Sudão do Sul: uma missão salesiana ao lado de milhões de deslocados Destaque

Terça, 14 Julho 2026 15:25 Escrito por  Agência Info Salesiana
O 15º aniversário da independência do Sudão do Sul não é uma ocasião para comemorações, mas um sinal de alerta. O país alcançou a independência em 9 de julho de 2011, mas a paz tão aguardada ainda não se concretizou para a maioria da população.

 

A violência, os conflitos internos, a insegurança alimentar, as enchentes e a ausência de serviços básicos forçaram milhões de pessoas a abandonar seus lares.

Em regiões como Tonj, Maridi, Kuajok, Wau e Don Bosco Gumbo, em Juba, assim como no assentamento de refugiados de Palabek, em Uganda, os missionários salesianos acompanham as populações deslocadas e em situação de vulnerabilidade.


Nesses lugares, são prestados serviços como ensino/educação, acolhimento, formação profissional, proteção de crianças e jovens, assistência humanitária e ações voltadas à construção da paz.

Ara Tena, voluntária das Missões Salesianas, da Procuradoria Missionária Salesiana de Madri, resume a atuação salesiana no país como uma presença que une resposta emergencial e desenvolvimento: “as Missões Salesianas atua, atualmente, no Sudão do Sul tanto na área do desenvolvimento quanto na da assistência humanitária”, explica.

Os Salesianos apoiam, há anos, pessoas deslocadas pelo conflito em Don Bosco Gumbo, fornecendo alojamento, alimentação, serviços essenciais e assistência aos grupos mais vulneráveis, como mães solteiras, órfãos, idosos.

Ajuda emergencial

Nos últimos meses, também intensificaram a ajuda emergencial no campo de refugiados. “Acabamos de concluir uma ação emergencial no campo de refugiados de Gumbo, na qual distribuímos lonas plásticas para cobrir as tendas e alimentos, como parte do apoio contínuo que oferecemos há vários anos", complementa Ara Tena.

Paralelamente à resposta humanitária, os projetos de desenvolvimento buscam reduzir a dependência da ajuda externa e criar oportunidades para o futuro. Na região de Tonj, as Missões Salesianas trabalha com comunidades rurais em situação de maior vulnerabilidade para melhorar a segurança alimentar por meio da agricultura sustentável.

A iniciativa também inclui ações de conscientização sobre a hanseníase e uma dimensão de construção da paz presente em todos os projetos salesianos realizados no país.

Formação técnica

Em Tonj e Maridi, a presença salesiana se dedica à formação técnica de jovens mulheres. Já existe um centro em funcionamento em Tonj e, em Maridi, está prevista a construção e implantação de uma unidade de formação técnica focada em gastronomia, conservação de alimentos, costura, confecção.

Segundo Ara Tena, esse trabalho atende a uma prioridade clara. “Acreditamos que é necessário fortalecer a autonomia das mulheres para que elas possam gerar sua própria renda e melhorar suas condições de vida”, afirma. Num país com profundas desigualdades de gênero, a formação profissional possibilita a autonomia de mulheres e famílias em situação de extrema vulnerabilidade.

Projetos educativos inclusivos

Em Kuajok, a Procuradoria Missionária Salesiana de Madri, em parceria com os salesianos da Don Bosco-BOSCOAID, também desenvolve projetos educativos inclusivos, equitativos e de qualidade, considerados motores do desenvolvimento e da construção da paz. Além disso, as iniciativas salesianas incluem um programa de bolsas de estudo que beneficiará mil alunos de dez escolas salesianas situadas nas regiões mais necessitadas do país.

Para crianças e jovens deslocados, ou em situação de vulnerabilidade, voltar à escola significa recuperar a rotina, a proteção, a confiança e a esperança no futuro. Para comunidades marcadas por anos de violência, a instrução/educação representa um investimento concreto para a paz.

“Temos consciência de que tudo o que fazemos em favor da paz e da convivência pacífica é fundamental, porque o Sudão do Sul é um país que jamais viveu em paz”, destaca Ara Tena.

Crise que ultrapassa fronteiras

A crise no Sudão do Sul também ultrapassa suas fronteiras. Em Uganda, o assentamento de refugiados de Palabek abriga quase 100 mil pessoas, a maioria proveniente justamente do país vizinho. Muitos chegaram apenas com a roupa do corpo, após perder familiares, casas, escolas e seus meios de subsistência.

Em Palabek, os Salesianos não se limitam a desenvolver projetos; vivem em estreito contato com a comunidade refugiada. Sua atuação se concentra na educação, na pastoral, na formação profissional, na proteção de crianças e jovens, e no apoio à comunidade.

O missionário salesiano Ubaldino Andrade, que há anos acompanha os refugiados de Palabek, lembra que a guerra deixa não apenas destruição material, mas também profundas feridas nas pessoas. “A guerra é uma experiência devastadora. Ela não destrói apenas as casas, mas também os corações. Tudo fica para trás; tudo desaparece de um dia para o outro”, afirma.

Quinze anos após a independência, o Sudão do Sul continua precisando de estabilidade, proteção e de um futuro para sua população. Em Tonj, Maridi, Kuajok, Wau, Don Bosco Gumbo e Palabek, acompanhar, educar e permanecer ao lado daqueles que perderam quase tudo continua sendo uma forma concreta de construir a paz.

