Colômbia: ajuda humanitária que vai além de erguer paredes

Quinta, 15 Outubro 2026 18:37 Escrito por  Agência Info Salesiana
O terremoto de 10 de agosto de 2026 transformou em poucos segundos a vida de milhares de pessoas. Desde o ocorrido, os Salesianos se mobilizam para oferecer acolhimento e apoio material às comunidades afetadas.


Uma pesquisa conduzida pela Inspetoria Salesiana São Luís Beltrão, da Colômbia-Medellín (COM) aponta a magnitude dos efeitos. Das 18 comunidades da inspetoria, dez apresentaram danos estruturais, e 53% das obras salesianas avaliadas relataram perdas materiais.

A suspensão temporária dos serviços impactou 2.100 beneficiários. Ademais, 90 funcionários e seus familiares tiveram as suas casas danificadas e necessitam de apoio psicossocial. Cerca de 300 alunos também precisaram de bolsas de estudo para dar continuidade à formação. O relatório registra ainda duas mortes entre os beneficiários dos programas salesianos.

Segundo o Salesiano Adolfo Enrique Romero, responsável pelo Setor de Proteção da Inspetoria, os primeiros momentos após o terremoto foram marcados não só pelo medo e pela incerteza mas também pela clareza sobre a missão a cumprir: “como salesianos, sabíamos que nosso lugar era ao lado daqueles que mais sofriam”.

Uma das circunstâncias mais alarmantes envolve o Instituto Técnico Industrial São João Bosco, em Cáli. As análises técnicas indicam que, aproximadamente, 85% da estrutura foi comprometida. Os prejuízos causados em paredes, colunas, tetos e outros blocos da edificação, impediram a retomada normal das atividades acadêmicas e educativo-pastorais.

Também foram constatados danos no Colégio São João Bosco, em Dosquebradas, no Instituto Pedro Justo Berrío, em Medellín, e nas presenças salesianas de Tuluá. Em Condoto, na região de Chocó, a situação é especialmente delicada: a Paróquia São José apresenta danos nas colunas, paredes, alvenaria e cobertura e precisa passar por avaliações técnicas especializadas para determinar a estabilidade da construção.

A resposta emergencial foi coordenada por equipes de emergência e por sete centros de coleta de itens essenciais. Em apenas um mês, foram enviadas 68 toneladas de assistência humanitária, estimadas em mais de 185 mil euros. Dessas quantidades, 20 toneladas foram enviadas para Dosquebradas, 16 para Chocó e 19 para Cáli. Donativos também foram enviados a Tuluá e entregues diretamente às famílias.

Adolfo Romero atribui a agilidade da mobilização à presença constante dos Salesianos nas áreas afetadas: "isso foi viável porque já estávamos inseridos e tínhamos conhecimento das comunidades". Em pouco tempo, as obras salesianas se tornaram pontos de acolhida e distribuição de alimentos, água e outros itens essenciais.

A reconstrução passa pelas salas de aula e pelo acolhimento das dores e dos traumas invisíveis. Superada a fase mais crítica, o foco agora é a reconstrução integral. Entre as principais prioridades está a prevenção do abandono escolar. Para combatê-lo, o plano de apoio à educação contempla auxílios financeiros para mensalidades, aquisição de material escolar e transporte, além de visitas domiciliares e acompanhamento contínuo de 300 alunos em Cáli e Dosquebradas.

 

O plano de retomada também abrange a reestruturação de escolas, paróquias e centros comunitários, a adaptação de espaços provisórios e a oferta de suporte psicossocial voltado a crianças, jovens, famílias e colaboradores.

"Falamos de uma reconstrução integral porque não basta erguer as paredes novamente. Precisamos recuperar escolas e espaços educativos, mas também ajudar as pessoas a reconstruir seus projetos de vida", afirma Romero.

Muitas famílias ainda precisam de moradias seguras. Outras perderam pequenos negócios, empregos e suas fontes de renda. Há também feridas que não se veem; mas que deixam marcas profundas: o medo, a dor, a incerteza... “Para muitas famílias, a emergência ainda não terminou”, diz o salesiano.

Após a mobilização inicial das primeiras semanas, começa agora uma etapa menos visível e, provavelmente, mais longa. O trabalho envolve tornar os espaços seguros novamente, garantir a continuidade dos estudos, recuperar os meios de subsistência e acompanhar as pessoas para que possam voltar a olhar para o futuro. Afinal, reconstruir a Colômbia não significa apenas reparar edifícios, mas “devolver segurança, dignidade, esperança”.

“A nossa solidariedade continua sendo fundamental para que, na Colômbia, a ajuda chegue às pessoas que dela mais necessitam”, afirma a Procuradoria Missionária Salesiana de Madri.

