A obra não se apresenta como coletânea devocional, mas como documentação verificável: os testemunhos trazem nomes, sobrenomes, profissões, datas, locais e, em vários casos, atestados médicos assinados. Somente nesse período, foram registradas mais de 90 graças. Os fatos estão reunidos nas Obras Publicadas (vol. XXVI) e nas Memórias Biográficas.
A expressão de Dom Bosco e o nascimento do santuário
Dom Bosco escrevia com precisão sobre o que observava: “De todas as partes se veem efeitos extraordinários produzidos por esta confiança em Maria Auxiliadora”, e afirmava com certeza: “Maria Auxiliadora é a operadora das graças”. Para descrever como a própria Basílica de Valdocco havia surgido por meio de sinais da Providência, ele cunhou a expressão que ficou famosa: “Cada tijolo correspondia a uma graça”. O santuário tornou-se centro de peregrinação, lugar de conversão e eixo espiritual da nascente Família Salesiana desde a colocação da primeira pedra, em 27 de abril de 1865.
A criança cega que voltou a enxergar
Em janeiro de 1870, em Turim, Giuseppe, de sete anos, era cego de nascimento. Os médicos haviam declarado a cegueira congênita irreversível. A mãe o levou a Valdocco e implorou a Dom Bosco; após a missa, o santo abençoou uma medalha de Maria Auxiliadora e a colocou sobre os olhos da criança, rezando em voz alta. As pálpebras do menino tremeram, ele abriu os olhos e viu a luz, os rostos e sua mãe. O médico chamado ao local atestou por escrito a cura completa como inexplicável do ponto de vista científico. O episódio está registrado nas Memórias Biográficas, vol. X, e nas Obras Publicadas, vol. XXVI.
Vinte anos de surdez encerrados em uma madrugada
Em março de 1871, também em Turim, Teresa, de 45 anos, havia perdido a audição duas décadas antes por causa de uma febre. Uma vizinha lhe entregou uma medalha vinda de Valdocco; Teresa a colocou sob o travesseiro e rezou. Ao amanhecer, ouviu o tique-taque do relógio, a respiração do marido e o canto dos pássaros. No domingo seguinte, participou da missa em Valdocco e ouviu o coro e o órgão. Dom Bosco lhe disse: “Você gosta tanto de nos ajudar!”. O relato consta das Obras Publicadas, vol. XXVI.
Cegueira e mudez superadas no mesmo instante
Em maio de 1872, em Alexandria, na Itália, Carlos, de 24 anos, era cego e mudo desde o nascimento. A mãe fez uma novena a Maria Auxiliadora e prometeu percorrer descalça o caminho até Turim caso a graça viesse. Durante nove dias, colocou a medalha na testa do filho. No último dia da novena, Carlos pronunciou a palavra “Mãe” e, no mesmo instante, abriu os olhos. A mãe cumpriu o voto e caminhou descalça 70 quilômetros até Valdocco, onde o jovem narrou publicamente o ocorrido. O episódio está documentado nas Memórias Biográficas, vol. XIII, e nas Obras Publicadas, vol. XXVI.
A gangrena que desapareceu antes da amputação
Em dezembro de 1869, Pietro, um pedreiro de 32 anos, estava internado com gangrena na perna e tinha a amputação marcada para a manhã seguinte. Dom Bosco foi ao hospital, colocou a medalha de Maria Auxiliadora sobre a área necrosada e rezou: “O que os cirurgiões não podem fazer, Vós sabereis fazer”. Ao amanhecer, a gangrena havia desaparecido. Os médicos documentaram o caso por escrito. Pietro curou-se e, pelo restante da vida, ofereceu seu trabalho de forma gratuita na construção da Basílica. O caso está registrado nas Memórias Biográficas, vol. X, p. 163.
O tumor de mama que recuou em dez dias
Em abril de 1873, em Vercelli, Anna, de 40 anos e mãe de três filhos, recebera o diagnóstico de tumor maligno na mama, considerado incurável. Dom Bosco enviou-lhe três medalhas abençoadas com a indicação de aplicá-las três vezes ao dia, recitando três Ave-Marias. O marido registrou a evolução: redução da dor, diminuição do inchaço, desaparecimento do nódulo. Após dez dias, o tumor não era mais palpável. O médico atestou a cura como inexplicável. Anna viveu mais 35 anos. O relato consta das Obras Publicadas, vol. XXVI.
