Comunicar a partir da centralidade de Cristo

Wednesday, 25 September 2019 14:47 Written by  Ir. Márcia Koffermann, FMA
“Eu sou o caminho, a verdade e a vida” Jo 14,6. Com estas palavras, o evangelista João expressa a missão e a identidade de Jesus: não há melhor definição para dizer o que significa ser cristão do que reconhecer em Cristo a centralidade de ser, agir e pensar.  

Em um contexto em que tudo é relativo, em que cada um se vê no direito de viver a sua verdade, Cristo aparece como o caminho do Pai, a verdade que liberta e a vida que pulsa. Ele não é só mais um profeta que diz algumas ideias sobre Deus, Ele é o próprio Deus encarnado que liberta o homem de seus “pré-conceitos” sobre Deus.

 

Pelo mistério da encarnação, Jesus mostra o desígnio de Deus para o ser humano, o desejo profundo de comunhão e comunicação entre a humanidade e o Criador. Conforme o Papa Bento XVI: “No grande desígnio da criação e da história, Jesus Cristo eleva-se como centro de todo o caminho do mundo, eixo principal de tudo, que atrai a si toda a realidade, para superar a dispersão e o limite, e reconduzir tudo à plenitude desejada por Deus” (BENTO XVI. Audiência Geral, em 5 de dezembro de 2012).

 

Comunicar a fé

Para o cristão, não é possível relativizar tudo conforme seu próprio interesse, ou modo de pensar, porque há um eixo principal que norteia a vida, as escolhas, o olhar e o agir. Cristo é a referência fundamental, nele Deus manifesta todo o seu amor pela humanidade e revela seu projeto de fraternidade e filiação divina. Cristo é a imagem e a semelhança plena com Deus, portanto, uma referência que não pode ser menosprezada.

 

Se, na atual sociedade, o homem tende a fechar-se sobre si mesmo, vazio e escravo de suas próprias paixões, o amor de Cristo, ao contrário, o liberta. E a liberdade de Cristo não é momentânea e estéril, mas geradora de vida e alegria permanentes, mesmo diante das maiores dificuldades. Infelizmente, muitas vezes, a evangelização começa pela transmissão da moral, dos costumes e das tradições, e acaba por deixar o encontro com Cristo um tanto ofuscado.

 

Comunicar a fé não pode ser a transmissão de um sistema de crenças, um conjunto de doutrinas que falam de ideias intelectuais ou normas morais. Comunicar a fé, antes de tudo, é vida, encontro, relação filial e fraternal; é vivência do amor que vem de Deus e que, quando acolhido, se transforma em amor para com os irmãos. Assim, o encontro com Cristo é sempre um caminho que leva à conversão, à sua imitação, pois Ele é Caminho, Verdade e Vida.

 

A Verdade de Cristo

A história do cristianismo é repleta de santos e mártires. Pessoas que, depois de um encontro profundo com Cristo, passaram a viver a radicalidade da vida cristã, doando todo o seu ser, seu tempo e sua vida ao anúncio do Evangelho e à prática da caridade.

 

A grande maioria dessas pessoas teve que viver na contramão da história. Muitos não foram compreendidos por seus contemporâneos porque, embora o cristianismo tenha que passar sempre por um processo de inculturação, jamais pode abrir mão do seu fundamento. O seguimento de Cristo não pode ser relativizado, o amor a Deus e ao próximo é a regra de ouro, a verdade que conduz o caminho do cristão em qualquer circunstância de vida. E isso não muda.

 

Assim, mesmo que hoje a ideia de verdade seja questionada e relativizada, para o cristão a Verdade de Cristo não é negociável, pois é fonte de liberdade, e sua busca é que preenche o vazio do coração humano. Se o individualismo e o relativismo fecham o ser humano em uma escravidão alienante, se o levam a uma falta de sentido e desencantamento diante da vida, a verdade cristã faz o caminho inverso: leva à liberdade, à autonomia, à abertura diante de Deus e dos irmãos. Portanto, ao ser fonte de relação, comunhão e comunicação, é geradora de alegria e felicidade.

 

Uma constante conversão

O seguimento de Cristo exige também uma constante conversão, uma mudança interior que acontece cotidianamente, fazendo da fé algo sempre novo e que, diante de cada realidade, se reinventa, trazendo à luz a esperança do Ressuscitado.

 

A fé que atua pelo amor é capaz de transformar qualquer coração e qualquer realidade, desde que a pessoa se permita ir ao encontro de Cristo. Deus é amor, o amor transforma e esta é a Verdade que está acima de qualquer doutrina e que só tem sentido porque é fruto e resultado da vivência do amor. A novidade do Evangelho não é algo do passado, visto que ela continua viva, e Jesus continua a ser um centro de vida e de amor que atrai o coração de pessoas das mais diversas culturas e realidades. A vida transformada pelo encontro com Cristo encontra a plena alegria quando leva também o outro a viver essa experiência de amor profundo que passa a ser o centro vital capaz de orientar as vivências pessoal e comunitária.

