O sonho missionário continua

Segunda, 04 Novembro 2019 17:44 Escrito por  Pe. Ángel Fernández Artime
Vi coisas que pareciam impossíveis: homens e mulheres oferecendo cotidianamente a vida em florestas e desertos terríveis ou em periferias diariamente dilaceradas pela violência. Anunciando Jesus com o Evangelho simples e silencioso na vida cotidiana.  

O sonho missionário do título, amigos do carisma salesiano, é o grande sonho missionário de Dom Bosco. Já nos anos iniciais da pequena e frágil Sociedade de São Francisco de Sales (Salesianos), ele enviou os primeiros missionários para a Argentina (1875) para que se ocupassem dos milhares de imigrantes italianos que ali tinham chegado, mas com o profundo desejo de que, o mais depressa possível, fossem evangelizar as populações indígenas da Patagônia.

 

Em um dos seus maiores e proféticos sonhos missionários, Dom Bosco sobrevoa o mundo juntamente com alguns dos seus jovens, guiado por uma pastorinha. Os jovens leem os cartazes das cidades que desfilam por de baixo deles: Valparaíso, Santiago, depois montanhas, colinas e mares e “Pequim!”, gritam todos ao mesmo tempo.

 

“Bem”, diz a Pastorinha, “agora traça uma linha única de uma extremidade à outra, de Santiago a Pequim, marca um centro no meio da África e terás uma ideia exata daquilo que os Salesianos devem fazer”. “Mas como posso fazer tudo isto?”, questiona Dom Bosco, “As distâncias são imensas, os lugares difíceis e os Salesianos, poucos”. “Não te preocupes. Farão isto os teus filhos, os filhos dos teus filhos e os filhos deles”.

 

Pois bem, aqueles filhos somos nós e aquele sonho missionário continua vivo, muito vivo. E nós estamos dentro do sonho.

 

Dom Bosco, se estivesse fisicamente presente no meio de nós, sentir-se-ia muito feliz, e nos mostraria isso com o seu longo e inesquecível sorriso, vendo como as suas duas grandes congregações – os Salesianos de Dom Bosco e as Filhas de Maria Auxiliadora – continuam a ser missionárias e partem para os horizontes que ele tinha sonhado com levas sucessivas para os países mais distantes. Muitas vezes, até atingir este ano a expedição de número 150.

 

Dez mil missionários

No dia 29 de setembro passado, na Basílica de Maria Auxiliadora, em Turim, Itália, 36 Salesianos de Dom Bosco e 12 Filhas de Maria Auxiliadora, no decorrer de uma comovente Eucaristia, receberam o crucifixo, como distintivo de “enviados” para quatro continentes.

 

Na homilia partilhei com todos uma informação que não é apenas curiosa, mas que tem um grandíssimo valor carismático e de identidade salesiana. Informei que no Dicastério das Missões temos um livro em que estão registados todos os nomes dos missionários que partiram nas 150 expedições, e o primeiro nome é o de João Cagliero. O número total de salesianos até agora registados naquele livro é de 9.542 missionários, desde 1875. Mas sabemos que um milhar de outros foram enviados noutras circunstâncias, sem terem recebido oficialmente a cruz missionária em Valdocco. Não conheço o número das nossas irmãs missionárias Filhas de Maria Auxiliadora, mas são certamente vários milhares.

 

Poderá então haver a menor dúvida sobre o carisma missionário das duas Congregações fundadas por Dom Bosco? Certamente que não. Nascemos como religiosos e religiosas para os jovens, para os rapazes e as moças do mundo inteiro, especialmente para os mais pobres e necessitados dentre eles, mas também para ser evangelizadores e missionários onde há mais necessidade de nós.

 

Sabem-no bem os irmãos e as irmãs que receberam a cruz em Valdocco no mês passado, como missionários de Jesus onde houver necessidade deles. E esta certeza traz-me ao coração tantos rostos e tantos nomes de irmãs e irmãos missionários que encontrei em todo o mundo nestes quase seis anos. Sempre no meio dos mais pobres e humildes dos cinco continentes.

 

Vi coisas que pareciam impossíveis: homens e mulheres oferecendo cotidianamente a vida em florestas e desertos terríveis ou em periferias diariamente dilaceradas pela violência. Anunciando Jesus com a palavra e muitas vezes sem a palavra, porque não podem anunciá-l’O, mas com um testemunho exemplar, com o Evangelho simples e silencioso vivido na vida cotidiana.

 

Encontrei irmãs e irmãos que, por motivos de fé, estiveram em várias prisões por mais de trinta ou quarenta anos. Encontrei irmãos que foram mártires da fé numa morte insensata e injusta, como os dois últimos mártires missionários salesianos espanhóis (padre César António Fernández e padre Fernando Hernández, ambos mortos em Burkina Faso).

 

Hoje, os nossos irmãos e irmãs continuam a ser missionários em toda a América, na Amazônia e em toda a cordilheira montanhosa dos Andes; missionários na África. Missionários na Mongólia, no Leste Europeu, no Nepal e em tantos lugares da Ásia, em quase toda a Oceania… e continuamos a receber pedidos de todas as partes do mundo para ter a presença dos filhos e das filhas de Dom Bosco.

 

Graças a vocês pelo afeto, pela simpatia e também pela sua generosidade quando há necessidade de alguma coisa para os mais pobres. Juntos podemos ajudar muitos mais e alargar muito o âmbito da nossa caridade.

Que o bom Deus abençoe a todos.

