8º Muticom: Reflexão e diálogo para construir uma comunicação melhor

Tuesday, 29 October 2013 14:51 Written by 
Começou no domingo, 27 de outubro, a oitava edição do Mutirão de Comunicação (Muticom), promovido pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), Signis Brasil e Arquidiocese de Natal, cidade sede do evento. O Muticom segue até o dia 1º de novembro, com cerca de 700 participantes provenientes de diversas partes do país, especialmente profissionais de comunicação, agentes de pastoral, padres, bispos e religiosos, além de estudantes da área de comunicação. Nesta edição, o evento contou com a parceria da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), através do Departamento de Comunicação (DECOM), da Superintendência de Comunicação (Comunica) e do Programa de Pós-Graduação em Estudos da Mídia (PPgEM).

A mesa de abertura, único evento realizado fora do Campus da UFRN, no Praiamar Hotel, contou com representantes oficiais da organização, formada por dom Dimas Lara Barbosa, presidente episcopal para a comunicação da CNBB; dom Jaime Viera Rocha, arcebispo metropolitano de Natal; professora Dra. Ângela Paiva Cruz, da Reitoria da UFRN; dom Delson Pedreira da Cruz, bispo referencial para a comunicação do Regional Nordeste 2; irmã Helena Corazza, presidente da Signis Brasil; e padre Edilson Nobre, coordenador geral do 8º Muticom.

 

“Comunicação e participação cidadã: meios e processos”

O primeiro dia de atividades do Muticom começou com a celebração da Santa Missa e a conferência de abertura. A temática escolhida para o evento: ‘Comunicação e participação cidadã: meios e processos’, foi trabalhada por Muniz Sodré, professor emérito da UFRJ e grande pesquisador teórico, referência do pensamento comunicacional.

Mostrando respeito e elementos ligados a questões religiosas, ficou claro que o desenvolvimento do tema foi preparado com antecedência e adaptado para um público majoritariamente ligado à Igreja, sem perder a profundidade teórica e reflexiva. Por exemplo, ao início, o palestrante falou da concepção de encarnação, que dá “carne e corpo a uma imagem”, sendo Cristo a imagem encarnada do imortal.

Sodré pontuou elementos pertinentes para a reflexão do mundo contemporâneo, isto é, nossa realidade, relacionados com a cultura, a imagem, a construção de imaginários e as questões identitárias. Também fez uma relação conceitual com a ecologia.

Com um tempo de fala extenso e espaço também para interação ao final, foi possível pontuar diversos elementos, sem contudo esgotar o tema. Dom Valério Breda, bispo salesiano da Diocese de Penedo, AL, participante do encontro, comentou: “Saí talvez com mais perguntas que respostas, várias indagações, concordâncias e discordâncias. Isto é muito bom, gerou vontade de refletir, estudar. Precisamos de momentos assim”, ressaltou.

 

Identidade e identificações

Na primeira parte de sua fala, o professor pontuou que para montagem de um projeto de intervenção social se deve ter em conta: o ambiente, o comportamento, os recursos, as crenças e valores e a identidade. Sendo estes dois últimos determinantes para sua concretização.

Ao falar da mídia, afirmou que ela não era um ponto de chegada, mas sim ponto de partida para constituição de uma nova forma de vida. Apontou que existe hoje um novo tipo de sociabilidade e novo tipo de percepção sensorial e o aspecto afetivo como relevante. Também assinalou sua preocupação ao se pensar o homem a partir das tecnologias, de limitar o pensar a comunicação só a partir da influência de mecanismos sobre o humano, sem nada relativo à vinculação humana e ao aspecto semântico da mensagem.

Sodré citou os estudos de ciberteologia do padre Antonio Spadaro, jesuíta teórico conhecido no nosso meio católico e diretor da revista Civilità Católica (Itália), trazendo o conceito da internet como um ambiente, e da passagem da ideia de transmissão para a de compartilhamento.

Talvez a reflexão mais complexa que gerou concordâncias e discordâncias foi relativa a imagem e imaginários, e depois o desdobramento das questões de identidade e identificações.

Sobre esta primeira, refletiu como nossa relação hoje, com os recursos tecnológicos, faz com que sejamos capazes de, em alguma medida, materializar os nossos imaginários, produzindo uma outra forma de relacionar imaginário e vida real, muito distinta das de civilizações e modelos de sociedade anteriores.

Durante toda fala pontuou equivalências entre religião e mídia e de que não existe incompatibilidade entre a experiência midiática/eletrônica e a experiência religiosa, de alguma forma como “luzes” para nos ajudar a construir caminhos.

Já nas respostas aos questionamentos do publico, uma de suas colocações arrancou aplausos dos participantes: a necessidade de passarmos do Entender para o Compreender, isto é, com o olhar da fé, a compreensão ultrapassa a necessidade do entendimento.

A organização do evento deve disponibilizar o roteiro de fala no site do Muticom (www.muticom.com.br )

 

Grupos de trabalho

No período da tarde, os participantes se deslocaram para salas e auditórios disponíveis no campus para participar dos Grupos de Trabalho, escolhidos no ato da inscrição. A atividade vai se estender até a quarta-feira, dia 31, e é o momento em que os participantes vão conhecer relatos de experiências, trocar informações e debater possibilidades.

 

Outros seminários

Além deste, outros três seminários estão programados no evento com grandes nomes relacionados aos estudos de comunicação no Brasil. Para conferir é só visitar o site do evento.

