Dom Lustosa: penitente dos pobres

Wednesday, 05 February 2020 12:33 Written by  Sérgio Lúcio Alho da Costa*, SDB
Leia o artigo do padre Sérgio Lúcio Alho da Costa, SDB, sobre Dom Antônio de Almeida Lustosa.


Certa vez, o cardeal dom Eugênio Sales, arcebispo do Rio de Janeiro, se referindo à pessoa de Dom Antônio de Almeida Lustosa, assim afirmou: “A fisionomia de dom Lustosa era evidentemente de forte tonalidade ascética e impressionava vivamente quem a ele se aproximava”.

 

Com certeza, a ascese, a mortificação de si, como virtude cristã, era notória na pessoa do Servo de Deus Dom Antônio de Almeida Lustosa. Porém, essa ascese era feita com um objetivo claro e verdadeiro: morrer para si, para dar de si para os pobres, sobretudo, os flagelados pelas severas secas do Ceará. Por 22 anos, Dom Lustosa esteve à frente da Igreja de Fortaleza e nesses anos, por inúmeras vezes, foi visto mendigando pelos pobres e flagelados. Até mesmo em suas viagens ao Sudeste brasileiro, foi visto, humildemente pedindo recursos para os pobres de sua Arquidiocese.

 

Logo que tomou posse como arcebispo de Fortaleza, uma das primeiras campanhas que fez foi de mobilizar toda a comunidade católica para arrecadar recursos para melhorar as condições degradantes que viviam os hansenianos, quase que abandonados nos leprosários do estado.

 

Em outra campanha, em Fortaleza, de arrecadação de roupas e calçados para os pobres, foi visto, ajoelhado, experimentando os sapatos nos pés dos pobres, que sentados, o rodeavam e com ele conversavam agradecidos. Era comum escutar os pobres o chamando de ‘pai’ e ‘amigo’.

 

Ascético para si, para doar-se mais para Cristo presente nos pobres. Entendeu seu ministério episcopal não como privilégio ou status, mas sim como um verdadeiro serviço de ‘lava pés’ ao seu povo, sobretudo, o mais pobre e excluído. Com os lucros das muitas obras que escreveu, apoiou muitos dos seus seminaristas mais pobres e sustentou o serviço da caridade de muitas iniciativas de seu ministério apostólico em Fortaleza.

 

O apóstolo São Paulo vai nos dizer em 1 Coríntios 9, 27: “Subjugo o meu corpo para discipliná-lo na servidão”. Esse é o verdadeiro sentido da ascese cristã, que tão bem entendeu e praticou Dom Lustosa. Não a falsa ascese, que machuca o corpo como fim em si mesmo, como uma espécie de masoquismo, ou para gerar uma pseudo santidade, onde o asceta se orgulha de si mesmo por conseguir privar-se ou sofrer, mas sim a verdadeira ascese cristã, que é o disciplinar-se a si mesmo para melhor servir e doar-se, com alegria, para os outros, por amor de Cristo. Deus sempre ama aquele que doa com alegria (cf. 2 Cor 9,7).

 

Que o penintente do amor aos pobres, Servo de Deus, Dom Lustosa interceda de Nosso Senhor as graças para imitarmos seu exemplo de total entrega oblativa, na caridade pastoral.

 

Fonte: Sérgio Lúcio Alho da Costa*, SDB

 

*Promotor e Colaborador no Brasil da Causa da Beatificação de Dom Antônio de Almeida Lustosa

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Last modified on Wednesday, 05 February 2020 12:43

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Dom Lustosa: penitente dos pobres

Wednesday, 05 February 2020 12:33 Written by  Sérgio Lúcio Alho da Costa*, SDB
Leia o artigo do padre Sérgio Lúcio Alho da Costa, SDB, sobre Dom Antônio de Almeida Lustosa.


Certa vez, o cardeal dom Eugênio Sales, arcebispo do Rio de Janeiro, se referindo à pessoa de Dom Antônio de Almeida Lustosa, assim afirmou: “A fisionomia de dom Lustosa era evidentemente de forte tonalidade ascética e impressionava vivamente quem a ele se aproximava”.

 

Com certeza, a ascese, a mortificação de si, como virtude cristã, era notória na pessoa do Servo de Deus Dom Antônio de Almeida Lustosa. Porém, essa ascese era feita com um objetivo claro e verdadeiro: morrer para si, para dar de si para os pobres, sobretudo, os flagelados pelas severas secas do Ceará. Por 22 anos, Dom Lustosa esteve à frente da Igreja de Fortaleza e nesses anos, por inúmeras vezes, foi visto mendigando pelos pobres e flagelados. Até mesmo em suas viagens ao Sudeste brasileiro, foi visto, humildemente pedindo recursos para os pobres de sua Arquidiocese.

 

Logo que tomou posse como arcebispo de Fortaleza, uma das primeiras campanhas que fez foi de mobilizar toda a comunidade católica para arrecadar recursos para melhorar as condições degradantes que viviam os hansenianos, quase que abandonados nos leprosários do estado.

 

Em outra campanha, em Fortaleza, de arrecadação de roupas e calçados para os pobres, foi visto, ajoelhado, experimentando os sapatos nos pés dos pobres, que sentados, o rodeavam e com ele conversavam agradecidos. Era comum escutar os pobres o chamando de ‘pai’ e ‘amigo’.

 

Ascético para si, para doar-se mais para Cristo presente nos pobres. Entendeu seu ministério episcopal não como privilégio ou status, mas sim como um verdadeiro serviço de ‘lava pés’ ao seu povo, sobretudo, o mais pobre e excluído. Com os lucros das muitas obras que escreveu, apoiou muitos dos seus seminaristas mais pobres e sustentou o serviço da caridade de muitas iniciativas de seu ministério apostólico em Fortaleza.

 

O apóstolo São Paulo vai nos dizer em 1 Coríntios 9, 27: “Subjugo o meu corpo para discipliná-lo na servidão”. Esse é o verdadeiro sentido da ascese cristã, que tão bem entendeu e praticou Dom Lustosa. Não a falsa ascese, que machuca o corpo como fim em si mesmo, como uma espécie de masoquismo, ou para gerar uma pseudo santidade, onde o asceta se orgulha de si mesmo por conseguir privar-se ou sofrer, mas sim a verdadeira ascese cristã, que é o disciplinar-se a si mesmo para melhor servir e doar-se, com alegria, para os outros, por amor de Cristo. Deus sempre ama aquele que doa com alegria (cf. 2 Cor 9,7).

 

Que o penintente do amor aos pobres, Servo de Deus, Dom Lustosa interceda de Nosso Senhor as graças para imitarmos seu exemplo de total entrega oblativa, na caridade pastoral.

 

Fonte: Sérgio Lúcio Alho da Costa*, SDB

 

*Promotor e Colaborador no Brasil da Causa da Beatificação de Dom Antônio de Almeida Lustosa

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