O espaço ocupa o prédio do campus central da Universidade Católica Dom Bosco (UCDB), em frente à Praça da República. Ali, onde o trânsito e o cotidiano se cruzam, passa a existir agora um lugar de silêncio e de memória.
Uma noite de encontro entre o passado e o presente
A solenidade reuniu salesianos vindos de Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e São Paulo. Três bispos marcaram presença: dom Dimas Lara, dom Vitório Pavanelo e dom Vartan Bogossian.
Três reitores de universidades também compareceram, representando a UCDB, a Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS) e o UNISALESIANO. Pró-reitores, membros do Legislativo e representantes do governador do Estado e da prefeita de Campo Grande completaram a solenidade. Foi uma noite em que a história se sentou à mesa com o presente.
Uma educação que deixou marcas no chão do Centro-Oeste
O inspetor da MSMT, padre Adalberto Alves de Jesus, abriu os trabalhos com palavras que atravessaram o salão. Ele lembrou que os objetos expostos não são apenas peças de museu. São retratos vivos de “uma educação que humaniza, uma presença que acolhe e uma fé que realiza obras concretas”. Cada vitrine, cada fotografia, cada instrumento carrega o peso suave de uma história construída à mão.
Um projeto nascido do desejo de não esquecer
O curador do Memorial é o vice-inspetor padre Ademir Lima de Oliveira. Ele conduziu o projeto por mais de um ano, com paciência de quem sabe que a memória não se apressa.
A ideia nasceu do ex-inspetor padre Ricardo Carlos. Ele queria garantir que mais de 130 anos de presença salesiana no Centro-Oeste não se perdessem no esquecimento. O memorial é a resposta concreta a esse desejo. Na solenidade de inauguração, coube a dom Vitório Pavanello dar a bênção de abertura do novo espaço.
Núcleos que contam histórias maiores do que o espaço que ocupam
A exposição está organizada em núcleos temáticos. O primeiro deles guarda uma joia rara: a primeira gráfica de Mato Grosso, operada pelos salesianos desde 1894. A máquina de tipos é central na história da comunicação regional. Ela imprimiu palavras em um tempo em que palavras eram escassas e preciosas.
Outro núcleo preserva o acervo das antigas Escolas de Ofício. Ali estão instrumentos e registros das oficinas de Marcenaria, Tipografia, Alfaiataria e Sapataria. Esses espaços formaram gerações de jovens em profissões que o tempo foi tornando raras. As ferramentas expostas ainda guardam o cheiro do trabalho e da dignidade.
Um terceiro núcleo dedica-se às Missões Indígenas. Documentos, fotografias e objetos narram a presença salesiana nos rios Araguaia, Xingu e das Mortes. São registros de encontros entre culturas. São também registros de escolhas, de caminhadas longas e de rios que nunca param de correr.
A sala “Educação para a Vida” fecha o percurso com uma linha do tempo. Ela vai dos primeiros oratórios até os projetos educacionais contemporâneos da MSMT. É o fio que costura ontem e hoje sem deixar nó aparente.
Relíquias, fé e a matéria de que são feitos os santos
O Memorial abriga também relíquias de primeiro e segundo grau de santos salesianos. São objetos de devoção, peças consideradas sagradas pela Igreja Católica. Elas ocupam o espaço com uma presença silenciosa e poderosa.
A memória como compromisso com o jovem de hoje
Padre Ademir Lima de Oliveira resume com clareza o propósito do lugar. “A gente não guarda essas peças por saudosismo”, afirmou. “Guardamos porque elas provam que o método de Dom Bosco funciona aqui há 130 anos.” E foi direto ao coração da missão: “Este memorial é pra dizer ao jovem de hoje: você faz parte de uma história maior.”
Uma congregação que fincou raízes para durar
Fundada em 1894, a MSMT é uma das presenças religiosas e educacionais mais antigas do Centro-Oeste. Ao longo de mais de um século, os salesianos construíram escolas, abriram paróquias, criaram obras sociais. Caminharam também ao lado dos povos indígenas em Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. Eles chegaram e ficaram. Ficaram e criaram raízes.
O inspetor, padre Adalberto declarou que a abertura do espaço à visitação pública “representa para a história da missão salesiana de Mato Grosso o legado de muitos salesianos que passaram por aqui e se dedicaram à educação da juventude, à evangelização dos povos indígenas. Que estas imagens que contemplaremos com os nossos olhos possa ser a recordação do passado, a importância do presente e o futuro que se abre para a juventude”, finalizou.
Como visitar o Memorial
O Memorial da Missão Salesiana de Mato Grosso abre suas portas ao público a partir do dia 20 de maio. A visitação é gratuita. O espaço fica na sede da entidade, no campus central da UCDB, em Campo Grande.
Grupos e visitantes individuais podem agendar pelo e-mail Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo..