Realizada missa de ação de graças pela beatificação dos salesianos mártires

Terça, 09 Junho 2026 15:45 Escrito por  Agência Info Salesiana
Realizada missa de ação de graças pela beatificação dos salesianos mártires ANS
No domingo, 7 de junho, um dia após a beatificação do padre Jan Świerc e seus oito companheiros salesianos mártires, o padre Fabio Attard, Reitor-mor dos Salesianos, visitou a igreja matriz dos Salesianos, na Polônia, em Oświęcim, onde há mais de um século se desenvolve a Obra de São João Bosco, no país, para a missa de ação de graças pela beatificação dos mártires salesianos


A primeira etapa da visita foi dedicada ao encontro com representantes da juventude das seis inspetorias polonesas — quatro dos Salesianos de Dom Bosco (SDB) e duas das Filhas de Maria Auxiliadora (FMA) — , além de membros de grupos da Família Salesiana.

 

Encontro com os jovens

O encontro com o padre Attard reuniu mais de 100 jovens em um clima marcado pelo diálogo, proximidade e partilha fraterna. Na ocasião, o XI sucessor de Dom Bosco recebeu dos participantes um presente simbólico: uma camiseta comemorativa da beatificação dos salesianos mártires.

 

Missa de graças

Na sequência, no Santuário de Maria Auxiliadora, o padre Attard participou da celebração da Missa de Ação de Graças pela beatificação dos mártires. A celebração foi presidida por dom Roman Pindel, bispo de Bielsko-Żywiec, contando com a homilia do Reitor-mor.

A Eucaristia teve a participação de Salesianos de Dom Bosco, Filhas de Maria Auxiliadora, representantes dos grupos da Família Salesiana, jovens e Ex-alunos provenientes de toda a Polônia, além de delegações de presenças salesianas da Alemanha, Eslováquia, Hungria, Itália, França, Romênia, entre outros países.

Participaram também autoridades civis, entre elas Iwona Gibas, membro do Conselho da Região da Małopolska, e Janusz Chwierut, prefeito de Oświęcim.

 

Homilia

“A história dos nove mártires salesianos não começa no horror de Auschwitz e Dachau, mas no silêncio da oração, na humildade do confessionário e na total confiança em Deus, antes mesmo que caísse a escuridão”, destacou o Reitor-mor em sua homilia.

Padre Attard falou sobre as três dimensões centrais de sua espiritualidade: o desejo de conhecer Deus, a fé amadurecida na provação, a liberdade interior para responder ao chamado de Cristo.

Inspirando-se no profeta Oseias, o sucessor de Dom Bosco lembrou que a relação com Deus nasce da busca cotidiana e perseverante. “A fé não se improvisa; constrói-se ao longo dos anos, no ritmo da oração e da humildade”, afirmou ressaltando que os mártires encontraram força na prova porque a haviam cultivado diariamente.

Karol Golda

O Reitor-mor evocou ainda a figura do beato padre Karol Golda, o mais jovem do grupo, recordando seu desejo juvenil de “aspirar ao alto”, vivido na Adoração Eucarística, na confissão frequente e na leitura da Sagrada Escritura. Preso por administrar o Sacramento da Reconciliação a um soldado alemão, “não o conduziu o medo, mas o desejo de estar sempre perto de Deus”.

 

Franciszek Harazim

Ele também lembrou o beato padre Franciszek Harazim como “um pilar espiritual da Congregação Salesiana na Polônia”, fiel aos sacramentos até o fim. Já no campo de concentração, pediu a um coirmão que o confessasse: “A confissão foi o primeiro sacramento que aprendeu a amar e o último que recebeu”.

 

Jan Świerc

Ao discorrer sobre a fé amadurecida no sofrimento, padre Attard rememorou a figura de Abraão, evidenciando que as provações não aniquilam a fé genuína, mas a refinam e a robustecem. Citou ainda o testemunho do beato padre Jan Świerc, o mais idoso do grupo, que rezava “Jesus, tem piedade de nós”, mesmo diante da brutalidade dos algozes, evidenciando uma confiança –inabalável- em Deus.

 

Ignacy Antonowicz

Na sequência, mencionou o beato padre Ignacy Antonowicz, doutor em Teologia pela Universidade Gregoriana e veterano de guerra, que, após ter sido brutalmente espancado em Auschwitz, permaneceu agonizando por quase um mês no hospital do campo. No entanto, “a fé nunca o abandonou”, destacou.

 

Ludwik Mroczek

Em seguida, o Reitor-mor relatou um testemunho acerca do beato padre Ludwik Mroczek. Um de seus companheiros de cativeiro lembrava que as conversas com ele traziam conforto e esperança em meio ao inferno do campo. “Naquele mar de ódio, sofrimento e amargura, sua simplicidade e bondade tranquilizavam as pessoas. O campo não o destruiu. Nele, revelou quem ele realmente era!”, acrescentou o padre Attard.

