A notícia gerou alegria na Congregação das Salesianas Oblatas do Sagrado Coração e na Associação de Leigos (ligados às Salesianas Oblatas), na Família Salesiana, na Diocese de Tívoli e Palestrina — responsável pelo processo — e na Arquidiocese de Reggio Calabria-Bova, onde Dom Cognata exerceu seu Ministério episcopal.
A Positio teve como relator o monsenhor Maurizio Tagliaferri; como postulador o padre Pierluigi Cameroni, SDB, e como colaboradora a doutora Cristiana Marinelli.
Elementos da Positio
Os elementos estruturais da Positio — que apresenta de forma articulada e aprofundada todo o aparato probatório documental e testemunhal, relativo à vida virtuosa do SdeD — são: uma pequena síntese por parte do relator; a introdução geral; a Informatio super virtutibus, ou seja, a parte teológica na qual se demonstra a vida virtuosa do SdeD; os dois Summaria com as provas testemunhais e documentais; a Biographia ex Documentis; as sessões finais e o aparato iconográfico. Em anexo aos dois volumes da Positio, consta ainda a instância para a revisão do processo contra o Servo de Deus, elaborada por um grupo de juristas católicos conduzidos pelo doutor Giuseppe Viola.
Biographia ex Documentis
A Biographia ex Documentis oferece uma reconstituição biográfica da trajetória do SdeD com rigor histórico, crítico e documental. O texto divide-se em oito capítulos: Capítulo I – Contexto histórico, geográfico, político e eclesial; Capítulo II – O nascimento e os anos da juventude (1885-1909); Capítulo III – Os primeiros encargos do ministério sacerdotal (1909-1933); Capítulo IV – O ministério episcopal do SdeD, em Bova (1933-1939); Capítulo V – Os eventos de Casal Bruciato (1936-1939); Capítulo VI – O início do longo calvário do SdeD (1940-1949); Capítulo VII – A caminho da reabilitação (1949-1961); e Capítulo VIII – Os últimos dez anos de vida do Servo de Deus (1962-1972).
Após a entrega, a positio passará pela análise dos consultores teólogos do Dicastério para as Causas dos Santos e, em seguida, pelos cardeais e bispos. Concluídas com êxito essas rigorosas etapas de estudo e avaliação, o Papa poderá declarar dom José Cognata “Venerável Servo de Deus”. Em seguida, a comprovação de um milagre atribuído à sua intercessão abrirá o caminho para a beatificação.
José Cognata
O Servo de Deus José Cognata nasceu em Agrigento, Sicília, Itália, em 14 de outubro de 1885. Seu pai, o advogado Vitale Cognata, integrava a Loja Maçônica da região, assim como o avô paterno, médico e senador do Reino.
Desde a infância, José demonstrou notável riqueza moral e humana, cultivada pela educação cristã transmitida sobretudo por sua mãe, Rosa Montana, mulher devota, inteligente, de temperamento firme e vivaz.
Aos 12 anos, ingressou no Colégio Salesiano de Randazzo (Catânia) e, em 5 de maio de 1908, professou os votos perpétuos entre os Filhos de Dom Bosco.
Ordenado de sacerdote em Acireale, no dia 29 de agosto de 1909, desenvolveu sua missão educativa na Sicília, no Vêneto, nas Marcas, na Úmbria, e em Roma. Nomeado bispo de Bova em 1933, deu início, em 8 de dezembro do mesmo ano, à Congregação das Salesianas Oblatas do Sagrado Coração.
Em 1939, fruto de falsas acusações, acabou condenado pela Congregação do Santo Ofício, destituído da dignidade episcopal e afastado do Instituto que fundara. Aceitou com humilde resignação retornar à condição de simples sacerdote salesiano, sem cargos nem honrarias, recolhendo-se ao silêncio e à solidão das casas salesianas de Trento, Rovereto e Castello di Godego.
Foi reintegrado em 1962 pelo Papa São João XXIII e, em 1963, o Papa São Paulo VI o nomeou bispo Titular de Fársalo. Nessa condição, participou do Concílio Vaticano II.
Faleceu em 22 de julho de 1972 em Pellaro (Reggio Calabria), local de início da ação missionária das Salesianas Oblatas. Seus restos mortais repousam na Casa Geral das Irmãs Oblatas, em Tívoli.
À luz da misericórdia e do mistério do Coração de Cristo, Dom Cognata é testemunha singular do poder do perdão e da reconciliação. Jamais temeu perdoar aos que o acusaram, caluniaram ou condenaram.
Ao trilhar seu próprio Calvário, manteve o olhar fixo em Cristo Crucificado, oferecendo – a Seu exemplo – consolação e perdão.
Como registrou o próprio bispo numa memória de 1949: “não cesso de agradecer a Deus pela concessão de uma paz interior jamais experimentada de forma tão ampla e profunda e pela tranquilidade de uma vida isenta de responsabilidades especiais, na qual posso cuidar bem das minhas necessidades espirituais e do grande desígnio da minha salvação eterna. Quantas consolações o Deus misericordioso me concedeu nestes anos de salutar penitência! ‘Misericòrdias Dòmini in aetèrnum cantàbo’!” (Cantarei eternamente as misericórdias do Senhor!)
Por: Agência Info Salesiana