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Comunicar a partir da centralidade de Cristo

Wednesday, 25 September 2019 14:47 Written by  Ir. Márcia Koffermann, FMA
“Eu sou o caminho, a verdade e a vida” Jo 14,6. Com estas palavras, o evangelista João expressa a missão e a identidade de Jesus: não há melhor definição para dizer o que significa ser cristão do que reconhecer em Cristo a centralidade de ser, agir e pensar.  

Em um contexto em que tudo é relativo, em que cada um se vê no direito de viver a sua verdade, Cristo aparece como o caminho do Pai, a verdade que liberta e a vida que pulsa. Ele não é só mais um profeta que diz algumas ideias sobre Deus, Ele é o próprio Deus encarnado que liberta o homem de seus “pré-conceitos” sobre Deus.

 

Pelo mistério da encarnação, Jesus mostra o desígnio de Deus para o ser humano, o desejo profundo de comunhão e comunicação entre a humanidade e o Criador. Conforme o Papa Bento XVI: “No grande desígnio da criação e da história, Jesus Cristo eleva-se como centro de todo o caminho do mundo, eixo principal de tudo, que atrai a si toda a realidade, para superar a dispersão e o limite, e reconduzir tudo à plenitude desejada por Deus” (BENTO XVI. Audiência Geral, em 5 de dezembro de 2012).

 

Comunicar a fé

Para o cristão, não é possível relativizar tudo conforme seu próprio interesse, ou modo de pensar, porque há um eixo principal que norteia a vida, as escolhas, o olhar e o agir. Cristo é a referência fundamental, nele Deus manifesta todo o seu amor pela humanidade e revela seu projeto de fraternidade e filiação divina. Cristo é a imagem e a semelhança plena com Deus, portanto, uma referência que não pode ser menosprezada.

 

Se, na atual sociedade, o homem tende a fechar-se sobre si mesmo, vazio e escravo de suas próprias paixões, o amor de Cristo, ao contrário, o liberta. E a liberdade de Cristo não é momentânea e estéril, mas geradora de vida e alegria permanentes, mesmo diante das maiores dificuldades. Infelizmente, muitas vezes, a evangelização começa pela transmissão da moral, dos costumes e das tradições, e acaba por deixar o encontro com Cristo um tanto ofuscado.

 

Comunicar a fé não pode ser a transmissão de um sistema de crenças, um conjunto de doutrinas que falam de ideias intelectuais ou normas morais. Comunicar a fé, antes de tudo, é vida, encontro, relação filial e fraternal; é vivência do amor que vem de Deus e que, quando acolhido, se transforma em amor para com os irmãos. Assim, o encontro com Cristo é sempre um caminho que leva à conversão, à sua imitação, pois Ele é Caminho, Verdade e Vida.

 

A Verdade de Cristo

A história do cristianismo é repleta de santos e mártires. Pessoas que, depois de um encontro profundo com Cristo, passaram a viver a radicalidade da vida cristã, doando todo o seu ser, seu tempo e sua vida ao anúncio do Evangelho e à prática da caridade.

 

A grande maioria dessas pessoas teve que viver na contramão da história. Muitos não foram compreendidos por seus contemporâneos porque, embora o cristianismo tenha que passar sempre por um processo de inculturação, jamais pode abrir mão do seu fundamento. O seguimento de Cristo não pode ser relativizado, o amor a Deus e ao próximo é a regra de ouro, a verdade que conduz o caminho do cristão em qualquer circunstância de vida. E isso não muda.

 

Assim, mesmo que hoje a ideia de verdade seja questionada e relativizada, para o cristão a Verdade de Cristo não é negociável, pois é fonte de liberdade, e sua busca é que preenche o vazio do coração humano. Se o individualismo e o relativismo fecham o ser humano em uma escravidão alienante, se o levam a uma falta de sentido e desencantamento diante da vida, a verdade cristã faz o caminho inverso: leva à liberdade, à autonomia, à abertura diante de Deus e dos irmãos. Portanto, ao ser fonte de relação, comunhão e comunicação, é geradora de alegria e felicidade.

 

Uma constante conversão

O seguimento de Cristo exige também uma constante conversão, uma mudança interior que acontece cotidianamente, fazendo da fé algo sempre novo e que, diante de cada realidade, se reinventa, trazendo à luz a esperança do Ressuscitado.

 

A fé que atua pelo amor é capaz de transformar qualquer coração e qualquer realidade, desde que a pessoa se permita ir ao encontro de Cristo. Deus é amor, o amor transforma e esta é a Verdade que está acima de qualquer doutrina e que só tem sentido porque é fruto e resultado da vivência do amor. A novidade do Evangelho não é algo do passado, visto que ela continua viva, e Jesus continua a ser um centro de vida e de amor que atrai o coração de pessoas das mais diversas culturas e realidades. A vida transformada pelo encontro com Cristo encontra a plena alegria quando leva também o outro a viver essa experiência de amor profundo que passa a ser o centro vital capaz de orientar as vivências pessoal e comunitária.

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