Salesianidade
Sexta, 26 Abril 2013 21:51

Missão em curso

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  “Para muitas milhares de pessoas, ao longo destes 130 anos, a importância da chegada dos salesianos ao Brasil foi incalculável: traçou o rumo de sua vida, e o de uma multidão de outras pessoas que se beneficiaram com a sua presença” (padre Wolfgang Gruen).   Em 2013, comemoram-se 130 anos da presença salesiana no Brasil. Para dimensionar a importância desse momento, alguns resgates históricos são ferramentas valiosas. As diretrizes políticas da nação, ainda monárquica, sofriam os efeitos das pressões políticas mundiais e das transformações pelas quais o mundo passava. O Brasil começava a fazer parte da economia internacional. Poucos anos mais tarde, o país se tornaria uma República e todas essas mudanças afetariam a sociedade. “Em 1877, o bispo do Rio de Janeiro, dom Pedro Maria de Lacerda, pediu a Dom Bosco que mandasse salesianos à sua diocese, para começar um trabalho com jovens necessitados de amparo. Dom Bosco só pôde atendê-lo em 1883, quando os primeiros salesianos se estabeleceram em Niterói, RJ”, relata o padre Wolfgang Gruen. Em 14 de julho daquele ano, chegava o primeiro grupo de salesianos, guiado por padre Luís Lasagna, personagem que foi essencial para o desenvolvimento da obra salesiana no Brasil (ver box).  
  O Papa Francisco recebeu em audiência, no dia 27 de março, o cardeal Angelo Amato SDB, prefeito da Congregação das Causas dos Santos. Durante a audiência, o Sumo Pontífice autorizou a Congregação das Causas a promulgar o decreto sobre o martírio do servo de Deus (SdeD), senhor Estêvão Sándor. Leigo professo da Sociedade de São Francisco de Sales (Salesianos de Dom Bosco), Estêvão, nasceu em Szolnok (Hungria), no dia 26 de outubro de 1914, e foi justiçado por ódio à Fé, em Budapeste (Hungria), no dia 8 de junho de 1953.   Tendo conhecido Dom Bosco por meio do Boletim Salesiano, Estêvão Sándor sentiu-se imediatamente atraído pelo carisma salesiano. Em 1936 foi aceito no Clarisseum, de Budapeste, onde fez o aspirantado por dois anos, frequentando na Escola de Artes Gráficas ‘Dom Bosco’ o curso de técnico-impressor. Iniciou o noviciado, que teve de interromper por convocação às forças armadas. Em 1939 recebeu a dispensa definitiva e, terminado o noviciado, fez a primeira profissão no dia 8 de setembro de 1940,  como salesiano irmão.   Destinado ao Clarisseum, empenhou-se ativamente no ensino dos cursos profissionais. Teve também como encargo a assistência no oratório. Foi promotor da Juventude Operária Católica. Finda a Segunda Guerra Mundial, empenhou-se na reconstrução material e moral da sociedade húngara, dedicando-se especialmente aos jovens mais pobres, que reunia e lhe ensinava um ofício.   Quando em 1949, o Estado, sob Mátyás Rákosi, se adonou dos bens eclesiásticos, e, mais, iniciaram as perseguições contra as escolas católicas, Sándor buscou salvar o salvável. Mas de golpe os religiosos viram-se destituídos de tudo e tiveram que se dispersar. Também Estêvão teve de abandonar a sua tipografia – que com o tempo se tornara bem conhecida – e “desaparecer”; mas, ao invés de refugiar-se no exterior, ficou no país para continuar  trabalhando pela juventude húngara. Conseguiu um emprego em uma fábrica de detergentes, na Capital, continuando impávido e clandestinamente o seu apostolado, embora sabendo que era uma atividade rigorosamente proibida. Em julho de 1952 foi preso no seu posto de trabalho e nunca mais foi visto pelos coirmãos. Um documento oficial certifica o processo e a condenação à morte, executada por enforcamento, no dia 8 de junho de 1953.   O ‘iter’ agora prevê a preparação do Decreto de martírio aos cuidados da Congregação das Causas dos Santos, em colaboração com o postulador geral. Sucessivamente será marcada a data da cerimônia de beatificação, visto que se tratando de um mártir não se exige milagre. O sacrifício total no ato do martírio, como testemunho máximo de fé cristã, considera-se o ato supremo da ‘sequela de Cristo’.   InfoANS
Sexta, 08 Março 2013 13:41