 

Por: Missões Salesianas
Agência Info Salesiana

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Última modificação em Terça, 14 Julho 2026 15:47

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Sudão do Sul: uma missão salesiana ao lado de milhões de deslocados Destaque

Terça, 14 Julho 2026 15:25 Escrito por  Agência Info Salesiana
O 15º aniversário da independência do Sudão do Sul não é uma ocasião para comemorações, mas um sinal de alerta. O país alcançou a independência em 9 de julho de 2011, mas a paz tão aguardada ainda não se concretizou para a maioria da população.

 

A violência, os conflitos internos, a insegurança alimentar, as enchentes e a ausência de serviços básicos forçaram milhões de pessoas a abandonar seus lares.

Em regiões como Tonj, Maridi, Kuajok, Wau e Don Bosco Gumbo, em Juba, assim como no assentamento de refugiados de Palabek, em Uganda, os missionários salesianos acompanham as populações deslocadas e em situação de vulnerabilidade.


Nesses lugares, são prestados serviços como ensino/educação, acolhimento, formação profissional, proteção de crianças e jovens, assistência humanitária e ações voltadas à construção da paz.

Ara Tena, voluntária das Missões Salesianas, da Procuradoria Missionária Salesiana de Madri, resume a atuação salesiana no país como uma presença que une resposta emergencial e desenvolvimento: “as Missões Salesianas atua, atualmente, no Sudão do Sul tanto na área do desenvolvimento quanto na da assistência humanitária”, explica.

Os Salesianos apoiam, há anos, pessoas deslocadas pelo conflito em Don Bosco Gumbo, fornecendo alojamento, alimentação, serviços essenciais e assistência aos grupos mais vulneráveis, como mães solteiras, órfãos, idosos.

Ajuda emergencial

Nos últimos meses, também intensificaram a ajuda emergencial no campo de refugiados. “Acabamos de concluir uma ação emergencial no campo de refugiados de Gumbo, na qual distribuímos lonas plásticas para cobrir as tendas e alimentos, como parte do apoio contínuo que oferecemos há vários anos", complementa Ara Tena.

Paralelamente à resposta humanitária, os projetos de desenvolvimento buscam reduzir a dependência da ajuda externa e criar oportunidades para o futuro. Na região de Tonj, as Missões Salesianas trabalha com comunidades rurais em situação de maior vulnerabilidade para melhorar a segurança alimentar por meio da agricultura sustentável.

A iniciativa também inclui ações de conscientização sobre a hanseníase e uma dimensão de construção da paz presente em todos os projetos salesianos realizados no país.

Formação técnica

Em Tonj e Maridi, a presença salesiana se dedica à formação técnica de jovens mulheres. Já existe um centro em funcionamento em Tonj e, em Maridi, está prevista a construção e implantação de uma unidade de formação técnica focada em gastronomia, conservação de alimentos, costura, confecção.

Segundo Ara Tena, esse trabalho atende a uma prioridade clara. “Acreditamos que é necessário fortalecer a autonomia das mulheres para que elas possam gerar sua própria renda e melhorar suas condições de vida”, afirma. Num país com profundas desigualdades de gênero, a formação profissional possibilita a autonomia de mulheres e famílias em situação de extrema vulnerabilidade.

Projetos educativos inclusivos

Em Kuajok, a Procuradoria Missionária Salesiana de Madri, em parceria com os salesianos da Don Bosco-BOSCOAID, também desenvolve projetos educativos inclusivos, equitativos e de qualidade, considerados motores do desenvolvimento e da construção da paz. Além disso, as iniciativas salesianas incluem um programa de bolsas de estudo que beneficiará mil alunos de dez escolas salesianas situadas nas regiões mais necessitadas do país.

Para crianças e jovens deslocados, ou em situação de vulnerabilidade, voltar à escola significa recuperar a rotina, a proteção, a confiança e a esperança no futuro. Para comunidades marcadas por anos de violência, a instrução/educação representa um investimento concreto para a paz.

“Temos consciência de que tudo o que fazemos em favor da paz e da convivência pacífica é fundamental, porque o Sudão do Sul é um país que jamais viveu em paz”, destaca Ara Tena.

Crise que ultrapassa fronteiras

A crise no Sudão do Sul também ultrapassa suas fronteiras. Em Uganda, o assentamento de refugiados de Palabek abriga quase 100 mil pessoas, a maioria proveniente justamente do país vizinho. Muitos chegaram apenas com a roupa do corpo, após perder familiares, casas, escolas e seus meios de subsistência.

Em Palabek, os Salesianos não se limitam a desenvolver projetos; vivem em estreito contato com a comunidade refugiada. Sua atuação se concentra na educação, na pastoral, na formação profissional, na proteção de crianças e jovens, e no apoio à comunidade.

O missionário salesiano Ubaldino Andrade, que há anos acompanha os refugiados de Palabek, lembra que a guerra deixa não apenas destruição material, mas também profundas feridas nas pessoas. “A guerra é uma experiência devastadora. Ela não destrói apenas as casas, mas também os corações. Tudo fica para trás; tudo desaparece de um dia para o outro”, afirma.

Quinze anos após a independência, o Sudão do Sul continua precisando de estabilidade, proteção e de um futuro para sua população. Em Tonj, Maridi, Kuajok, Wau, Don Bosco Gumbo e Palabek, acompanhar, educar e permanecer ao lado daqueles que perderam quase tudo continua sendo uma forma concreta de construir a paz.

 

Por: Missões Salesianas
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