A cerimônia ocorreu durante a Solenidade da Páscoa, marcando o encerramento do Ano Santo da Redenção de 1933. Na ocasião, o Papa, que conheceu pessoalmente Dom Bosco, destacou sua dedicação aos jovens, especialmente àqueles em situação de vulnerabilidade, afirmando que ele se empenhou em refazê-los e reeducá-los na fé e na virtude, introduzindo-os na vida cristã por meio de métodos engenhosos.
A coincidência da canonização de Dom Bosco com o Dia da Mentira é curiosa, especialmente considerando que ele foi um educador que sempre valorizou a verdade e a confiança. Enquanto o dia da mentira é um momento para brincadeiras e enganos, Dom Bosco sempre soube que a base para a educação e o crescimento dos jovens era a verdade. Sua pedagogia, o sistema preventivo, estava firmemente alicerçada na confiança mútua, na bondade e na razão. Ele acreditava que a confiança era a chave para a formação de uma verdadeira amizade entre educadores e alunos.
O sistema preventivo de Dom Bosco
O método educacional desenvolvido por Dom Bosco revolucionou a forma como os jovens eram instruídos. Ele acreditava que a disciplina e o aprendizado não deveriam ser impostos pelo medo, mas sim pelo amor e pela compreensão. Seu sistema preventivo combinava razão, religião e bondade, criando um ambiente acolhedor onde os alunos se sentiam respeitados e incentivados a desenvolver seus talentos.
Dom Bosco enfatizava que “sem confiança não há educação”. Para ele, a confiança não poderia ser conquistada por meio de falsas promessas ou manipulações, mas sim pela coerência, pelo respeito e pela sinceridade. Dessa forma, o dia da mentira, que celebra enganos e farsas, contraria os valores que ele pregava. Segundo sua visão, a mentira era um obstáculo para a construção de uma sociedade mais justa e fundamentada em princípios cristãos.
A visão de Dom Bosco sobre a verdade
Dom Bosco via a verdade como a base da vida cristã e da moralidade. Ele orientava seus educandos a sempre evitarem a mentira, pois acreditava que ela comprometia as relações interpessoais e afastava os jovens da virtude. Em seus ensinamentos, destacava que a mentira não apenas prejudicava aqueles que eram enganados, mas também corrompia o caráter do próprio mentiroso, minando a confiança e criando um ambiente de desconfiança.
Diferentemente das práticas disciplinares severas comuns em sua época, Dom Bosco adotava um método educativo mais humano, focado na prevenção de comportamentos inadequados em vez da simples punição. Para ele, a paciência e o diálogo eram essenciais na formação moral dos jovens.
O legado de Dom Bosco
A canonização de Dom Bosco, ocorrida em 1º de abril de 1934, há 91 anos, reforça a importância da verdade e da confiança na educação e no desenvolvimento humano. Seu legado permanece vivo nas escolas e instituições salesianas ao redor do mundo, que seguem seu exemplo no compromisso com a formação moral e cristã da juventude.
A ironia de sua canonização coincidir com o dia da mentira destaca ainda mais a relevância de sua missão. Ele foi proclamado santo como alguém que pregava e vivia a verdade em uma sociedade muitas vezes marcada pela superficialidade e pelo engano. Para Dom Bosco, a data era um chamado à reflexão sobre a importância da honestidade, não apenas no discurso, mas também nas ações.
Fonte: Missão Salesiana de Mato Grosso – MSMT