Entrevista com o Reitor-mor

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Na ocasião de sua visita ao Brasil, o Reitor-mor Padre Pascual Chavez concedeu entrevista ao salesiano cooperador Carlos Minozzi, da Paróquia Sta. Terezinha, na Zona Norte de São Paulo. A abordagem da entrevista diz respeito ao papa Bento XVI em relação à Família Salesiana, trazendo ainda, uma análise sob a perspectiva salesiana à sucessão da Igreja.   1 – Em sua mensagem sobre a renúncia do Papa, o senhor disse que Bento XVI foi muito generoso com ações para a Família. O senhor pode mencionar alguns desses feitos que Bento XVI fez durante seu papado direcionada à Família Salesiana?   O Santo Padre Bento XVI é uma pessoa que ama a nossa Congregação e a nossa Família Salesiana. Em um encontro pessoal com ele, onde eu coloquei a sua atenção para a figura de Mamãe Margarida, mostrou-se estar muito familiarizado com a vida de Dom Bosco e de sua santa mãe. Eu o encontrei várias vezes durante suas férias na nossa casa salesiana de Les Combes, e todos os anos na nossa paróquia de Castel Gandolfo, no dia da festa de Nossa Senhora da Assunção. Eu sempre achei nele um homem e um pai de grande bondade e muita gentileza, um verdadeiro ícone do amor de Deus.
Terça, 12 Fevereiro 2013 13:41

Os jovens “pobres e abandonados” que Dom Bosco conheceu

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  A Campanha da Fraternidade 2013 prepara outro grande acontecimento para a Igreja Católica: a Jornada Mundial da Juventude. Mas, para a Família Salesiana de Dom Bosco, o tema “Juventude” vai muito além destes eventos.   Neste ano teremos um evento eclesial muito importante para a vida da Igreja no Brasil. Trata-se da Jornada Mundial da Juventude, que será realizada em julho, no Rio de Janeiro. A Igreja se prepara para este grande evento por meio da Campanha da Fraternidade, retomando o tema Juventude e propondo-se a olhar a realidade dos jovens. Vivemos uma mudança de época, em que a exclusão social ainda é muito grande e os jovens sofrem com os desafios do impacto cultural e das relações midiáticas. A CF13 tem como objetivo geral “acolher os jovens no contexto de mudança de época, propiciando caminhos para o seu protagonismo no seguimento de Jesus Cristo, na vivência eclesial e na construção de uma sociedade fraterna fundamentada na cultura da vida, da justiça e da paz”. Nós, da Família Salesiana de Dom Bosco estamos empenhados, a convite do reitor-mor, a viver no ano de 2013 “como Dom Bosco educador, oferecendo aos jovens o Evangelho da alegria mediante a pedagogia da bondade”. Vejam que existe um entrelaçamento de ideias, de desejos e de vontade de mudanças. O tema juventude esteve sempre presente na Congregação Salesiana, fundada por Dom Bosco, desde as suas origens, em 1841. Para nós, da Família Salesiana de Dom Bosco, o tema juventude faz parte da nossa missão. Não é só uma campanha.  
Sexta, 01 Fevereiro 2013 12:25