Segundo o Reitor-mor, a terceira dimensão do testemunho dos mártires foi a liberdade do coração. Referindo-se ao Evangelho da vocação de São Mateus, destacou que seguir a Cristo exige liberdade do medo, do egoísmo e do apego ao mundo. “Dizer ‘sim’ a Jesus não é uma questão de emoções passageiras, mas de uma profunda convicção do coração”, enfatizou.

Quietude da oração

“Nossos mártires não pregavam do alto do púlpito. Enquanto o mundo gritava que Deus não existia, eles O proclamavam com o próprio corpo, com as próprias escolhas e com a quietude da oração”, afirmou o padre Attard. Assim, o testemunho deles se torna hoje um convite a fazer um exame de consciência sobre as próprias escolhas, medos, convicções.

Ao final da homilia, padre Attard recordou as palavras de São João Paulo II, de 1999, sobre a luz de Cristo que resplandecia nas trevas dos campos de concentração, graças ao testemunho dos mártires: “Não temamos! deixemos que, também hoje, essa luz resplandeça em nós. Não estamos aqui apenas para lembrá-los. Estamos aqui para aceitar o desafio do seu testemunho”, afirmou o Reitor-mor pedindo a graça de conhecer a Deus a cada dia, a coragem na hora da provação e de seguir a Cristo “com o coração livre, cheio de alegria e de esperança”.

 

Conclusão do inspetor

No final da celebração, o padre Dariusz Bartocha, inspetor da Polônia-Cracóvia (PLS), agradeceu a presença de todos e destacou o caráter internacional da celebração. Dirigiu palavras de especial reconhecimento às famílias dos novos beatos: “Um dia confiaram seus filhos à Família Salesiana; hoje os reencontram na Família dos Santos”.

O inspetor recordou ainda o vínculo dos nove mártires com o santuário de Oświęcim, onde rezavam diante da imagem de Nossa Senhora do Socorro, cuja coroação está prevista para setembro.

Por fim, dirigiu-se aos jovens, incentivando-os ao discernimento vocacional: “talvez alguns descubram no coração o chamado à vida salesiana: esta grande família conduz pelos caminhos da santidade”.

 

Por: Agência Info Salesiana

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Última modificação em Terça, 09 Junho 2026 15:59

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Realizada missa de ação de graças pela beatificação dos salesianos mártires ANS
No domingo, 7 de junho, um dia após a beatificação do padre Jan Świerc e seus oito companheiros salesianos mártires, o padre Fabio Attard, Reitor-mor dos Salesianos, visitou a igreja matriz dos Salesianos, na Polônia, em Oświęcim, onde há mais de um século se desenvolve a Obra de São João Bosco, no país, para a missa de ação de graças pela beatificação dos mártires salesianos


A primeira etapa da visita foi dedicada ao encontro com representantes da juventude das seis inspetorias polonesas — quatro dos Salesianos de Dom Bosco (SDB) e duas das Filhas de Maria Auxiliadora (FMA) — , além de membros de grupos da Família Salesiana.

 

Encontro com os jovens

O encontro com o padre Attard reuniu mais de 100 jovens em um clima marcado pelo diálogo, proximidade e partilha fraterna. Na ocasião, o XI sucessor de Dom Bosco recebeu dos participantes um presente simbólico: uma camiseta comemorativa da beatificação dos salesianos mártires.

 

Missa de graças

Na sequência, no Santuário de Maria Auxiliadora, o padre Attard participou da celebração da Missa de Ação de Graças pela beatificação dos mártires. A celebração foi presidida por dom Roman Pindel, bispo de Bielsko-Żywiec, contando com a homilia do Reitor-mor.

A Eucaristia teve a participação de Salesianos de Dom Bosco, Filhas de Maria Auxiliadora, representantes dos grupos da Família Salesiana, jovens e Ex-alunos provenientes de toda a Polônia, além de delegações de presenças salesianas da Alemanha, Eslováquia, Hungria, Itália, França, Romênia, entre outros países.

Participaram também autoridades civis, entre elas Iwona Gibas, membro do Conselho da Região da Małopolska, e Janusz Chwierut, prefeito de Oświęcim.

 

Homilia

“A história dos nove mártires salesianos não começa no horror de Auschwitz e Dachau, mas no silêncio da oração, na humildade do confessionário e na total confiança em Deus, antes mesmo que caísse a escuridão”, destacou o Reitor-mor em sua homilia.

