Cristo Vive!

Quarta, 14 Agosto 2019 10:36 Escrito por  Hudson Ramos
Cristo Vive! iStock.com
No cotidiano de nossas comunidades, os catequistas abraçam a necessidade, muitas vezes desafiadora, de acompanhar a caminhada de fé dos seus catequizandos. Mais delicado ainda é quando esse acompanhamento trata dos jovens.  

Em março deste ano, o Papa Francisco assinou a Exortação Apostólica Cristo Vive, uma carta aos jovens e a todo o povo de Deus que traz os frutos do Sínodo dos Bispos realizado em outubro passado. Entre as preocupações do bispo de Roma está o cuidado com a escuta e o acompanhamento dos jovens. Os catequistas, sobretudo aqueles que animam grupos de catequese crismal, tornam-se agentes fundamentais nesse caminhar com os jovens. Mas, atenção! Nossa caminhada não deve ser cheia de discursos prontos. Para caminhar com os jovens, antes de falar, devemos escutar. “Uma Igreja na defensiva, que perde a humildade, que deixa de escutar, que não permite ser questionada, perde a juventude e transforma-se num museu. Como poderá uma Igreja assim receber os sonhos dos jovens?”, questiona o Papa.

 

Jesus Cristo, fonte de vida nova e eterna, ao se encontrar com a mulher samaritana no poço de Jacó deixou de lado tudo para se interessar pela realidade daquela mulher e escutar a sua história. Ou seja, para escutar os jovens, precisamos também nós cultivarmos o silêncio interior, que tem como ponto de partida a aceitação das pessoas como são e na situação em que estão.

 

Em 2018, sensibilizado pelo Sínodo dos Bispos, o padre Ángel Fernández, Reitor-mor dos salesianos, tratou na Estreia sobre a arte de escutar e acompanhar os jovens. No documento, ele nos lembra que não é comum os jovens nos procurarem para pedir um acompanhamento espiritual, “mas, com frequência, são estimulados por necessidades, dúvidas, problemas, urgências, dificuldades, conflitos, tensões, decisões a tomar, situações problemáticas a enfrentar”.

 

Não são raras as vezes em que o catequista é o primeiro referencial do jovem na comunidade. E está justamente aí o tamanho de nossa responsabilidade. Nós, catequistas, em determinados contextos, sobretudo aqueles de fragilidade familiar, podemos ser a única pessoa em quem o jovem confie. Por isso, ainda como indica o padre Artime, é preciso ter em qualquer experiência de acompanhamento:

 

  • Um olhar amável, como o de Jesus no chamado vocacional dirigido aos doze (Jo 1, 35-51).
  • Uma palavra manifestada com autoridade, como pronunciada por Jesus na sinagoga de Cafarnaum (Lc 4, 32).
  • A capacidade de fazer-se próximo, como Jesus no encontro com a mulher Samaritana (Jo 4, 3-34, 39-42).
  • A opção de caminhar ao lado, fazer-se companheiro de caminho, como Jesus com os discípulos de Emaús (Lc 24, 13-35).

Será de grande valia para isso lermos a exortação Cristo Vive. Com seu zelo pastoral característico, o Papa Francisco insiste na escolha afetiva e efetiva da Igreja pelos jovens. No capítulo “A Pastoral dos Jovens”, entre os pontos 242 e 247, Francisco nos auxilia a continuar refletindo sobre o precioso papel dos adultos no acompanhamento dos jovens.

 

Assim como Jesus, São João Bosco, Madre Agathe Verhelle, o Papa Francisco e tantos outros e outras, é preciso que também nós, catequistas, acreditemos na juventude e dediquemos nosso precioso tempo a ela.

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Última modificação em Quarta, 14 Agosto 2019 10:41

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Quarta, 14 Agosto 2019 10:36 Escrito por  Hudson Ramos
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No cotidiano de nossas comunidades, os catequistas abraçam a necessidade, muitas vezes desafiadora, de acompanhar a caminhada de fé dos seus catequizandos. Mais delicado ainda é quando esse acompanhamento trata dos jovens.  

Em março deste ano, o Papa Francisco assinou a Exortação Apostólica Cristo Vive, uma carta aos jovens e a todo o povo de Deus que traz os frutos do Sínodo dos Bispos realizado em outubro passado. Entre as preocupações do bispo de Roma está o cuidado com a escuta e o acompanhamento dos jovens. Os catequistas, sobretudo aqueles que animam grupos de catequese crismal, tornam-se agentes fundamentais nesse caminhar com os jovens. Mas, atenção! Nossa caminhada não deve ser cheia de discursos prontos. Para caminhar com os jovens, antes de falar, devemos escutar. “Uma Igreja na defensiva, que perde a humildade, que deixa de escutar, que não permite ser questionada, perde a juventude e transforma-se num museu. Como poderá uma Igreja assim receber os sonhos dos jovens?”, questiona o Papa.

 

Jesus Cristo, fonte de vida nova e eterna, ao se encontrar com a mulher samaritana no poço de Jacó deixou de lado tudo para se interessar pela realidade daquela mulher e escutar a sua história. Ou seja, para escutar os jovens, precisamos também nós cultivarmos o silêncio interior, que tem como ponto de partida a aceitação das pessoas como são e na situação em que estão.

 

Em 2018, sensibilizado pelo Sínodo dos Bispos, o padre Ángel Fernández, Reitor-mor dos salesianos, tratou na Estreia sobre a arte de escutar e acompanhar os jovens. No documento, ele nos lembra que não é comum os jovens nos procurarem para pedir um acompanhamento espiritual, “mas, com frequência, são estimulados por necessidades, dúvidas, problemas, urgências, dificuldades, conflitos, tensões, decisões a tomar, situações problemáticas a enfrentar”.

 

Não são raras as vezes em que o catequista é o primeiro referencial do jovem na comunidade. E está justamente aí o tamanho de nossa responsabilidade. Nós, catequistas, em determinados contextos, sobretudo aqueles de fragilidade familiar, podemos ser a única pessoa em quem o jovem confie. Por isso, ainda como indica o padre Artime, é preciso ter em qualquer experiência de acompanhamento:

 

  • Um olhar amável, como o de Jesus no chamado vocacional dirigido aos doze (Jo 1, 35-51).
  • Uma palavra manifestada com autoridade, como pronunciada por Jesus na sinagoga de Cafarnaum (Lc 4, 32).
  • A capacidade de fazer-se próximo, como Jesus no encontro com a mulher Samaritana (Jo 4, 3-34, 39-42).
  • A opção de caminhar ao lado, fazer-se companheiro de caminho, como Jesus com os discípulos de Emaús (Lc 24, 13-35).

Será de grande valia para isso lermos a exortação Cristo Vive. Com seu zelo pastoral característico, o Papa Francisco insiste na escolha afetiva e efetiva da Igreja pelos jovens. No capítulo “A Pastoral dos Jovens”, entre os pontos 242 e 247, Francisco nos auxilia a continuar refletindo sobre o precioso papel dos adultos no acompanhamento dos jovens.

 

Assim como Jesus, São João Bosco, Madre Agathe Verhelle, o Papa Francisco e tantos outros e outras, é preciso que também nós, catequistas, acreditemos na juventude e dediquemos nosso precioso tempo a ela.

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