Santos salesianos do calendário litúrgico

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  O postulador geral da Família Salesiana, padre Pierluigi Cameroni, apresenta as ocorrências litúrgicas dos santos salesianos do mês de fevereiro, com a lembrança dos Salesianos defuntos, repetindo a ação realizada no mês de janeiro. Leia abaixo sobre as figuras de santidade salesiana que o calendário litúrgico traz em fevereiro. 1° de fevereiro: salesianos defuntos A lembrança dos salesianos defuntos une, na “caridade que não passa”, aqueles que são ainda peregrinos com aqueles que já descansam no Senhor. É na fé do Senhor Ressuscitado que vivemos esta comemoração, que se faz ação de graças, memória viva, custódia de uma preciosa herança carismática. Ser com eles discípulos de Dom Bosco e partilhar o mesmo projeto evangélico das Constituições é para nós estímulo e auxílio na caminhada de santificação e no propósito decidido e eficaz, de continuar firmes na vocação até a morte.   7 de fevereiro: beato Pio IX   O papa com o qual Dom Bosco teve de tratar durante a maior parte da sua vida foi o beato Pio IX, que foi papa entre os anos de 1846 a 1878. O amor de Dom Bosco pelo Papa nascia de uma profunda visão de fé. É típica a sua insistência com os meninos: “Não griteis “Viva Pio IX”; gritai antes  “Viva o Papa!”. As verdades da fé que Pio IX com força reafirmou foram fundamentalmente três: a proclamação da Imaculada Conceição de Maria (1854); a centralidade da pessoa de Cristo no documento conhecido como Sílabo (1864); a missão do Papa como supremo mestre da fé (1870 – Concílio Vaticano I). São verdades especialmente atuais, porque estão na base do reconhecimento da dignidade da pessoa humana, feita à imagem e semelhança de Deus.   9 de fevereiro: beata irmã Eusébia Palomino   A fé dessa Filha de Maria Auxiliadora (FMA) é gigantesca e transparece de modo especial no eficacíssimo apostolado desenvolvido sobretudo nos anos de Valverde del Camino (Espanha) com um empenho formidável na catequese, colhendo a presença de Deus na natureza e celebrando-lhe o amor providencial; na difusão da prática do Rosário das Chagas; e em um amor filial a Maria, inspirando-se no Tratado da verdadeira devoção, de São Luís Grignon de Monfort. Sentia-se um como “Cristóvão Colombo” da fé e da evangelização, que sulca os mares para a salvação das Gentes: “Comovia-me ao ver aquele herói zarpar daquela costa e levar, a terras desconhecidas, operários do evangelho, para difundir a Semente evangélica e estender o Reino de Jesus Cristo por sobre toda a terra. Naquele momento sentia-me como de fogo e nada me teria custado pôr-me em uma pequena barca e ir-me àquelas terras em busca de ovelhas de Cristo”. A vida e o testemunho da irmã  Eusébia foram uma verdadeira semente, florescida em vigorosa árvore, em cujos ramos tantos encontraram e encontram descanso e vigor.   25 de fevereiro: festa dos Santos Luís Versíglia e Calisto Caravário   No dia do seu martírio, celebramos a festa dos protomártires salesianos que realizaram a visão profética de Dom Bosco, que, sonhando os seus filhos empenhados no Extremo Oriente, vaticinou frutos maravilhosos,  mas também falou de “cálices cheios de sangue”. Os dois Mártires Salesianos deram a sua vida pela salvação e a integridade moral do próximo, colocando-se na defesa de três jovens alunas da missão: eles defenderam com o seu sangue a opção responsável da castidade, operada naquelas jovens, em perigo de cair nas mãos de quem não as teriam respeitado. A oferta suprema da vida amadureceu na cotidianidade de uma existência vivida na presença de Deus e no sacrifício generoso de si. O padre Calisto, partindo de Timor para a China, repetiu mais de uma vez aos seus colegas: “Vamos, preparemo-nos para morrer mártires na China”. E uma vez em sua nova missão, apesar de enfraquecido pelas febres e cansado pela viagem, pôs-se logo a trabalhar, empenhando-se na assistência aos meninos. Dom Versíglia manifestou o seu grande espírito de fé sobretudo no desenvolvimento da missão a ele confiada. Perante as dificuldades, a falta de meios e a exiguidade de forças, exclamava: “Deus está conosco, temos a Virgem Auxiliadora e temos além disso um grande tesouro e uma inexaurível riqueza: o espírito de Dom Bosco”.   Na seção de sdb.org dedicada à santidade estão disponíveis outras informações e subsídios sobre os santos salesianos.   Leia também: Santos salesianos do calendário litúrgico   InfoANS  
Quinta, 31 Janeiro 2013 18:09

