Sacerdote, pedagogo, mestre, confessor... Dom Bosco foi um homem sempre atento à vontade de Deus e com os olhos voltados para os seus amados jovens. Por isso, sua figura continua plenamente atual.
Muitas das obras que hoje associamos espontaneamente a Dom Bosco não começaram com ele. Os oratórios já existiam, assim como escolas e iniciativas educativas voltadas aos jovens. Mesmo assim, tudo o que passou por suas mãos ganhou um novo sentido. Dom Bosco teve o raro talento de transformar instrumentos já existentes em modelos educativos capazes de atravessar tempos, continentes e movimentos. Por isso, quase dois séculos após seu nascimento, ele continua a falar aos jovens e aos educadores de hoje.
Sua força estava, provavelmente, na capacidade de ver para além das aparências. Onde outros viam um jovem perdido, um vagabundo, um potencial delinquente, Dom Bosco via uma possibilidade: sabia imaginar um trabalhador competente, um pai de família responsável, um cidadão honesto em potência. Antes mesmo de educar, Dom Bosco sabia acreditar.
Como disse recentemente o Reitor-mor, padre Fábio Attard, Dom Bosco era, antes de tudo, um homem de ascese e mística: “seu amor pelos jovens brotava da união com Deus, alimentada pela Eucaristia, pela meditação da Escritura e pela oração incessante” (Atos do Conselho Geral 448). Foi dessa profunda união com Deus, vivida sobretudo na presença de Nossa Senhora, seu farol constante, que nasceu sua ação incansável, perseverante e integral, em favor dos jovens mais vulneráveis.
Um lugar especial no coração de Dom Bosco
Os jovens não só ocupavam um lugar especial em seu coração, mas também eram a sua prioridade máxima. As narrativas indicam que ele interromperia qualquer compromisso apenas por duas razões: uma chamada do Papa ou a necessidade de um jovem. Uma hierarquia surpreendente, que revela muito sobre a maneira de como vivia sua missão.
Entre canteiros de obras, viagens, pregações, projetos a realizar, benfeitores a encontrar e pobres a assistir, sempre encontrava tempo para estar com seus jovens. Antes de tudo, para ouvi-los: conhecia suas histórias, suas feridas, seus medos. Muitas vezes, bastava uma palavra, uma confidência, aquela célebre palavrinha ao ouvido, para reacender a confiança e a esperança.
Capacidade educativa
Sua extraordinária capacidade educativa também nasceu de suas próprias vivências. Quando jovem, aprendeu com os acrobatas a arte de conquistar a atenção dos companheiros; experimentou a condição de órfão, a dureza do trabalho no campo e a separação precoce da família.
Conheceu de perto as dificuldades financeiras e a necessidade de custear os próprios estudos; como jovem sacerdote, conheceu o sofrimento das prisões e dos condenados à morte. Nada, porém, foi em vão: cada experiência, inclusive as mais difíceis e dolorosas, tornou-se uma lição que pôs a serviço dos jovens.
Num tempo em que a Igreja, muitas vezes, parecia distante das classes populares, Dom Bosco escolheu o caminho da proximidade. Foi ao encontro dos jovens onde eles viviam, nas periferias materiais e existenciais de seu tempo. Toda a obra salesiana começou com um gesto simples: o encontro com um jovem pedreiro, Bartolomeu Garelli. Daquela escuta nasceu um movimento educativo que invadiria o mundo inteiro.
Talvez esteja aí o segredo de sua extraordinária atualidade. Dom Bosco não pertence ao passado, porque falou de algo que jamais perde sua importância: falou da necessidade de ser ouvido, acolhido e acompanhado, sempre tendo diante de si uma meta clara: o Céu! Por isso, ainda hoje, em todos os continentes, milhares de famílias continuam a confiar seus filhos simplesmente “a Dom Bosco”. E Ele prossegue falando às novas gerações com a mesma força de então.