O Social à luz da devoção mariana de Dom Bosco

Segunda, 17 Mai 2021 10:38 Escrito por  Pe. Agnaldo Soares Lima, SDB
O Social à luz da devoção mariana de Dom Bosco ANS
Uma verdadeira devoção deve nos levar a ter em Maria um exemplo que nos impulsiona a uma real empatia e solidariedade com os mais pobres e com os que mais sofrem.  

 

Ainda vivendo as alegrias pascais, vamos iniciando a celebração do mês de maio, mês de Maria e de especial importância na vida do Oratório de Dom Bosco. A Mãe Auxiliadora, como invocada por São João Bosco, não era apenas uma devoção mariana, mas sim a presença da Mãe que, com carinho e zelo, conduzia todos os seus passos, a ponto de ele afirmar, com toda segurança, que: “Foi Ela quem tudo fez”.

 

A Auxiliadora dos Cristãos era a figura materna para a qual estimulava que seus meninos do oratório direcionassem, de forma sentida e visível, um grande afeto e devoção. Eles, muitos dos quais não tinham próxima a si a presença e o cuidado das mães que os geraram.

 

O santo de Valdocco recorria, em suas permanentes demandas para prover o necessário sustento exigido pelos seus meninos do Oratório, a essa Mãe Providente. Convidou também os seus religiosos a sempre confiarem a Ela suas necessidades e dificuldades para levarem adiante o trabalho e a manutenção das Obras Salesianas.

 

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Confiança e inspiração

Quem atua no social sabe o quanto é grande a luta para conseguir os meios que servem para alimentar, ofertar estudo, formação, profissionalização, cultura e lazer para milhares de adolescentes e jovens que, cotidianamente, se achegam aos nossos centros salesianos, necessitados de atenção, afeto, orientação e das mais diferentes ofertas educativas, que os preparem para a vida e para um futuro para que sejam menos duros e sofridos que o presente que os envolve.

 

Para todos os seus filhos e filhas, e em especial para os que atuam nas difíceis condições que envolvem os trabalhos sociais, olhar com confiança para a Virgem Mãe Auxiliadora torna-se necessidade, segurança e certeza de que, como o fez para Dom Bosco, Maria terá também para eles, hoje, olhares e cuidados maternos.

 

Sempre na esteira de Dom Bosco, todos os que levam adiante a missão de educadores de crianças, adolescentes e jovens têm, em Maria, a mãe, a mestra e a companheira que, no seu zelo pelo cuidado e a formação do Filho de Deus, pode também inspirar a todos na desafiadora tarefa de tocar os corações dos beneficiários da ação educativa salesiana. Inspirado no exemplo de Maria, o educador que milita no campo social encontra, na vida da Virgem de Nazaré, um grande paralelo com a vida daqueles que, experimentando a exclusão em nossa sociedade, todos os dias acorrem aos inúmeros espaços animados por Salesianos e Filhas de Maria Auxiliadora para buscarem acolhida.

 

O exemplo de Maria hoje

Diante do anúncio do Anjo, Maria experimenta a dúvida sobre o que está por vir, se sente tomada pela insegurança, só tem a Deus para nEle depositar sua confiança e buscar auxílio. Esse é, por certo, o retrato fiel do que experimentam os mais pobres em sua precariedade. Na gruta de Belém, a mãe do Menino Deus, como nos lembra o Papa Francisco na Evangelii Gaudium, tem de “transformar um curral de animais na casa de Jesus, com uns pobres paninhos e uma montanha de ternura” (EG 286). Em barracos de madeira, pequenas casas onde sobram goteiras e faltam móveis, essa é a dura realidade vivida por tantas mães, que hoje se veem desprovidas de condições de oferecer um mínimo de dignidade para cuidar e proteger os seus filhos.

 

Fugitiva para o Egito e buscando conseguir proteção e segurança para o Filho Jesus, Maria se faz presente hoje, na sociedade, como uma entre os milhares de migrantes que deixam suas casas, cidades e até países, para buscar em outros lugares formas de sobreviver à violência e à fome.

 

Vendo-a no calvário, com o Filho morto em seus braços, vítima de ultrajes e humilhação, condenado a uma morte sofrida e injusta, não fica difícil ver em Maria a expressão da dor de tantas outras mulheres. Mães humilhadas e sofredoras que assistem a seus filhos perderem a vida como vítimas da discriminação e do preconceito, de disparos de arma de fogo (as chamadas “balas perdidas”), das disputas do tráfico, da falta de oportunidades nas escolas que os excluem, das consequências de doenças que poderiam ser evitadas com melhores investimentos nos serviços de saúde, e de tantos outros modos.