A mágica de Dom Bosco

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Hoje se fala muito de comunicação moderna, marketing de relacionamento, de atividades lúdicas para aproximar as pessoas, o famoso “quebra-gelo”, de técnica de animação. Tudo isso é atual, mas Dom Bosco, no século XIX, de certa forma, usava o ilusionismo para chegar às pessoas. “Matar um pássaro, esmagá-lo e pô-lo a voar vivo e sadio era uma das brincadeiras que sabia fazer com frequência. Da mesma garrafa, tirava vinho branco e tinto, a pedido dos presentes. Um dia, enfrentou o desafio de fazer desaparecer um grande prato de ravióli preparado na cozinha e fazê-lo aparecer numa outra casa da vila” (MB I, p. 348). Esse era São João Bosco que, para educar, evangelizar e atrair a atenção dos jovens, principalmente os menos favorecidos, tinha uma didática diferenciada. Ele usava a arte do ilusionismo como forma de expressão de liberdade, de convite à amizade e de valorização da pessoa. A “mágica” foi a primeira demonstração de amor para com a juventude. O objetivo de João Bosco era fazer com que houvesse interesse por suas mensagens e, assim, os jovens fossem atraídos para a igreja, a escola ou para uma conversa edificadora. Ele tinha um espírito eminentemente contagiante, uma pedagogia dinâmica, em ação. E as pessoas se apaixonavam por ele e por suas ações. Isso devia acontecer sem que se quebrassem o encanto, a vivacidade e a espontaneidade próprios da “mágica”. Era um recurso para conquistar amigos. Tinha a capacidade de atrair, serviam para persuadir seus amigos a frequentarem as práticas de piedade e a encaminhá-los para um mundo de valores. Com a “mágica”, ele aguçava a curiosidade de todos.   Em todos os lugares, Dom Bosco era portador de uma alegria contagiante. Seus modos gentis e cordiais cativavam a todos. Nas ruas, nas praças, nos lugares onde podia, encontrava os jovens, todos disputavam sua presença, inclusive pelos belos espetáculos que sabia fazer. Isso era levado pela sua paixão de querer conquistar a confiança dos jovens e o desejo de, por meio do lúdico, comunicar valores.   Esse é o papel do bom educador, comunicador que deseja transmitir valores. Ele sabia muito bem qual o objetivo a ser alcançado. Hoje essas práticas poderão ser usadas em qualquer ambiente, seja em uma empresa, na escola, na sociedade em geral: usar de meios lúdicos e saudáveis para criar sinergia na equipe. Dom Bosco, como foi conhecido mais tarde, é um dos maiores líderes educadores, e podemos tê-lo como exemplo de liderança. Um líder que, ao relacionar-se diretamente com seus liderados, fale a linguagem deles, e mais, que esteja efetivamente com seus colaboradores. Padroeiro dos Ilusionistas São João Bosco é um dos santos mais populares da Igreja Católica e do mundo e, além de ser aclamado “Pai e Mestre da Juventude”, é também padroeiro dos ilusionistas. A homenagem surgiu de alguns “mágicos” da Espanha que, conhecendo as histórias dele com o ilusionismo, o aclamaram padroeiro universal dos ilusionistas. Na infância, João Bosco era considerado um “menino prodígio” da educação e, por meio das mágicas e das histórias narradas por sua mãe, mantinha os seus colegas afastados do mal. Para ganhar a estima e a confiança dos amigos, percorria mercados e feiras para observar “os jogos de prestidigitação e de habilidade”, descobrir truques e, em seguida, tornar-se capaz de realizá-los. Segundo a história, João Bosco até pagava mais caro para ter o direito de ficar bem na frente, a fim de observar melhor os espetáculos. Em casa, esforçava-se para conseguir o material necessário para praticar (MB I, p. 104-106). Sua especialidade consistia em fazer desaparecer objetos e trazê-los de volta. Muitas vezes, após ter enchido a garrafa de vinho, ao derramá-la no copo, dava-se conta de que era pura água. Quando queria beber água, deparava com o copo cheio de vinho [...]. João Bosco organizava brincadeiras com jogos de ilusionismo, e todos se divertiam (Ibidem). Nas casas de família e nas reuniões de jovens, havia disputa por sua presença. Portador de uma alegria contagiante, sua gentileza e cordialidade eram cativantes. Graças ao interesse de Dom Bosco pelos jogos de prestidigitação e de habilidade, em 31 de janeiro, data do falecimento do santo (1888), comemora-se o Dia do Ilusionista. REFERÊNCIAS BOSCO, Giovanni. (org. Eugenio Ceria). Epistolario. v. 1: de 1835 a 1868 (1955. p. XII-624); v. 2: de 1869 a 1875 (1956. p. IV-556): v. 3: de 1876 a 1880 (1958, p. IV-671); v. 4: de 1881 a 1888 (1959. pp. VI-647). Torino: SEI, 1955-1959.
Salesianidade
Sexta, 26 Abril 2013 21:51

