A missão, situada naquela que é considerada a maior área de ocupação informal do país, e uma das maiores de toda a África, desenvolveu um amplo projeto agrícola com triplo objetivo: garantir alimentação segura e saudável aos menores em situação de vulnerabilidade acolhidos pela missão; favorecer a sustentabilidade econômica da obra, reduzindo os custos alimentares e gerando renda com a venda do excedente da produção; e, progressivamente, oferecer oportunidades de trabalho à população local.
Conquistas
A iniciativa, que começou há mais de dois anos, é realizada em colaboração entre os Salesianos e uma extensa rede de benfeitores internacionais, incluindo várias Procuradorias Missionárias Salesianas.
Graças à contribuição de tantos apoiadores, o projeto agrícola salesiano de Makululu conta atualmente com: um trator e diversas máquinas agrícolas que facilitam o trabalho no campo; um pomar com mais de 300 árvores de várias espécies; uma ampla horta, cuidadosamente estruturada com poços e reservatórios de água para garantir a irrigação constante das plantações; duas casas destinadas aos trabalhadores agrícolas.
Também foram construídos dois grandes edifícios que funcionam tanto como depósitos de ração e ferramentas quanto como galinheiros, 11 tanques para criação de peixes, com capacidade para, aproximadamente, 5 mil exemplares cada; uma criação com cerca de 100 porcos; uma criação com 50 patos, uma criação com 50 cabras, muros, cercas e iluminação para garantir a segurança do projeto.
Obstáculos
Nada disso foi conquistado sem obstáculos. Ao contrário, os Salesianos da região tiveram que enfrentar chuvas frequentes e fortes, que interromperam as atividades e exigiram a reavaliação dos planos devido à instabilidade climática.
Além disso, enfrentaram problemas relacionados à confiabilidade de alguns fornecedores e às grandes oscilações cambiais, que em diversas ocasiões provocaram mudanças significativas na definição dos custos totais e nos pagamentos finais.
“Este é um projeto realmente importante para os Salesianos da Zâmbia e, diria, não apenas para eles, pois reúne características tipicamente salesianas: não serve somente para tornar o centro autossuficiente, mas principalmente para sustentar os jovens acolhidos pela casa de Makululu, sobretudo os meninos que vêm da rua, antes mesmo dos alunos da escola. Se for bem administrado, dará suporte ao centro salesiano, tornando-se não apenas um exemplo para a Visitadoria Zâmbia-Zimbábue-Maláui-Botsuana (ZMB), mas para toda a Congregação”, afirmou o padre Piotr Gozdalski, salesiano polonês e missionário em Makululu.
O projeto colocou no centro justamente os primeiros destinatários da missão de Dom Bosco: as crianças em situação de rua acolhidas em Makululu. Um detalhe ajuda a compreender essa prioridade: “a produção de frutas e hortaliças é organizada em ciclos para garantir um fornecimento contínuo. A horta não tem como objetivo a produção em larga escala e a venda, mas, principalmente, oferecer verduras frescas às nossas crianças. Dessa forma, atualmente, somos totalmente autossuficientes em relação às verduras, à carne suína, aos ovos e aos peixes”, explica ainda o padre Gozdalski.
Além disso, o desenvolvimento da propriedade agrícola despertou grande interesse e reações positivas na comunidade local. “Muitos membros da comunidade vêm visitar nossa propriedade agrícola e acompanham os avanços com grande interesse. O projeto demonstra que o desenvolvimento agrícola sustentável e a melhoria gradual das condições de vida também são possíveis em circunstâncias difíceis”, comenta o missionário polonês.
Outro aspecto particularmente animador foi o crescente entusiasmo dos membros da comunidade local por iniciar, eles próprios, pequenas atividades agrícolas. Dessa forma, o projeto não apenas contribuiu diretamente para a produção de alimentos, mas também se tornou um estímulo, um exemplo, uma fonte de inspiração para a população ao redor.
“Há anos eu sonhava em realizar um projeto como este, mas as propostas que apresentei no passado não se realizaram. Talvez pensassem que não fosse possível realizá-lo. Agora, porém, mostramos que é possível e, sobretudo, aprendemos que é preciso dedicar-se plenamente e trabalhar incansavelmente pelos jovens, especialmente pelos mais pobres e pelas crianças em situação de rua”, concluiu o padre Gozdalski.