Sacerdote celebra casamentos e batizados em expedição missionária ao Pantanal Destaque

Quinta, 19 Fevereiro 2026 10:24 Escrito por  Euclides Fernandes
A jornada exigiu mais de sete horas de viagem para alcançar a comunidade que abriga 70 pessoas dedicadas ao trabalho na Fazenda Nossa Senhora de Lourdes

 

No coração do Pantanal mato-grossense, a tradição das “desobrigas” — prática pastoral que marcou o catolicismo brasileiro no interior do país — foi revivida com força no último fim de semana. O padre João dos Santos Barbosa Neto, SDB, conduziu uma missão religiosa até a Fazenda Nossa Senhora de Lourdes, acompanhado pelo irmão Eduardo, consagrado da Obra de Maria, e pelas ministras da Eucaristia Almerinda e Rosilene. A fazenda é coordenada pelo senhor Arsênio e sua esposa, a senhora Camila.

 

Uma prática centenária que resiste no tempo

As desobrigas nasceram no início do século XX como resposta pastoral às imensidões do Brasil rural. Sacerdotes percorriam, a cavalo, em canoas ou a pé, regiões isoladas onde a presença de um padre ocorria uma única vez por ano — quando ocorria. O objetivo era permitir que os fiéis cumprissem os preceitos da Igreja Católica: a confissão, a comunhão pascal, o batismo, o casamento e, quando possível, a crisma.

Registros sacramentais acumulados nessas visitas compõem até hoje parte dos acervos históricos de paróquias brasileiras. Com o aumento do clero e a melhoria dos transportes ao longo do século XX, a prática recuou — mas sobrevive em regiões como o Pantanal e a Amazônia.

 

A aventura de chegar até a fazenda

A equipe missionária descreveu a travessia como “uma verdadeira aventura e contemplação da beleza”. As estradas e o isolamento da Fazenda Nossa Senhora de Lourdes reproduzem as mesmas condições que tornaram as desobrigas necessárias séculos atrás: distância, natureza densa e comunidades que aguardam a chegada do sacerdote como um evento central na vida religiosa e social do lugar.

 

Catequese, sacramentos e alegria

A missão teve início na noite de domingo, com a chegada da equipe à fazenda. Na manhã da segunda-feira, 16 de fevereiro,  as crianças participaram de uma gincana catequética e os casais de um colóquio de reflexão.

A Santa Missa concentrou o momento mais denso da visita: a celebração de dois casamentos e o batismo de sete crianças, em uma única celebração.

A comunidade, descrita pelos missionários como “muito vibrante e feliz”, encerrou o encontro com um churrasco e um bolo preparado em homenagem aos casais recém-casados.

 

O papel social da missão

Assim como nas desobrigas tradicionais, a visita à Fazenda Nossa Senhora de Lourdes foi além do aspecto religioso. Ela reforçou os laços comunitários, regularizou vínculos familiares por meio do sacramento do matrimônio e garantiu o batismo de crianças que, de outra forma, aguardariam por tempo indeterminado a presença de um sacerdote. A missão salesiana mantém viva, no Pantanal do século XXI, uma lógica pastoral que o Brasil interiorano conhece há mais de cem anos.


Por: Euclides Fernandes
Missão Salesiana de Mato Grosso

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Última modificação em Quinta, 19 Fevereiro 2026 10:35

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Sacerdote celebra casamentos e batizados em expedição missionária ao Pantanal Destaque

Quinta, 19 Fevereiro 2026 10:24 Escrito por  Euclides Fernandes
A jornada exigiu mais de sete horas de viagem para alcançar a comunidade que abriga 70 pessoas dedicadas ao trabalho na Fazenda Nossa Senhora de Lourdes

 

No coração do Pantanal mato-grossense, a tradição das “desobrigas” — prática pastoral que marcou o catolicismo brasileiro no interior do país — foi revivida com força no último fim de semana. O padre João dos Santos Barbosa Neto, SDB, conduziu uma missão religiosa até a Fazenda Nossa Senhora de Lourdes, acompanhado pelo irmão Eduardo, consagrado da Obra de Maria, e pelas ministras da Eucaristia Almerinda e Rosilene. A fazenda é coordenada pelo senhor Arsênio e sua esposa, a senhora Camila.

 

Uma prática centenária que resiste no tempo

As desobrigas nasceram no início do século XX como resposta pastoral às imensidões do Brasil rural. Sacerdotes percorriam, a cavalo, em canoas ou a pé, regiões isoladas onde a presença de um padre ocorria uma única vez por ano — quando ocorria. O objetivo era permitir que os fiéis cumprissem os preceitos da Igreja Católica: a confissão, a comunhão pascal, o batismo, o casamento e, quando possível, a crisma.

Registros sacramentais acumulados nessas visitas compõem até hoje parte dos acervos históricos de paróquias brasileiras. Com o aumento do clero e a melhoria dos transportes ao longo do século XX, a prática recuou — mas sobrevive em regiões como o Pantanal e a Amazônia.

 

A aventura de chegar até a fazenda

A equipe missionária descreveu a travessia como “uma verdadeira aventura e contemplação da beleza”. As estradas e o isolamento da Fazenda Nossa Senhora de Lourdes reproduzem as mesmas condições que tornaram as desobrigas necessárias séculos atrás: distância, natureza densa e comunidades que aguardam a chegada do sacerdote como um evento central na vida religiosa e social do lugar.

 

Catequese, sacramentos e alegria

A missão teve início na noite de domingo, com a chegada da equipe à fazenda. Na manhã da segunda-feira, 16 de fevereiro,  as crianças participaram de uma gincana catequética e os casais de um colóquio de reflexão.

A Santa Missa concentrou o momento mais denso da visita: a celebração de dois casamentos e o batismo de sete crianças, em uma única celebração.

A comunidade, descrita pelos missionários como “muito vibrante e feliz”, encerrou o encontro com um churrasco e um bolo preparado em homenagem aos casais recém-casados.

 

O papel social da missão

Assim como nas desobrigas tradicionais, a visita à Fazenda Nossa Senhora de Lourdes foi além do aspecto religioso. Ela reforçou os laços comunitários, regularizou vínculos familiares por meio do sacramento do matrimônio e garantiu o batismo de crianças que, de outra forma, aguardariam por tempo indeterminado a presença de um sacerdote. A missão salesiana mantém viva, no Pantanal do século XXI, uma lógica pastoral que o Brasil interiorano conhece há mais de cem anos.


Por: Euclides Fernandes
Missão Salesiana de Mato Grosso

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