O jovem que agonizava e se levantou
Em novembro de 1870, em Turim, Domenico, de 19 anos, agonizava com bronquite complicada por gangrena pulmonar e já havia recebido a Unção dos Enfermos. Dom Bosco colocou sobre o peito do jovem a relíquia de São Francisco de Sales e a medalha de Maria Auxiliadora, rezou e disse: “Domenico, levante-se!”. O jovem abriu os olhos, respirou com normalidade e sentou-se. O médico, ao retornar, constatou que os pulmões estavam saudáveis. Domenico tornou-se, posteriormente, Salesiano Coadjutor. O episódio está nas Obras Publicadas, vol. XXVI.
Oito anos sem crises de epilepsia
Em agosto de 1871, em Chieri, Francesco, de 16 anos, sofria de epilepsia desde os oito anos, com crises frequentes. Levado pela mãe a Valdocco, rezou diante do altar de Maria Auxiliadora e recebeu a medalha na testa. As crises cessaram. Em 1879, ele escreveu a Dom Bosco confirmando que, após oito anos, nenhuma crise havia retornado. O relato está nas Obras Publicadas, vol. XXVI.
O médico cético que se converteu após a cura
Em fevereiro de 1874, em Turim, o doutor Emilio Gardini, médico declaradamente cético em relação aos milagres, foi acometido por febre com pneumonia bilateral. Em estado grave, pediu a visita de Dom Bosco; o santo rezou e colocou sobre ele a medalha de Maria Auxiliadora. A febre cessou naquela mesma noite e, em poucos dias, os pulmões estavam saudáveis. À cura seguiu-se a conversão do médico e seu compromisso público de fé. O caso está nas Memórias Biográficas, vol. XVI, e nas Obras Publicadas, vol. XXVI.
A paralisia vencida após anos de imobilidade
Em junho de 1872, em Ásti, Caterina, de 38 anos, estava paralisada da cintura para baixo há anos em consequência de um parto difícil. Ela passou a ser ungida diariamente com óleo da lâmpada do altar de Maria Auxiliadora, conforme orientação recebida. Após poucos dias, surgiram sinais de sensibilidade; em poucos meses, voltou a andar. Seis meses depois, foi a pé a Valdocco para agradecer. O episódio está registrado nas Obras Publicadas, vol. XXVI.
As chamas que pouparam o corpo
Em setembro de 1870, em Turim, Luígia Ferrero foi envolvida pelas chamas quando uma lamparina a óleo incendiou seu vestido. Ela invocou Maria Auxiliadora e apertou a medalha recebida de Dom Bosco. As chamas se apagaram. As roupas ficaram carbonizadas, mas o corpo permaneceu sem queimaduras. O médico chamado em seguida declarou o fato inexplicável. Luígia atribuiu publicamente a salvação à intercessão de Maria Auxiliadora. O relato está nas Obras Publicadas, vol. XXVI, e nas Memórias Biográficas, vol. XV.
O pedreiro que caiu do quarto andar e sobreviveu ileso
Em maio de 1868, em Turim, Giuseppe Baratta, pedreiro de 29 anos, caiu do quarto andar de um andaime. Durante a queda, invocou Maria Auxiliadora, cuja medalha trazia consigo. Os presentes esperavam a morte imediata; em vez disso, encontraram-no consciente e sem ferimentos. O médico constatou a ausência de fraturas ou contusões e definiu o desfecho como “incompreensível”. Giuseppe atribuiu a salvação à proteção de Maria e continuou a trabalhar na construção da Basílica. O caso está nas Memórias Biográficas, vol. XVI, e nas Obras Publicadas, vol. XXVI.
A vinha que o granizo não alcançou
Em 15 de julho de 1871, em Monferrato, uma tempestade de granizo destruiu os campos da região. O camponês Michele Rossi havia colocado uma medalha de Maria Auxiliadora no limite de sua vinha e rezado pela proteção da colheita. O granizo destruiu as propriedades vizinhas, mas parou no limite exato de sua terra. A vinha permaneceu intacta. O fato foi atestado por testemunhas e comunicado a Dom Bosco. O relato consta das Obras Publicadas, vol. XXVI.
O fio que une os doze relatos
Os doze episódios documentados entre 1868 e 1875 convergem para um elemento comum: a confiança na intercessão de Maria Auxiliadora, manifestada por pessoas de condições, idades e circunstâncias distintas. Para Dom Bosco, esses fatos não constituíam busca do prodigioso, mas sinais pastorais com uma finalidade precisa: fortalecer a fé do povo e testemunhar que Maria age na vida dos fiéis, renova os corações, devolve a esperança e conduz ao encontro com Deus.
Euclides Fernandes com informações da Agência Info Salesiana