Padre Attard falou sobre as três dimensões centrais de sua espiritualidade: o desejo de conhecer Deus, a fé amadurecida na provação, a liberdade interior para responder ao chamado de Cristo.

Inspirando-se no profeta Oseias, o sucessor de Dom Bosco lembrou que a relação com Deus nasce da busca cotidiana e perseverante. “A fé não se improvisa; constrói-se ao longo dos anos, no ritmo da oração e da humildade”, afirmou ressaltando que os mártires encontraram força na prova porque a haviam cultivado diariamente.

Karol Golda

O Reitor-mor evocou ainda a figura do beato padre Karol Golda, o mais jovem do grupo, recordando seu desejo juvenil de “aspirar ao alto”, vivido na Adoração Eucarística, na confissão frequente e na leitura da Sagrada Escritura. Preso por administrar o Sacramento da Reconciliação a um soldado alemão, “não o conduziu o medo, mas o desejo de estar sempre perto de Deus”.

 

Franciszek Harazim

Ele também lembrou o beato padre Franciszek Harazim como “um pilar espiritual da Congregação Salesiana na Polônia”, fiel aos sacramentos até o fim. Já no campo de concentração, pediu a um coirmão que o confessasse: “A confissão foi o primeiro sacramento que aprendeu a amar e o último que recebeu”.

 

Jan Świerc

Ao discorrer sobre a fé amadurecida no sofrimento, padre Attard rememorou a figura de Abraão, evidenciando que as provações não aniquilam a fé genuína, mas a refinam e a robustecem. Citou ainda o testemunho do beato padre Jan Świerc, o mais idoso do grupo, que rezava “Jesus, tem piedade de nós”, mesmo diante da brutalidade dos algozes, evidenciando uma confiança –inabalável- em Deus.

 

Ignacy Antonowicz

Na sequência, mencionou o beato padre Ignacy Antonowicz, doutor em Teologia pela Universidade Gregoriana e veterano de guerra, que, após ter sido brutalmente espancado em Auschwitz, permaneceu agonizando por quase um mês no hospital do campo. No entanto, “a fé nunca o abandonou”, destacou.

 

Ludwik Mroczek

Em seguida, o Reitor-mor relatou um testemunho acerca do beato padre Ludwik Mroczek. Um de seus companheiros de cativeiro lembrava que as conversas com ele traziam conforto e esperança em meio ao inferno do campo. “Naquele mar de ódio, sofrimento e amargura, sua simplicidade e bondade tranquilizavam as pessoas. O campo não o destruiu. Nele, revelou quem ele realmente era!”, acrescentou o padre Attard.

Segundo o Reitor-mor, a terceira dimensão do testemunho dos mártires foi a liberdade do coração. Referindo-se ao Evangelho da vocação de São Mateus, destacou que seguir a Cristo exige liberdade do medo, do egoísmo e do apego ao mundo. “Dizer ‘sim’ a Jesus não é uma questão de emoções passageiras, mas de uma profunda convicção do coração”, enfatizou.

Quietude da oração

“Nossos mártires não pregavam do alto do púlpito. Enquanto o mundo gritava que Deus não existia, eles O proclamavam com o próprio corpo, com as próprias escolhas e com a quietude da oração”, afirmou o padre Attard. Assim, o testemunho deles se torna hoje um convite a fazer um exame de consciência sobre as próprias escolhas, medos, convicções.

Ao final da homilia, padre Attard recordou as palavras de São João Paulo II, de 1999, sobre a luz de Cristo que resplandecia nas trevas dos campos de concentração, graças ao testemunho dos mártires: “Não temamos! deixemos que, também hoje, essa luz resplandeça em nós. Não estamos aqui apenas para lembrá-los. Estamos aqui para aceitar o desafio do seu testemunho”, afirmou o Reitor-mor pedindo a graça de conhecer a Deus a cada dia, a coragem na hora da provação e de seguir a Cristo “com o coração livre, cheio de alegria e de esperança”.

 

Conclusão do inspetor

No final da celebração, o padre Dariusz Bartocha, inspetor da Polônia-Cracóvia (PLS), agradeceu a presença de todos e destacou o caráter internacional da celebração. Dirigiu palavras de especial reconhecimento às famílias dos novos beatos: “Um dia confiaram seus filhos à Família Salesiana; hoje os reencontram na Família dos Santos”.

O inspetor recordou ainda o vínculo dos nove mártires com o santuário de Oświęcim, onde rezavam diante da imagem de Nossa Senhora do Socorro, cuja coroação está prevista para setembro.

Por fim, dirigiu-se aos jovens, incentivando-os ao discernimento vocacional: “talvez alguns descubram no coração o chamado à vida salesiana: esta grande família conduz pelos caminhos da santidade”.

 

Por: Agência Info Salesiana

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