Missão em curso

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  “Para muitas milhares de pessoas, ao longo destes 130 anos, a importância da chegada dos salesianos ao Brasil foi incalculável: traçou o rumo de sua vida, e o de uma multidão de outras pessoas que se beneficiaram com a sua presença” (padre Wolfgang Gruen).   Em 2013, comemoram-se 130 anos da presença salesiana no Brasil. Para dimensionar a importância desse momento, alguns resgates históricos são ferramentas valiosas. As diretrizes políticas da nação, ainda monárquica, sofriam os efeitos das pressões políticas mundiais e das transformações pelas quais o mundo passava. O Brasil começava a fazer parte da economia internacional. Poucos anos mais tarde, o país se tornaria uma República e todas essas mudanças afetariam a sociedade. “Em 1877, o bispo do Rio de Janeiro, dom Pedro Maria de Lacerda, pediu a Dom Bosco que mandasse salesianos à sua diocese, para começar um trabalho com jovens necessitados de amparo. Dom Bosco só pôde atendê-lo em 1883, quando os primeiros salesianos se estabeleceram em Niterói, RJ”, relata o padre Wolfgang Gruen. Em 14 de julho daquele ano, chegava o primeiro grupo de salesianos, guiado por padre Luís Lasagna, personagem que foi essencial para o desenvolvimento da obra salesiana no Brasil (ver box).  
  O Papa Francisco recebeu em audiência, no dia 27 de março, o cardeal Angelo Amato SDB, prefeito da Congregação das Causas dos Santos. Durante a audiência, o Sumo Pontífice autorizou a Congregação das Causas a promulgar o decreto sobre o martírio do servo de Deus (SdeD), senhor Estêvão Sándor. Leigo professo da Sociedade de São Francisco de Sales (Salesianos de Dom Bosco), Estêvão, nasceu em Szolnok (Hungria), no dia 26 de outubro de 1914, e foi justiçado por ódio à Fé, em Budapeste (Hungria), no dia 8 de junho de 1953.   Tendo conhecido Dom Bosco por meio do Boletim Salesiano, Estêvão Sándor sentiu-se imediatamente atraído pelo carisma salesiano. Em 1936 foi aceito no Clarisseum, de Budapeste, onde fez o aspirantado por dois anos, frequentando na Escola de Artes Gráficas ‘Dom Bosco’ o curso de técnico-impressor. Iniciou o noviciado, que teve de interromper por convocação às forças armadas. Em 1939 recebeu a dispensa definitiva e, terminado o noviciado, fez a primeira profissão no dia 8 de setembro de 1940,  como salesiano irmão.   Destinado ao Clarisseum, empenhou-se ativamente no ensino dos cursos profissionais. Teve também como encargo a assistência no oratório. Foi promotor da Juventude Operária Católica. Finda a Segunda Guerra Mundial, empenhou-se na reconstrução material e moral da sociedade húngara, dedicando-se especialmente aos jovens mais pobres, que reunia e lhe ensinava um ofício.   Quando em 1949, o Estado, sob Mátyás Rákosi, se adonou dos bens eclesiásticos, e, mais, iniciaram as perseguições contra as escolas católicas, Sándor buscou salvar o salvável. Mas de golpe os religiosos viram-se destituídos de tudo e tiveram que se dispersar. Também Estêvão teve de abandonar a sua tipografia – que com o tempo se tornara bem conhecida – e “desaparecer”; mas, ao invés de refugiar-se no exterior, ficou no país para continuar  trabalhando pela juventude húngara. Conseguiu um emprego em uma fábrica de detergentes, na Capital, continuando impávido e clandestinamente o seu apostolado, embora sabendo que era uma atividade rigorosamente proibida. Em julho de 1952 foi preso no seu posto de trabalho e nunca mais foi visto pelos coirmãos. Um documento oficial certifica o processo e a condenação à morte, executada por enforcamento, no dia 8 de junho de 1953.   O ‘iter’ agora prevê a preparação do Decreto de martírio aos cuidados da Congregação das Causas dos Santos, em colaboração com o postulador geral. Sucessivamente será marcada a data da cerimônia de beatificação, visto que se tratando de um mártir não se exige milagre. O sacrifício total no ato do martírio, como testemunho máximo de fé cristã, considera-se o ato supremo da ‘sequela de Cristo’.   InfoANS
Sexta, 08 Março 2013 13:41

