Papa abre o Consistório: "Estou aqui para ouvir"

Quinta, 08 Janeiro 2026 16:10 Escrito por  Agência Info Salesiana com Vatican News
Papa abre o Consistório: "Estou aqui para ouvir" Vatican Media
"Estou aqui para ouvir". Com essas palavras, o Papa Leão XIV abriu o Consistório extraordinário convocado por ele no Vaticano para os dias 7 e 8 de janeiro, indicando como metodologia dos trabalhos aquela aprendida durante as duas assembleias do Sínodo dos Bispos (2023 e 2024): a escuta.


"Não temos de chegar a um texto, mas sim levar por diante uma conversa que me ajude no serviço em prol da missão de toda a Igreja", afirmou o Pontífice em seu discurso de abertura na Aula do Sínodo, onde se encontra reunida grande parte dos membros do Colégio Cardinalício. "Cada momento deste tipo é uma oportunidade para aprofundar o nosso comum apreço pela sinodalidade", disse ainda o Papa.

Uma prefiguração do caminho futuro

"Este nosso dia e meio juntos será uma prefiguração do caminho que teremos pela frente", destacou o Papa. "Também a partir da maneira como aprendemos a trabalhar juntos, com fraternidade e sincera amizade, pode começar algo novo, que envolve o presente e o futuro".

O Pontífice reiterou aos cardeais a natureza e os objetivos deste importante encontro: "Um momento de comunhão e fraternidade, de reflexão e partilha, destinado a sustentar e aconselhar o Papa na árdua responsabilidade do governo da Igreja universal".

Missão, Praedicate Evangelium, Sínodo, liturgia

São quatro os temas em torno dos quais se desenvolve a reflexão comunitária. Em primeiro lugar, a Evangelii gaudium, a exortação apostólica que funciona como verdadeiro roteiro do pontificado de Francisco e, como explica Leão, "a missão da Igreja no mundo de hoje".

Em seguida, a constituição apostólica Praedicate Evangelium, ou seja, "o serviço da Santa Sé, especialmente às Igrejas particulares". Vêm depois as questões relacionadas a "Sínodo e sinodalidade, como instrumento e estilo de colaboração" e, por fim, a "liturgia, fonte e ápice da vida cristã".

Por razões de tempo e para favorecer um aprofundamento real, apenas dois desses temas serão objeto de uma abordagem específica. Os cardeais, divididos em 20 grupos, contribuirão para a escolha das temáticas, "como é mais fácil para mim pedir conselhos àqueles que trabalham na Cúria e vivem em Roma, os grupos que apresentarão os seus resultados serão os nove provenientes das Igrejas locais", explicou o papa.

Os temas escolhidos serão aprofundados a partir de uma pergunta-guia: "Olhando para o caminho dos próximos um ou dois anos, que atenções e prioridades poderiam orientar a ação do Santo Padre e da Cúria sobre a questão?"

Non multa, sed multum!

O próprio Papa esclarece o modo de proceder no Consistório: "escutar a mente, o coração e o espírito de cada um; escutar-se mutuamente; expressar apenas o ponto principal e de forma muito breve, de modo que todos possam falar. Non multa sed multum!", afirmou, citando os antigos romanos. E disse que "no futuro, esse estilo de escuta recíproca, buscando a orientação do Espírito Santo e caminhando juntos, continuará a ser de grande ajuda para o ministério petrino que me foi confiado".

O ensinamento da Lumen Gentium

Leão XIV recorre em seguida à Lumen Gentium, a constituição do Concílio Vaticano II, para reafirmar que a "visão" da luz do Senhor permite a todos os povos caminhar em meio às trevas do mundo. Trata-se de uma visão que encontrou expressão nos pontificados de São Paulo VI e de São João Paulo II e que também Bento XVI e Francisco acolheram e relançaram, sintetizando-a em uma única palavra: atração.


A força da atração

O Papa Leão XIV recorda que Bento XVI expressou essa ideia na homilia de abertura da Conferência de Aparecida, em 2007, ao pronunciar a célebre frase: a Igreja não faz proselitismo; ela cresce por atração.

O Papa Francisco estava plenamente de acordo com essa perspectiva e a repetiu diversas vezes, em diversos contextos. Agora, Leão XIV retoma essa mesma intuição e a partilha com os cardeais, explicando — ainda inspirado em Bento XVI — que a força que sustenta esse movimento de atração é a Charis, a Agape, o Amor de Deus encarnado em Cristo e doado à Igreja.

"Não é a Igreja que atrai, mas Cristo; e se um cristão ou uma comunidade eclesial atrai é porque por meio desse 'canal' flui a seiva vital da Caridade que brota do Coração do Salvador", reiterou Leão XIV.

É significativo, nesse sentido, que o Papa Francisco tenha iniciado o seu pontificado com a Evangelii gaudium, sobre o anúncio do Evangelho no mundo atual e o tenha concluído com a Dilexit nos, dedicada ao amor divino e humano do Coração de Cristo.

Modelo de colegialidade

"A unidade atrai, a divisão dispersa", destaca ainda o Pontífice, "e isso, ao que me parece, é confirmado também pela física, tanto no micro quanto no macrocosmo". Portanto, "para sermos uma Igreja verdadeiramente missionária, ou seja, capaz de testemunhar a força atrativa da caridade de Cristo, devemos em primeiro lugar pôr em prática o seu mandamento: ‘que vos ameis uns aos outros assim como Eu vos amei'".

Este é, portanto, para o Papa Leão XIV, o ponto de partida deste primeiro Consistório e do caminho colegial a ser percorrido. "Somos um grupo muito diversificado, enriquecido por múltiplas origens, culturas, tradições eclesiais e sociais, percursos formativos e acadêmicos, experiências pastorais e, naturalmente, por características e traços pessoais", observa. "Somos chamados, antes de tudo, a nos conhecer e a dialogar, para podermos trabalhar juntos a serviço da Igreja".

"Espero que possamos crescer na comunhão e assim oferecer um modelo de colegialidade", concluiu o Pontífice.


Fonte: Por Agência Info Salesiana com Vatican News

Avalie este item
(0 votos)
Última modificação em Quinta, 08 Janeiro 2026 16:31

Deixe um comentário

Certifique-se de preencher os campos indicados com (*). Não é permitido código HTML.


Papa abre o Consistório: "Estou aqui para ouvir"

Quinta, 08 Janeiro 2026 16:10 Escrito por  Agência Info Salesiana com Vatican News
Papa abre o Consistório: "Estou aqui para ouvir" Vatican Media
"Estou aqui para ouvir". Com essas palavras, o Papa Leão XIV abriu o Consistório extraordinário convocado por ele no Vaticano para os dias 7 e 8 de janeiro, indicando como metodologia dos trabalhos aquela aprendida durante as duas assembleias do Sínodo dos Bispos (2023 e 2024): a escuta.


"Não temos de chegar a um texto, mas sim levar por diante uma conversa que me ajude no serviço em prol da missão de toda a Igreja", afirmou o Pontífice em seu discurso de abertura na Aula do Sínodo, onde se encontra reunida grande parte dos membros do Colégio Cardinalício. "Cada momento deste tipo é uma oportunidade para aprofundar o nosso comum apreço pela sinodalidade", disse ainda o Papa.

Uma prefiguração do caminho futuro

"Este nosso dia e meio juntos será uma prefiguração do caminho que teremos pela frente", destacou o Papa. "Também a partir da maneira como aprendemos a trabalhar juntos, com fraternidade e sincera amizade, pode começar algo novo, que envolve o presente e o futuro".

O Pontífice reiterou aos cardeais a natureza e os objetivos deste importante encontro: "Um momento de comunhão e fraternidade, de reflexão e partilha, destinado a sustentar e aconselhar o Papa na árdua responsabilidade do governo da Igreja universal".

Missão, Praedicate Evangelium, Sínodo, liturgia

São quatro os temas em torno dos quais se desenvolve a reflexão comunitária. Em primeiro lugar, a Evangelii gaudium, a exortação apostólica que funciona como verdadeiro roteiro do pontificado de Francisco e, como explica Leão, "a missão da Igreja no mundo de hoje".

Em seguida, a constituição apostólica Praedicate Evangelium, ou seja, "o serviço da Santa Sé, especialmente às Igrejas particulares". Vêm depois as questões relacionadas a "Sínodo e sinodalidade, como instrumento e estilo de colaboração" e, por fim, a "liturgia, fonte e ápice da vida cristã".