 

Espiritualidade mariana no serviço aos jovens

É sob essa ótica que a devoção mariana de Dom Bosco e dos seus filhos e filhas, consagrados ou leigos, é vivida como uma atitude permanente de olhar e cuidado para meninos, meninas e suas famílias, que trazem em sua vida dramas próximos aos da família de Nazaré. Com a solicitude daquela que se fez a serva de Deus, a servidora da prima Isabel, somos convidados a viver uma verdadeira espiritualidade mariana do serviço e da entrega generosa.

 

Cabe aqui, neste momento, um convite a todos os que, de forma amiga e comprometida, compartilham o carisma de Dom Bosco e seu imenso amor a Maria. Precisamos cultivar em nossa vivência espiritual uma devoção mariana que nos leve a transcender a visão de Maria como aquela que está junto de Deus e do Filho Jesus e a quem recorremos apresentando nossas dificuldades para alcançar graças. Uma verdadeira devoção deve nos levar a ter em Maria um exemplo que nos impulsiona a uma real empatia e solidariedade com os mais pobres e com os que mais sofrem, para buscarmos formas e caminhos que nos ajudem a levar-lhes conforto, alívio, coragem e, sempre que possível, também o auxílio material de que necessitam.

 

Padre Marcos Sandrini, um maravilhoso exemplo de salesiano do Sul do Brasil, falecido em 2018, nos ajuda a concluir esta reflexão em um trecho de Dom Bosco, um presente de Deus para as juventudes, que reproduzo a seguir: “Na escola de Maria, também a família salesiana aprende a viver a escuta silenciosa e fecunda e a partilha generosa. Dom Bosco aprendeu de Maria a escutar o clamor das novas gerações. Ele caminhou com Maria e Maria caminhou com ele pelas prisões, pelas praças, pelas oficinas, pelos povoados, pelos campos, pelas periferias, pelas igrejas, pelas missões e escutou silenciosamente o grito dos pequenos. E na escuta silenciosa, Dom Bosco foi gestando ações [...] que têm como meta a partilha generosa da vida. A criança e o adolescente não são um trampolim para o adulto crescer na vida. O adulto é a alavanca para uma sociedade que sabe partilhar porque, como Maria, coloca a criança e o adolescente no centro, no colo, ‘exaltando os humildes e destronando os poderosos’ (Lc 1,52)”.

 

Padre Agnaldo Soares Lima, SDB, é assessor da Rede Salesiana Brasil de Ação Social (RSB-Social).

 

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O Social à luz da devoção mariana de Dom Bosco

Segunda, 17 Mai 2021 10:38 Escrito por  Pe. Agnaldo Soares Lima, SDB
O Social à luz da devoção mariana de Dom Bosco ANS
Uma verdadeira devoção deve nos levar a ter em Maria um exemplo que nos impulsiona a uma real empatia e solidariedade com os mais pobres e com os que mais sofrem.  

 

Ainda vivendo as alegrias pascais, vamos iniciando a celebração do mês de maio, mês de Maria e de especial importância na vida do Oratório de Dom Bosco. A Mãe Auxiliadora, como invocada por São João Bosco, não era apenas uma devoção mariana, mas sim a presença da Mãe que, com carinho e zelo, conduzia todos os seus passos, a ponto de ele afirmar, com toda segurança, que: “Foi Ela quem tudo fez”.

 

A Auxiliadora dos Cristãos era a figura materna para a qual estimulava que seus meninos do oratório direcionassem, de forma sentida e visível, um grande afeto e devoção. Eles, muitos dos quais não tinham próxima a si a presença e o cuidado das mães que os geraram.

 

O santo de Valdocco recorria, em suas permanentes demandas para prover o necessário sustento exigido pelos seus meninos do Oratório, a essa Mãe Providente. Convidou também os seus religiosos a sempre confiarem a Ela suas necessidades e dificuldades para levarem adiante o trabalho e a manutenção das Obras Salesianas.

 

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Para todos os seus filhos e filhas, e em especial para os que atuam nas difíceis condições que envolvem os trabalhos sociais, olhar com confiança para a Virgem Mãe Auxiliadora torna-se necessidade, segurança e certeza de que, como o fez para Dom Bosco, Maria terá também para eles, hoje, olhares e cuidados maternos.