 

Por: Agência Info Salesiana

 

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Última modificação em Sexta, 16 Outubro 2026 14:25
Mais nesta categoria: « Reitor-mor visita Bangladesh

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Colômbia: ajuda humanitária que vai além de erguer paredes

Quinta, 15 Outubro 2026 18:37 Escrito por  Agência Info Salesiana
O terremoto de 10 de agosto de 2026 transformou em poucos segundos a vida de milhares de pessoas. Desde o ocorrido, os Salesianos se mobilizam para oferecer acolhimento e apoio material às comunidades afetadas.


Uma pesquisa conduzida pela Inspetoria Salesiana São Luís Beltrão, da Colômbia-Medellín (COM) aponta a magnitude dos efeitos. Das 18 comunidades da inspetoria, dez apresentaram danos estruturais, e 53% das obras salesianas avaliadas relataram perdas materiais.

A suspensão temporária dos serviços impactou 2.100 beneficiários. Ademais, 90 funcionários e seus familiares tiveram as suas casas danificadas e necessitam de apoio psicossocial. Cerca de 300 alunos também precisaram de bolsas de estudo para dar continuidade à formação. O relatório registra ainda duas mortes entre os beneficiários dos programas salesianos.

Segundo o Salesiano Adolfo Enrique Romero, responsável pelo Setor de Proteção da Inspetoria, os primeiros momentos após o terremoto foram marcados não só pelo medo e pela incerteza mas também pela clareza sobre a missão a cumprir: “como salesianos, sabíamos que nosso lugar era ao lado daqueles que mais sofriam”.

Uma das circunstâncias mais alarmantes envolve o Instituto Técnico Industrial São João Bosco, em Cáli. As análises técnicas indicam que, aproximadamente, 85% da estrutura foi comprometida. Os prejuízos causados em paredes, colunas, tetos e outros blocos da edificação, impediram a retomada normal das atividades acadêmicas e educativo-pastorais.

Também foram constatados danos no Colégio São João Bosco, em Dosquebradas, no Instituto Pedro Justo Berrío, em Medellín, e nas presenças salesianas de Tuluá. Em Condoto, na região de Chocó, a situação é especialmente delicada: a Paróquia São José apresenta danos nas colunas, paredes, alvenaria e cobertura e precisa passar por avaliações técnicas especializadas para determinar a estabilidade da construção.

A resposta emergencial foi coordenada por equipes de emergência e por sete centros de coleta de itens essenciais. Em apenas um mês, foram enviadas 68 toneladas de assistência humanitária, estimadas em mais de 185 mil euros. Dessas quantidades, 20 toneladas foram enviadas para Dosquebradas, 16 para Chocó e 19 para Cáli. Donativos também foram enviados a Tuluá e entregues diretamente às famílias.

Adolfo Romero atribui a agilidade da mobilização à presença constante dos Salesianos nas áreas afetadas: "isso foi viável porque já estávamos inseridos e tínhamos conhecimento das comunidades". Em pouco tempo, as obras salesianas se tornaram pontos de acolhida e distribuição de alimentos, água e outros itens essenciais.

A reconstrução passa pelas salas de aula e pelo acolhimento das dores e dos traumas invisíveis. Superada a fase mais crítica, o foco agora é a reconstrução integral. Entre as principais prioridades está a prevenção do abandono escolar. Para combatê-lo, o plano de apoio à educação contempla auxílios financeiros para mensalidades, aquisição de material escolar e transporte, além de visitas domiciliares e acompanhamento contínuo de 300 alunos em Cáli e Dosquebradas.

 

O plano de retomada também abrange a reestruturação de escolas, paróquias e centros comunitários, a adaptação de espaços provisórios e a oferta de suporte psicossocial voltado a crianças, jovens, famílias e colaboradores.

"Falamos de uma reconstrução integral porque não basta erguer as paredes novamente. Precisamos recuperar escolas e espaços educativos, mas também ajudar as pessoas a reconstruir seus projetos de vida", afirma Romero.

Muitas famílias ainda precisam de moradias seguras. Outras perderam pequenos negócios, empregos e suas fontes de renda. Há também feridas que não se veem; mas que deixam marcas profundas: o medo, a dor, a incerteza... “Para muitas famílias, a emergência ainda não terminou”, diz o salesiano.

Após a mobilização inicial das primeiras semanas, começa agora uma etapa menos visível e, provavelmente, mais longa. O trabalho envolve tornar os espaços seguros novamente, garantir a continuidade dos estudos, recuperar os meios de subsistência e acompanhar as pessoas para que possam voltar a olhar para o futuro. Afinal, reconstruir a Colômbia não significa apenas reparar edifícios, mas “devolver segurança, dignidade, esperança”.

“A nossa solidariedade continua sendo fundamental para que, na Colômbia, a ajuda chegue às pessoas que dela mais necessitam”, afirma a Procuradoria Missionária Salesiana de Madri.

 

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