No último domingo, 22 de fevereiro, após a solene celebração eucarística na Basílica do Sagrado Coração de Jesus, o Papa Leão XIV se reuniu com a comunidade salesiana, na Sede Central, onde encontrou-se com os membros do conselho geral e o Reitor-mor dos Salesianos, padre Fabio Attard.
O Santo Padre foi recebido pelo Reitor-mor, que expressou, em nome de todos os irmãos, a alegria e a gratidão pela visita, definindo-a como “fonte de bênção, coragem, Esperança”.
A construção do templo
Recordando a história da Basílica do Sagrado Coração, o Reitor-mor evocou o encontro de 5 de abril de 1880 do Papa Leão XIII com Dom Bosco, quando o pontífice lhe confiou a construção do templo.
Diante da hesitação do Papa – consciente das dificuldades econômicas para a empreitada – Dom Bosco respondeu com palavras que ficaram gravadas na memória salesiana: “O desejo do Papa é para mim uma ordem”. E à precisão do Pontífice, que não poderia oferecer apoio econômico, Dom Bosco respondeu: “a Vossa Santidade não peço dinheiro: imploro apenas a bênção apostólica e aqueles favores espirituais que possam beneficiar o empreendimento”.
“Esse diálogo é para os Salesianos um paradigma permanente de devoção ao Santo Padre e de plena disponibilidade para a missão da Igreja. Hoje, então, a Congregação renova sua fidelidade “cum Petro et sub Petro”, caminhando com renovada energia pela trilha aberta do Concílio Vaticano II”, destacou o Reitor-mor.
Coirmãos em zonas de guerra e conflito
Com particular emoção, o Reitor-Mor transmitiu ao Papa as saudações dos coirmãos que trabalham em zonas de guerra e conflito. “Estamos unidos a eles, rezamos por eles, assegurando de todas as formas nossa proximidade humana e espiritual”, afirmou, pedindo para todos a bênção do Santo Padre.
“Vocês são um sinal escrito no coração de Jesus”
Papa Leão XIV começou a sua intervenção com as palavras do Evangelho de João (20,30-31), inscritas no ambão da Capela: “Jesus, na presença de seus discípulos, fez muitos outros sinais que não foram escritos neste livro... Estes o foram para que acreditem”.
“Entre tantos sinais que não foram escritos está a vida consagrada. E sinceramente gostaria de dizer a todos: está a comunidade salesiana”, acrescentou o Papa.
Com estas palavras, o Santo Padre reconheceu na Congregação um sinal vivo e atual da presença de Cristo no mundo: um sinal talvez não “escrito” nos livros, mas profundamente gravado no coração de Jesus. Um sinal que continua a manifestar-se através do serviço generoso aos jovens, especialmente em contextos marcados por guerra, pobreza, conflito.
O Papa expressou sua proximidade aos Salesianos que trabalham nas periferias do mundo e lembrou com carinho o seu serviço também em Roma, particularmente na Zona de Termini, onde a comunidade salesiana dá atendimento, percursos educativos e oportunidades de integração para muitos jovens, italianos e estrangeiros.
Uma lembrança pessoal e um clima familiar
O Papa também compartilhou com simplicidade, uma lembrança pessoal: quando jovem, antes de entrar para os Agostinianos, visitou uma comunidade salesiana. “Vocês ficaram em segundo lugar, sinto muito”, disse, sorrindo e provocando hilaridade nos presentes. Mas, com tom afetuoso, acrescentou que, nos primeiros dez meses de pontificado, visitou mais comunidades salesianas do que agostinianas, sinal de uma proximidade sincera, concreta.
Elogiando o carisma de Dom Bosco, destacou a riqueza do serviço educativo-pastoral aos jovens; e encorajou os coirmãos a viver o espírito do Sagrado Coração de Jesus, seguindo o exemplo de Dom Bosco: um espírito de amor ativo, dedicação e alegria. “Caminhemos juntos, unidos na Igreja, unidos no Sagrado Coração de Jesus!”, concluiu o papa.
A bênção e o encontro pessoal
Dada a bênção apostólica final a toda a comunidade, o Papa Leão XIV, com grande atenção e paternidade, saudou um por um dos coirmãos apresentados pelo Reitor-mor, detendo-se a trocar algumas palavras e dar ainda uma sua bênção individual.