 

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Última modificação em Quinta, 14 Novembro 2019 13:42

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O sonho missionário continua

Segunda, 04 Novembro 2019 17:44 Escrito por  Pe. Ángel Fernández Artime
Vi coisas que pareciam impossíveis: homens e mulheres oferecendo cotidianamente a vida em florestas e desertos terríveis ou em periferias diariamente dilaceradas pela violência. Anunciando Jesus com o Evangelho simples e silencioso na vida cotidiana.  

O sonho missionário do título, amigos do carisma salesiano, é o grande sonho missionário de Dom Bosco. Já nos anos iniciais da pequena e frágil Sociedade de São Francisco de Sales (Salesianos), ele enviou os primeiros missionários para a Argentina (1875) para que se ocupassem dos milhares de imigrantes italianos que ali tinham chegado, mas com o profundo desejo de que, o mais depressa possível, fossem evangelizar as populações indígenas da Patagônia.

 

Em um dos seus maiores e proféticos sonhos missionários, Dom Bosco sobrevoa o mundo juntamente com alguns dos seus jovens, guiado por uma pastorinha. Os jovens leem os cartazes das cidades que desfilam por de baixo deles: Valparaíso, Santiago, depois montanhas, colinas e mares e “Pequim!”, gritam todos ao mesmo tempo.

 

“Bem”, diz a Pastorinha, “agora traça uma linha única de uma extremidade à outra, de Santiago a Pequim, marca um centro no meio da África e terás uma ideia exata daquilo que os Salesianos devem fazer”. “Mas como posso fazer tudo isto?”, questiona Dom Bosco, “As distâncias são imensas, os lugares difíceis e os Salesianos, poucos”. “Não te preocupes. Farão isto os teus filhos, os filhos dos teus filhos e os filhos deles”.

 

Pois bem, aqueles filhos somos nós e aquele sonho missionário continua vivo, muito vivo. E nós estamos dentro do sonho.

 

Dom Bosco, se estivesse fisicamente presente no meio de nós, sentir-se-ia muito feliz, e nos mostraria isso com o seu longo e inesquecível sorriso, vendo como as suas duas grandes congregações – os Salesianos de Dom Bosco e as Filhas de Maria Auxiliadora – continuam a ser missionárias e partem para os horizontes que ele tinha sonhado com levas sucessivas para os países mais distantes. Muitas vezes, até atingir este ano a expedição de número 150.

 

Dez mil missionários

No dia 29 de setembro passado, na Basílica de Maria Auxiliadora, em Turim, Itália, 36 Salesianos de Dom Bosco e 12 Filhas de Maria Auxiliadora, no decorrer de uma comovente Eucaristia, receberam o crucifixo, como distintivo de “enviados” para quatro continentes.

 

Na homilia partilhei com todos uma informação que não é apenas curiosa, mas que tem um grandíssimo valor carismático e de identidade salesiana. Informei que no Dicastério das Missões temos um livro em que estão registados todos os nomes dos missionários que partiram nas 150 expedições, e o primeiro nome é o de João Cagliero. O número total de salesianos até agora registados naquele livro é de 9.542 missionários, desde 1875. Mas sabemos que um milhar de outros foram enviados noutras circunstâncias, sem terem recebido oficialmente a cruz missionária em Valdocco. Não conheço o número das nossas irmãs missionárias Filhas de Maria Auxiliadora, mas são certamente vários milhares.

 

Poderá então haver a menor dúvida sobre o carisma missionário das duas Congregações fundadas por Dom Bosco? Certamente que não. Nascemos como religiosos e religiosas para os jovens, para os rapazes e as moças do mundo inteiro, especialmente para os mais pobres e necessitados dentre eles, mas também para ser evangelizadores e missionários onde há mais necessidade de nós.

 

Sabem-no bem os irmãos e as irmãs que receberam a cruz em Valdocco no mês passado, como missionários de Jesus onde houver necessidade deles. E esta certeza traz-me ao coração tantos rostos e tantos nomes de irmãs e irmãos missionários que encontrei em todo o mundo nestes quase seis anos. Sempre no meio dos mais pobres e humildes dos cinco continentes.

 

Vi coisas que pareciam impossíveis: homens e mulheres oferecendo cotidianamente a vida em florestas e desertos terríveis ou em periferias diariamente dilaceradas pela violência. Anunciando Jesus com a palavra e muitas vezes sem a palavra, porque não podem anunciá-l’O, mas com um testemunho exemplar, com o Evangelho simples e silencioso vivido na vida cotidiana.

 

Encontrei irmãs e irmãos que, por motivos de fé, estiveram em várias prisões por mais de trinta ou quarenta anos. Encontrei irmãos que foram mártires da fé numa morte insensata e injusta, como os dois últimos mártires missionários salesianos espanhóis (padre César António Fernández e padre Fernando Hernández, ambos mortos em Burkina Faso).

 

Hoje, os nossos irmãos e irmãs continuam a ser missionários em toda a América, na Amazônia e em toda a cordilheira montanhosa dos Andes; missionários na África. Missionários na Mongólia, no Leste Europeu, no Nepal e em tantos lugares da Ásia, em quase toda a Oceania… e continuamos a receber pedidos de todas as partes do mundo para ter a presença dos filhos e das filhas de Dom Bosco.

 

Graças a vocês pelo afeto, pela simpatia e também pela sua generosidade quando há necessidade de alguma coisa para os mais pobres. Juntos podemos ajudar muitos mais e alargar muito o âmbito da nossa caridade.

Que o bom Deus abençoe a todos.

 

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