Entrevista com o Reitor-mor

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Na ocasião de sua visita ao Brasil, o Reitor-mor Padre Pascual Chavez concedeu entrevista ao salesiano cooperador Carlos Minozzi, da Paróquia Sta. Terezinha, na Zona Norte de São Paulo. A abordagem da entrevista diz respeito ao papa Bento XVI em relação à Família Salesiana, trazendo ainda, uma análise sob a perspectiva salesiana à sucessão da Igreja.   1 – Em sua mensagem sobre a renúncia do Papa, o senhor disse que Bento XVI foi muito generoso com ações para a Família. O senhor pode mencionar alguns desses feitos que Bento XVI fez durante seu papado direcionada à Família Salesiana?   O Santo Padre Bento XVI é uma pessoa que ama a nossa Congregação e a nossa Família Salesiana. Em um encontro pessoal com ele, onde eu coloquei a sua atenção para a figura de Mamãe Margarida, mostrou-se estar muito familiarizado com a vida de Dom Bosco e de sua santa mãe. Eu o encontrei várias vezes durante suas férias na nossa casa salesiana de Les Combes, e todos os anos na nossa paróquia de Castel Gandolfo, no dia da festa de Nossa Senhora da Assunção. Eu sempre achei nele um homem e um pai de grande bondade e muita gentileza, um verdadeiro ícone do amor de Deus.
Terça, 12 Fevereiro 2013 13:41

Os jovens “pobres e abandonados” que Dom Bosco conheceu

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  A Campanha da Fraternidade 2013 prepara outro grande acontecimento para a Igreja Católica: a Jornada Mundial da Juventude. Mas, para a Família Salesiana de Dom Bosco, o tema “Juventude” vai muito além destes eventos.   Neste ano teremos um evento eclesial muito importante para a vida da Igreja no Brasil. Trata-se da Jornada Mundial da Juventude, que será realizada em julho, no Rio de Janeiro. A Igreja se prepara para este grande evento por meio da Campanha da Fraternidade, retomando o tema Juventude e propondo-se a olhar a realidade dos jovens. Vivemos uma mudança de época, em que a exclusão social ainda é muito grande e os jovens sofrem com os desafios do impacto cultural e das relações midiáticas. A CF13 tem como objetivo geral “acolher os jovens no contexto de mudança de época, propiciando caminhos para o seu protagonismo no seguimento de Jesus Cristo, na vivência eclesial e na construção de uma sociedade fraterna fundamentada na cultura da vida, da justiça e da paz”. Nós, da Família Salesiana de Dom Bosco estamos empenhados, a convite do reitor-mor, a viver no ano de 2013 “como Dom Bosco educador, oferecendo aos jovens o Evangelho da alegria mediante a pedagogia da bondade”. Vejam que existe um entrelaçamento de ideias, de desejos e de vontade de mudanças. O tema juventude esteve sempre presente na Congregação Salesiana, fundada por Dom Bosco, desde as suas origens, em 1841. Para nós, da Família Salesiana de Dom Bosco, o tema juventude faz parte da nossa missão. Não é só uma campanha.  
Sexta, 01 Fevereiro 2013 12:25