Por razões de tempo e para favorecer um aprofundamento real, apenas dois desses temas serão objeto de uma abordagem específica. Os cardeais, divididos em 20 grupos, contribuirão para a escolha das temáticas, "como é mais fácil para mim pedir conselhos àqueles que trabalham na Cúria e vivem em Roma, os grupos que apresentarão os seus resultados serão os nove provenientes das Igrejas locais", explicou o papa.

Os temas escolhidos serão aprofundados a partir de uma pergunta-guia: "Olhando para o caminho dos próximos um ou dois anos, que atenções e prioridades poderiam orientar a ação do Santo Padre e da Cúria sobre a questão?"

Non multa, sed multum!

O próprio Papa esclarece o modo de proceder no Consistório: "escutar a mente, o coração e o espírito de cada um; escutar-se mutuamente; expressar apenas o ponto principal e de forma muito breve, de modo que todos possam falar. Non multa sed multum!", afirmou, citando os antigos romanos. E disse que "no futuro, esse estilo de escuta recíproca, buscando a orientação do Espírito Santo e caminhando juntos, continuará a ser de grande ajuda para o ministério petrino que me foi confiado".

O ensinamento da Lumen Gentium

Leão XIV recorre em seguida à Lumen Gentium, a constituição do Concílio Vaticano II, para reafirmar que a "visão" da luz do Senhor permite a todos os povos caminhar em meio às trevas do mundo. Trata-se de uma visão que encontrou expressão nos pontificados de São Paulo VI e de São João Paulo II e que também Bento XVI e Francisco acolheram e relançaram, sintetizando-a em uma única palavra: atração.


A força da atração

O Papa Leão XIV recorda que Bento XVI expressou essa ideia na homilia de abertura da Conferência de Aparecida, em 2007, ao pronunciar a célebre frase: a Igreja não faz proselitismo; ela cresce por atração.

O Papa Francisco estava plenamente de acordo com essa perspectiva e a repetiu diversas vezes, em diversos contextos. Agora, Leão XIV retoma essa mesma intuição e a partilha com os cardeais, explicando — ainda inspirado em Bento XVI — que a força que sustenta esse movimento de atração é a Charis, a Agape, o Amor de Deus encarnado em Cristo e doado à Igreja.

"Não é a Igreja que atrai, mas Cristo; e se um cristão ou uma comunidade eclesial atrai é porque por meio desse 'canal' flui a seiva vital da Caridade que brota do Coração do Salvador", reiterou Leão XIV.

É significativo, nesse sentido, que o Papa Francisco tenha iniciado o seu pontificado com a Evangelii gaudium, sobre o anúncio do Evangelho no mundo atual e o tenha concluído com a Dilexit nos, dedicada ao amor divino e humano do Coração de Cristo.

Modelo de colegialidade

"A unidade atrai, a divisão dispersa", destaca ainda o Pontífice, "e isso, ao que me parece, é confirmado também pela física, tanto no micro quanto no macrocosmo". Portanto, "para sermos uma Igreja verdadeiramente missionária, ou seja, capaz de testemunhar a força atrativa da caridade de Cristo, devemos em primeiro lugar pôr em prática o seu mandamento: ‘que vos ameis uns aos outros assim como Eu vos amei'".

Este é, portanto, para o Papa Leão XIV, o ponto de partida deste primeiro Consistório e do caminho colegial a ser percorrido. "Somos um grupo muito diversificado, enriquecido por múltiplas origens, culturas, tradições eclesiais e sociais, percursos formativos e acadêmicos, experiências pastorais e, naturalmente, por características e traços pessoais", observa. "Somos chamados, antes de tudo, a nos conhecer e a dialogar, para podermos trabalhar juntos a serviço da Igreja".

"Espero que possamos crescer na comunhão e assim oferecer um modelo de colegialidade", concluiu o Pontífice.


Fonte: Por Agência Info Salesiana com Vatican News

Avalie este item
(0 votos)
Última modificação em Quinta, 08 Janeiro 2026 16:31

Deixe um comentário

Certifique-se de preencher os campos indicados com (*). Não é permitido código HTML.