 

Sempre na esteira de Dom Bosco, todos os que levam adiante a missão de educadores de crianças, adolescentes e jovens têm, em Maria, a mãe, a mestra e a companheira que, no seu zelo pelo cuidado e a formação do Filho de Deus, pode também inspirar a todos na desafiadora tarefa de tocar os corações dos beneficiários da ação educativa salesiana. Inspirado no exemplo de Maria, o educador que milita no campo social encontra, na vida da Virgem de Nazaré, um grande paralelo com a vida daqueles que, experimentando a exclusão em nossa sociedade, todos os dias acorrem aos inúmeros espaços animados por Salesianos e Filhas de Maria Auxiliadora para buscarem acolhida.

 

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Diante do anúncio do Anjo, Maria experimenta a dúvida sobre o que está por vir, se sente tomada pela insegurança, só tem a Deus para nEle depositar sua confiança e buscar auxílio. Esse é, por certo, o retrato fiel do que experimentam os mais pobres em sua precariedade. Na gruta de Belém, a mãe do Menino Deus, como nos lembra o Papa Francisco na Evangelii Gaudium, tem de “transformar um curral de animais na casa de Jesus, com uns pobres paninhos e uma montanha de ternura” (EG 286). Em barracos de madeira, pequenas casas onde sobram goteiras e faltam móveis, essa é a dura realidade vivida por tantas mães, que hoje se veem desprovidas de condições de oferecer um mínimo de dignidade para cuidar e proteger os seus filhos.

 

Fugitiva para o Egito e buscando conseguir proteção e segurança para o Filho Jesus, Maria se faz presente hoje, na sociedade, como uma entre os milhares de migrantes que deixam suas casas, cidades e até países, para buscar em outros lugares formas de sobreviver à violência e à fome.

 

Vendo-a no calvário, com o Filho morto em seus braços, vítima de ultrajes e humilhação, condenado a uma morte sofrida e injusta, não fica difícil ver em Maria a expressão da dor de tantas outras mulheres. Mães humilhadas e sofredoras que assistem a seus filhos perderem a vida como vítimas da discriminação e do preconceito, de disparos de arma de fogo (as chamadas “balas perdidas”), das disputas do tráfico, da falta de oportunidades nas escolas que os excluem, das consequências de doenças que poderiam ser evitadas com melhores investimentos nos serviços de saúde, e de tantos outros modos.

 

Espiritualidade mariana no serviço aos jovens

É sob essa ótica que a devoção mariana de Dom Bosco e dos seus filhos e filhas, consagrados ou leigos, é vivida como uma atitude permanente de olhar e cuidado para meninos, meninas e suas famílias, que trazem em sua vida dramas próximos aos da família de Nazaré. Com a solicitude daquela que se fez a serva de Deus, a servidora da prima Isabel, somos convidados a viver uma verdadeira espiritualidade mariana do serviço e da entrega generosa.

 

Cabe aqui, neste momento, um convite a todos os que, de forma amiga e comprometida, compartilham o carisma de Dom Bosco e seu imenso amor a Maria. Precisamos cultivar em nossa vivência espiritual uma devoção mariana que nos leve a transcender a visão de Maria como aquela que está junto de Deus e do Filho Jesus e a quem recorremos apresentando nossas dificuldades para alcançar graças. Uma verdadeira devoção deve nos levar a ter em Maria um exemplo que nos impulsiona a uma real empatia e solidariedade com os mais pobres e com os que mais sofrem, para buscarmos formas e caminhos que nos ajudem a levar-lhes conforto, alívio, coragem e, sempre que possível, também o auxílio material de que necessitam.

 

Padre Marcos Sandrini, um maravilhoso exemplo de salesiano do Sul do Brasil, falecido em 2018, nos ajuda a concluir esta reflexão em um trecho de Dom Bosco, um presente de Deus para as juventudes, que reproduzo a seguir: “Na escola de Maria, também a família salesiana aprende a viver a escuta silenciosa e fecunda e a partilha generosa. Dom Bosco aprendeu de Maria a escutar o clamor das novas gerações. Ele caminhou com Maria e Maria caminhou com ele pelas prisões, pelas praças, pelas oficinas, pelos povoados, pelos campos, pelas periferias, pelas igrejas, pelas missões e escutou silenciosamente o grito dos pequenos. E na escuta silenciosa, Dom Bosco foi gestando ações [...] que têm como meta a partilha generosa da vida. A criança e o adolescente não são um trampolim para o adulto crescer na vida. O adulto é a alavanca para uma sociedade que sabe partilhar porque, como Maria, coloca a criança e o adolescente no centro, no colo, ‘exaltando os humildes e destronando os poderosos’ (Lc 1,52)”.

 

Padre Agnaldo Soares Lima, SDB, é assessor da Rede Salesiana Brasil de Ação Social (RSB-Social).

 

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