A comitiva reúne Mizael de Melo Tudugaregue Etoguiu, Lauro Lopes Leandro Pariko Ekureu, Elitanea Leandro Araru Ekureudo, Kemelly Xavier da Silva Boro Kuodago e Marina Tawie, e viaja acompanhada pelos salesianos Salesiano Vinicius Neto Martins, Irmão Javael Bokodori Ekureu, que também é boe-bororo, e o padre João Bosco Monteiro Maciel, secretário inspetorial da Missão Salesiana de Mato Grosso.
O padre Johannes Kaufmann, que esteve em Meruri no início do ano, conduz o grupo em solo alemão.
“Fomos convidados a vir aqui na Alemanha para, em primeiro lugar, conhecer as cidades e os lugares por onde o padre Rodolfo passou”, explicou o padre João Bosco.
Circo e pedagogia marcam passagem por Bamberg
O roteiro começou em Bamberg, cidade que escapou dos bombardeios da Segunda Guerra Mundial. Ali o grupo visitou a catedral e esteve com o arcebispo dom Herwig Gössl.
A delegação conheceu também a Obra de Dom Bosco, instituição que emprega o circo como ferramenta educativa para jovens em situação de risco. “É o sistema do circo, tem grandes tendas de circo e conta com atividades circenses, os jovens vão aprendendo e criando a própria autoestima. Uma coisa muito bonita”, avaliou o padre Bosco.
Durante uma apresentação de malabarismo e equilibrismo feita pelos alemães, os jovens Bororo também cantaram músicas de sua etnia e distribuíram cruzes e canetas confeccionadas com traços da cultura do povo originário brasileiro.
As origens do Servo de Deus Rodolfo Lunkenbein
A comitiva seguiu para Dürnstadt, cidade natal do padre Rodolfo Lunkenbein, e visitou a casa em que o Servo de Deus cresceu, a igreja de sua infância e o cemitério onde repousam seus pais.
O grupo passou ainda por Buxheim, onde Lunkenbein cursou o aspirantado e o Ensino Médio, e por Benediktbeuern, centro de formação filosófica e teológica dos salesianos até os dias atuais.
Visitas anteriores e homenagem aos mártires
A viagem atual representa a terceira visita de um grupo Bororo à Europa, pois as duas primeiras ocorreram em 1898 e entre o final dos anos 1980 e o início dos anos 1990, quando os indígenas encontraram o antropólogo Claude Lévi Strauss em Paris.
“Agora o nosso grupo que vem fazer ou refazer os caminhos do padre Rodolfo”, comentou o padre João Bosco.
A programação inclui uma visita ao campo de concentração de Dachau e o lançamento, no dia 12, de uma biografia dos Servos de Deus, Padre Rodolfo e de Simão Bororo, escrita pelo padre Joseph Grunner e destinada à tradução para o português.
Intercâmbio prossegue
A peregrinação termina em Munique, com visitas ao Centro inspetorial Salesiano e a monumentos da cidade. A Inspetoria de Munique custeou toda a estadia dos brasileiros.
O encerramento da viagem abre espaço para um movimento inverso, e o padre João Bosco explicou como será a volta ao Brasil: “na ida nós iremos juntos com uma delegação de 14 daqui da Alemanha, entre salesianos, o inspetor da Alemanha, jovens, parentes do padre Rodolfo”. Esse grupo acompanhará os Bororo até Meruri, Campo Grande e Cuiabá, onde visitará as comunidades salesianas.