Santos salesianos do calendário litúrgico

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  O postulador geral da Família Salesiana, padre Pierluigi Cameroni, apresenta as ocorrências litúrgicas dos santos salesianos do mês de fevereiro, com a lembrança dos Salesianos defuntos, repetindo a ação realizada no mês de janeiro. Leia abaixo sobre as figuras de santidade salesiana que o calendário litúrgico traz em fevereiro. 1° de fevereiro: salesianos defuntos A lembrança dos salesianos defuntos une, na “caridade que não passa”, aqueles que são ainda peregrinos com aqueles que já descansam no Senhor. É na fé do Senhor Ressuscitado que vivemos esta comemoração, que se faz ação de graças, memória viva, custódia de uma preciosa herança carismática. Ser com eles discípulos de Dom Bosco e partilhar o mesmo projeto evangélico das Constituições é para nós estímulo e auxílio na caminhada de santificação e no propósito decidido e eficaz, de continuar firmes na vocação até a morte.   7 de fevereiro: beato Pio IX   O papa com o qual Dom Bosco teve de tratar durante a maior parte da sua vida foi o beato Pio IX, que foi papa entre os anos de 1846 a 1878. O amor de Dom Bosco pelo Papa nascia de uma profunda visão de fé. É típica a sua insistência com os meninos: “Não griteis “Viva Pio IX”; gritai antes  “Viva o Papa!”. As verdades da fé que Pio IX com força reafirmou foram fundamentalmente três: a proclamação da Imaculada Conceição de Maria (1854); a centralidade da pessoa de Cristo no documento conhecido como Sílabo (1864); a missão do Papa como supremo mestre da fé (1870 – Concílio Vaticano I). São verdades especialmente atuais, porque estão na base do reconhecimento da dignidade da pessoa humana, feita à imagem e semelhança de Deus.   9 de fevereiro: beata irmã Eusébia Palomino   A fé dessa Filha de Maria Auxiliadora (FMA) é gigantesca e transparece de modo especial no eficacíssimo apostolado desenvolvido sobretudo nos anos de Valverde del Camino (Espanha) com um empenho formidável na catequese, colhendo a presença de Deus na natureza e celebrando-lhe o amor providencial; na difusão da prática do Rosário das Chagas; e em um amor filial a Maria, inspirando-se no Tratado da verdadeira devoção, de São Luís Grignon de Monfort. Sentia-se um como “Cristóvão Colombo” da fé e da evangelização, que sulca os mares para a salvação das Gentes: “Comovia-me ao ver aquele herói zarpar daquela costa e levar, a terras desconhecidas, operários do evangelho, para difundir a Semente evangélica e estender o Reino de Jesus Cristo por sobre toda a terra. Naquele momento sentia-me como de fogo e nada me teria custado pôr-me em uma pequena barca e ir-me àquelas terras em busca de ovelhas de Cristo”. A vida e o testemunho da irmã  Eusébia foram uma verdadeira semente, florescida em vigorosa árvore, em cujos ramos tantos encontraram e encontram descanso e vigor.   25 de fevereiro: festa dos Santos Luís Versíglia e Calisto Caravário   No dia do seu martírio, celebramos a festa dos protomártires salesianos que realizaram a visão profética de Dom Bosco, que, sonhando os seus filhos empenhados no Extremo Oriente, vaticinou frutos maravilhosos,  mas também falou de “cálices cheios de sangue”. Os dois Mártires Salesianos deram a sua vida pela salvação e a integridade moral do próximo, colocando-se na defesa de três jovens alunas da missão: eles defenderam com o seu sangue a opção responsável da castidade, operada naquelas jovens, em perigo de cair nas mãos de quem não as teriam respeitado. A oferta suprema da vida amadureceu na cotidianidade de uma existência vivida na presença de Deus e no sacrifício generoso de si. O padre Calisto, partindo de Timor para a China, repetiu mais de uma vez aos seus colegas: “Vamos, preparemo-nos para morrer mártires na China”. E uma vez em sua nova missão, apesar de enfraquecido pelas febres e cansado pela viagem, pôs-se logo a trabalhar, empenhando-se na assistência aos meninos. Dom Versíglia manifestou o seu grande espírito de fé sobretudo no desenvolvimento da missão a ele confiada. Perante as dificuldades, a falta de meios e a exiguidade de forças, exclamava: “Deus está conosco, temos a Virgem Auxiliadora e temos além disso um grande tesouro e uma inexaurível riqueza: o espírito de Dom Bosco”.   Na seção de sdb.org dedicada à santidade estão disponíveis outras informações e subsídios sobre os santos salesianos.   Leia também: Santos salesianos do calendário litúrgico   InfoANS  
Quinta, 31 Janeiro 2013 18:09

