A cruz e a partida
O Reitor-mor, padre Fábio Attard, presidiu a concelebração eucarística às 15h, no horário local, em Valdocco, transmitida ao mundo inteiro pelo canal da ANS no youtube. Participaram a superiora-geral das FMA, madre Chiara Cazzuola, e o conselheiro-geral para as Missões, padre Jorge Crisafulli. A Família Salesiana reuniu-se na véspera da 100ª edição do Dia Mundial das Missões.
O chamado que sustenta a missão
Na homilia, o Reitor-mor apresentou a vocação como iniciativa de Deus e dom que antecede os méritos de cada pessoa. A partir da leitura de Isaías, lembrou que o chamado alcança cada missionário com sua história, seus dons e suas fragilidades. “Quando experimentardes o cansaço, a solidão ou o sentimento de incapacidade, lembrai-vos de que a vossa missão apoia-se Naquele que vos chamou”, exortou.
Ao comentar a carta de São Paulo aos Tessalonicenses, padre Attard relacionou a fé aos gestos e ao acolhimento, a caridade à doação e a esperança à confiança na ação de Deus. Citou Dom Bosco, Madre Mazzarello e Santa Maria Troncatti como referências de entrega aos jovens e aos pobres. “Não partais como heróis, partais como discípulos, com humildade e alegria”, disse aos missionários.
O Evangelho e o encontro com os povos
Na reflexão sobre o tributo a César, o Reitor-mor recordou que a moeda traz a imagem do imperador, enquanto a vida humana carrega a imagem de Deus. Pediu discernimento diante do poder, do prestígio e do dinheiro e retomou a recomendação de Dom Bosco aos primeiros missionários, em 1875: “Buscai almas, mas não dinheiros, nem honras, nem dignidades”.
Padre Attard também abordou a união entre educação e evangelização no Sistema Preventivo salesiano. Orientou os missionários a conhecer a história, aprender a língua e compreender a cultura dos povos que os receberão.
O padre Jorge Crisafulli pediu à Família Salesiana que acompanhe a expedição: acompanhemos com nossas orações esses nossos irmãos e irmãs!”.
A voz dos missionários
Entre os missionários, o brasileiro Henrique Gomes Belmello, da Inspetoria de Campo Grande, assumiu a palavra ao término da missa. Em nome dos companheiros de expedição, agradeceu ao Reitor-mor e expressou o sentido da cruz que cada um recebeu: levar o amor de Cristo até os confins da Terra.
Henrique recordou o decreto Ad Gentes, do Concílio Vaticano II, e a natureza missionária da Igreja. Apontou o Espírito Santo como protagonista da missão, que precede os evangelizadores, acompanha seus passos e fecunda o serviço apostólico. “Partimos, portanto, com humildade e confiança, prontos para encontrar as pessoas, acolher as riquezas das culturas e testemunhar, sobretudo aos jovens e aos mais pobres, a alegria e a esperança que nascem do encontro com Cristo”, declarou.
O salesiano agradeceu ao padre Fábio Attard, à madre Chiara Cazzuola, ao padre Jorge Crisafulli e às conselheiras encarregadas pela proximidade, pelo acompanhamento nos dias de preparação ao envio e pela confiança. Ao concluir, afirmou que a partida representa uma forma de viver a comunhão no carisma salesiano e confiou o caminho a Maria, Mãe de Deus e Rainha das Missões.
A memória de Santa Maria Troncatti
No início da missa, foi inaugurada uma estátua em homenagem à Santa Maria Troncatti, que foi canonizada em outubro de 2025. Uma exposição sobre a santa permanecerá aberta na Basílica até 30 de outubro.