A celebração foi presidida pelo cardeal Marcello Semeraro, prefeito do Dicastério para as Causas dos Santos, que os definiu como “uma verdadeira semente de paz e fraternidade em uma época tão sombria e violenta”.
Os novos beatos padre Jan Świerc e oito companheiros foram mortos entre 1941 e 1942, após terem sofrido torturas, espancamentos e privações nos campos de concentração de Auschwitz e Dachau.
Com a invasão da Polônia pela Alemanha, iniciada em 1º de setembro de 1939, a perseguição contra a Igreja Católica tornou-se particularmente feroz, atingindo sacerdotes, religiosos, comunidades eclesiais.
Durante a homilia, o cardeal Semeraro definiu aquele período como “uma página dramática da história do país”. Ele ressaltou que a celebração não pretendia deter-se na tristeza daqueles eventos, mas sim dar glória a Cristo, testemunhado pelos nove sacerdotes, “filhos de São João Bosco”, que “como Cristo e com Cristo deram a vida”.
Uma herança ligada a São João Paulo II
A beatificação enriquece a já numerosa fileira de santos e beatos poloneses, entre os quais São João Paulo II, arcebispo de Cracóvia e depois pastor Universal da Igreja, e Santa Faustina Kowalska, que da Polônia difundiu ao mundo a mensagem da Divina Misericórdia.
O Purpurado também recordou o venerável servo de Deus Jan Tyranowski, guia espiritual do jovem Karol Wojtyła na paróquia de São Estanislau Kostka, em Dębniki, confiada aos Salesianos. Nessa mesma comunidade pastoral atuaram alguns dos novos beatos. São João Paulo II referiu-se a eles também no livro «Dom e Mistério».
Fiéis ao carisma de Dom Bosco
Em sua fala, o prefeito do Dicastério destacou o carisma salesiano dos novos beatos: educadores e guias espirituais dos jovens, atentos aos pobres e aos sofredores. Como Dom Bosco, viam em cada jovem “uma ovelhinha amada, muito preciosa aos olhos de Deus”.
Diante do ódio antirreligioso, da violência e da injustiça que marcaram o século XX, eles não fugiram. Permaneceram fiéis à sua vocação até a entrega total de si mesmos, derramando o sangue como sinal de paz.
Uma mensagem aos jovens
O cardeal Semeraro explicou que a beatificação constitui um triplo convite; e o primeiro deles é dirigido aos jovens, “futuro da sociedade e presente vivo da Igreja”. Num mundo em que liberdade, felicidade e sucesso são frequentemente separados da verdade, da responsabilidade, do sacrifício, os ideais propostos parecem fáceis e imediatos; prometem muito; mas correm o risco de deixar o coração vazio. Cristo, ao contrário, torna a vida “bela e grandiosa”, realizando os desejos mais profundos do homem. Daí a exortação a abrir o coração ao Senhor, sobretudo, nos momentos de incerteza, confusão e solidão. “O Senhor não chama a renunciar aos sonhos, mas a purificá-los e iluminá-los”, para que a vida seja autenticamente plena, capaz de se tornar dom.
Um apelo aos salesianos e a todos os fiéis
O segundo convite foi dirigido aos Salesianos de Dom Bosco, chamados a acolher a herança espiritual dos novos beatos e a responder, com generosidade, à voz do Bom Pastor. Citando São João Paulo II, o cardeal encorajou: “não tenham medo. Não se deixem assustar pela vertigem de uma vida sacerdotal santa”.
Por fim, um apelo a todos os fiéis. Numa época marcada pela “solidão digital”, onde a virtualidade ‘ilude’ com a ‘ilusão’ de viver relações autênticas, a santidade consiste em ouvir a vontade de Deus e em perseverar apesar do cansaço e do desânimo. É necessário voltar a reconhecer a voz do Bom Pastor para fazer escolhas corajosas, como verdadeiros discípulos de Cristo e da sua Cruz.
Sinal de paz em um mundo ferido pela guerra
Concluindo, o cardeal voltou o olhar para o tempo presente, “mais uma vez marcado pela tristeza e pelas crueldades da guerra”. Neste contexto, os nove salesianos mártires proclamados beatos hoje testemunham o dom da paz.
“Mesmo na escuridão da história, há sempre quem saiba trazer uma luz de Esperança, de Amor e de Fraternidade”, afirmou o cardeal.