a música, os alunos passam a perceber as inter-relações, principalmente, veem que as disciplinas podem ser estudadas em conjunto”, afirma Santos.

Com a ajuda dos professores de língua portuguesa, os alunos produzem os textos que descrevem o processo de produção das peças e serão lidos durante o desfile, além de produzirem o roteiro da apresentação. Assim, no ano passado, quem foi à escola durante a mostra aberta ao público, pode conhecer a história da música na moda nos últimos 60 anos. Neste ano, no evento marcado para 2 de outubro, a história a ser contada diz como o vestuário foi influenciado pelo cinema desde a década de 1950.

Com toda a proposta do desfile pronto, é hora de pensar a produção do cenário e iluminação do desfile, vestir as roupas personalizadas, treinar a postura corporal e as técnicas de passarela e esperar para lançarem moda e hábitos sustentáveis. “Além de aprenderem o conteúdo, consigo perceber uma mudança de hábitos, uma preocupação cada vez mais frequente com a sustentabilidade e o meio ambiente. Isso já faz parte da rotina dos alunos. Eles percebem que esse é um assunto que está o tempo todo ao redor deles. Além disso, aprendem que é possível reaproveitar  peças e evitar o desperdício”, avalia o professor.

 

Fabiano Omanezze – Especial para Agência Anhanguera

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