A mágica de Dom Bosco

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Hoje se fala muito de comunicação moderna, marketing de relacionamento, de atividades lúdicas para aproximar as pessoas, o famoso “quebra-gelo”, de técnica de animação. Tudo isso é atual, mas Dom Bosco, no século XIX, de certa forma, usava o ilusionismo para chegar às pessoas. “Matar um pássaro, esmagá-lo e pô-lo a voar vivo e sadio era uma das brincadeiras que sabia fazer com frequência. Da mesma garrafa, tirava vinho branco e tinto, a pedido dos presentes. Um dia, enfrentou o desafio de fazer desaparecer um grande prato de ravióli preparado na cozinha e fazê-lo aparecer numa outra casa da vila” (MB I, p. 348). Esse era São João Bosco que, para educar, evangelizar e atrair a atenção dos jovens, principalmente os menos favorecidos, tinha uma didática diferenciada. Ele usava a arte do ilusionismo como forma de expressão de liberdade, de convite à amizade e de valorização da pessoa. A “mágica” foi a primeira demonstração de amor para com a juventude. O objetivo de João Bosco era fazer com que houvesse interesse por suas mensagens e, assim, os jovens fossem atraídos para a igreja, a escola ou para uma conversa edificadora. Ele tinha um espírito eminentemente contagiante, uma pedagogia dinâmica, em ação. E as pessoas se apaixonavam por ele e por suas ações. Isso devia acontecer sem que se quebrassem o encanto, a vivacidade e a espontaneidade próprios da “mágica”. Era um recurso para conquistar amigos. Tinha a capacidade de atrair, serviam para persuadir seus amigos a frequentarem as práticas de piedade e a encaminhá-los para um mundo de valores. Com a “mágica”, ele aguçava a curiosidade de todos.   Em todos os lugares, Dom Bosco era portador de uma alegria contagiante. Seus modos gentis e cordiais cativavam a todos. Nas ruas, nas praças, nos lugares onde podia, encontrava os jovens, todos disputavam sua presença, inclusive pelos belos espetáculos que sabia fazer. Isso era levado pela sua paixão de querer conquistar a confiança dos jovens e o desejo de, por meio do lúdico, comunicar valores.   Esse é o papel do bom educador, comunicador que deseja transmitir valores. Ele sabia muito bem qual o objetivo a ser alcançado. Hoje essas práticas poderão ser usadas em qualquer ambiente, seja em uma empresa, na escola, na sociedade em geral: usar de meios lúdicos e saudáveis para criar sinergia na equipe. Dom Bosco, como foi conhecido mais tarde, é um dos maiores líderes educadores, e podemos tê-lo como exemplo de liderança. Um líder que, ao relacionar-se diretamente com seus liderados, fale a linguagem deles, e mais, que esteja efetivamente com seus colaboradores. Padroeiro dos Ilusionistas São João Bosco é um dos santos mais populares da Igreja Católica e do mundo e, além de ser aclamado “Pai e Mestre da Juventude”, é também padroeiro dos ilusionistas. A homenagem surgiu de alguns “mágicos” da Espanha que, conhecendo as histórias dele com o ilusionismo, o aclamaram padroeiro universal dos ilusionistas. Na infância, João Bosco era considerado um “menino prodígio” da educação e, por meio das mágicas e das histórias narradas por sua mãe, mantinha os seus colegas afastados do mal. Para ganhar a estima e a confiança dos amigos, percorria mercados e feiras para observar “os jogos de prestidigitação e de habilidade”, descobrir truques e, em seguida, tornar-se capaz de realizá-los. Segundo a história, João Bosco até pagava mais caro para ter o direito de ficar bem na frente, a fim de observar melhor os espetáculos. Em casa, esforçava-se para conseguir o material necessário para praticar (MB I, p. 104-106). Sua especialidade consistia em fazer desaparecer objetos e trazê-los de volta. Muitas vezes, após ter enchido a garrafa de vinho, ao derramá-la no copo, dava-se conta de que era pura água. Quando queria beber água, deparava com o copo cheio de vinho [...]. João Bosco organizava brincadeiras com jogos de ilusionismo, e todos se divertiam (Ibidem). Nas casas de família e nas reuniões de jovens, havia disputa por sua presença. Portador de uma alegria contagiante, sua gentileza e cordialidade eram cativantes. Graças ao interesse de Dom Bosco pelos jogos de prestidigitação e de habilidade, em 31 de janeiro, data do falecimento do santo (1888), comemora-se o Dia do Ilusionista. REFERÊNCIAS BOSCO, Giovanni. (org. Eugenio Ceria). Epistolario. v. 1: de 1835 a 1868 (1955. p. XII-624); v. 2: de 1869 a 1875 (1956. p. IV-556): v. 3: de 1876 a 1880 (1958, p. IV-671); v. 4: de 1881 a 1888 (1959. pp. VI-647). Torino: SEI, 1955-1959.