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8º Muticom: Reflexão e diálogo para construir uma comunicação melhor

Tuesday, 29 October 2013 14:51 Written by 
Começou no domingo, 27 de outubro, a oitava edição do Mutirão de Comunicação (Muticom), promovido pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), Signis Brasil e Arquidiocese de Natal, cidade sede do evento. O Muticom segue até o dia 1º de novembro, com cerca de 700 participantes provenientes de diversas partes do país, especialmente profissionais de comunicação, agentes de pastoral, padres, bispos e religiosos, além de estudantes da área de comunicação. Nesta edição, o evento contou com a parceria da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), através do Departamento de Comunicação (DECOM), da Superintendência de Comunicação (Comunica) e do Programa de Pós-Graduação em Estudos da Mídia (PPgEM).

A mesa de abertura, único evento realizado fora do Campus da UFRN, no Praiamar Hotel, contou com representantes oficiais da organização, formada por dom Dimas Lara Barbosa, presidente episcopal para a comunicação da CNBB; dom Jaime Viera Rocha, arcebispo metropolitano de Natal; professora Dra. Ângela Paiva Cruz, da Reitoria da UFRN; dom Delson Pedreira da Cruz, bispo referencial para a comunicação do Regional Nordeste 2; irmã Helena Corazza, presidente da Signis Brasil; e padre Edilson Nobre, coordenador geral do 8º Muticom.

 

“Comunicação e participação cidadã: meios e processos”

O primeiro dia de atividades do Muticom começou com a celebração da Santa Missa e a conferência de abertura. A temática escolhida para o evento: ‘Comunicação e participação cidadã: meios e processos’, foi trabalhada por Muniz Sodré, professor emérito da UFRJ e grande pesquisador teórico, referência do pensamento comunicacional.

Mostrando respeito e elementos ligados a questões religiosas, ficou claro que o desenvolvimento do tema foi preparado com antecedência e adaptado para um público majoritariamente ligado à Igreja, sem perder a profundidade teórica e reflexiva. Por exemplo, ao início, o palestrante falou da concepção de encarnação, que dá “carne e corpo a uma imagem”, sendo Cristo a imagem encarnada do imortal.

Sodré pontuou elementos pertinentes para a reflexão do mundo contemporâneo, isto é, nossa realidade, relacionados com a cultura, a imagem, a construção de imaginários e as questões identitárias. Também fez uma relação conceitual com a ecologia.

Com um tempo de fala extenso e espaço também para interação ao final, foi possível pontuar diversos elementos, sem contudo esgotar o tema. Dom Valério Breda, bispo salesiano da Diocese de Penedo, AL, participante do encontro, comentou: “Saí talvez com mais perguntas que respostas, várias indagações, concordâncias e discordâncias. Isto é muito bom, gerou vontade de refletir, estudar. Precisamos de momentos assim”, ressaltou.

 

Identidade e identificações

Na primeira parte de sua fala, o professor pontuou que para montagem de um projeto de intervenção social se deve ter em conta: o ambiente, o comportamento, os recursos, as crenças e valores e a identidade. Sendo estes dois últimos determinantes para sua concretização.

Ao falar da mídia, afirmou que ela não era um ponto de chegada, mas sim ponto de partida para constituição de uma nova forma de vida. Apontou que existe hoje um novo tipo de sociabilidade e novo tipo de percepção sensorial e o aspecto afetivo como relevante. Também assinalou sua preocupação ao se pensar o homem a partir das tecnologias, de limitar o pensar a comunicação só a partir da influência de mecanismos sobre o humano, sem nada relativo à vinculação humana e ao aspecto semântico da mensagem.

Sodré citou os estudos de ciberteologia do padre Antonio Spadaro, jesuíta teórico conhecido no nosso meio católico e diretor da revista Civilità Católica (Itália), trazendo o conceito da internet como um ambiente, e da passagem da ideia de transmissão para a de compartilhamento.

Talvez a reflexão mais complexa que gerou concordâncias e discordâncias foi relativa a imagem e imaginários, e depois o desdobramento das questões de identidade e identificações.

Sobre esta primeira, refletiu como nossa relação hoje, com os recursos tecnológicos, faz com que sejamos capazes de, em alguma medida, materializar os nossos imaginários, produzindo uma outra forma de relacionar imaginário e vida real, muito distinta das de civilizações e modelos de sociedade anteriores.

Durante toda fala pontuou equivalências entre religião e mídia e de que não existe incompatibilidade entre a experiência midiática/eletrônica e a experiência religiosa, de alguma forma como “luzes” para nos ajudar a construir caminhos.

Já nas respostas aos questionamentos do publico, uma de suas colocações arrancou aplausos dos participantes: a necessidade de passarmos do Entender para o Compreender, isto é, com o olhar da fé, a compreensão ultrapassa a necessidade do entendimento.

A organização do evento deve disponibilizar o roteiro de fala no site do Muticom (www.muticom.com.br )

 

Grupos de trabalho

No período da tarde, os participantes se deslocaram para salas e auditórios disponíveis no campus para participar dos Grupos de Trabalho, escolhidos no ato da inscrição. A atividade vai se estender até a quarta-feira, dia 31, e é o momento em que os participantes vão conhecer relatos de experiências, trocar informações e debater possibilidades.

 

Outros seminários

Além deste, outros três seminários estão programados no evento com grandes nomes relacionados aos estudos de comunicação no Brasil. Para conferir é só visitar o site do evento.

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