Jacarezinho: uma história salesiana de amor aos jovens

Quinta, 15 Novembro 2012 11:21 Escrito por  Equipe de Comunicação da ISJB
  Estima-se que mais de 70 mil pessoas morem no Jacarezinho, na capital do Rio de Janeiro. A população enfrenta vários problemas sociais, como a precariedade na saúde pública, a violência e a inexistência de educação pública que atenda a população. É neste cenário que os salesianos se fazem presentes junto aos jovens.   Na década de 1950, o padre salesiano Nelson Carlos Del Mônaco visitou pela primeira vez o Jacarezinho, a segunda maior comunidade da capital do Rio de Janeiro e também da América Latina. Lá viu que os trabalhos dos salesianos poderiam ser muito produtivos, sendo que a população necessitava (e necessita) de amparo. O salesiano começou o empreendimento com a ajuda de alguns empresários e, poucos anos depois, estavam prontos o prédio da escola e uma paróquia – única igreja católica no local. No alto da residência, onde atualmente estão os padres Antônio Maria de Ávila, Dário Ferreira da Silva e Carlos Sebastião da Silva, é possível ver uma parte da comunidade, na zona sul do Rio de Janeiro. A presença salesiana no coração do Jacarezinho leva o título de Obras Profissionais Santa Rita de Cássia, e se divide na Escola Alberto Monteiro de Carvalho e na Paróquia Nossa Senhora Auxiliadora. A escola conta hoje com 255 alunos e 26 educadores; já a paróquia possui atividades para toda a comunidade, que participa especialmente das pastorais e do Oratório. A escola passou por uma reestruturação recente, com a construção de um prédio de três andares, instalações, salas de aula e mobiliário novos. Durante a construção, a coordenadora administrativa da escola, Cristiane Gomes, lembra que houve muitas dificuldades, mas que isso nunca esmoreceu os trabalhos: “Quando algum caminhão tinha que trazer os materiais de construção, por exemplo, precisávamos fechar a rua, pois o espaço era pequeno. Nessas situações tínhamos de conversar com os comerciantes, moradores e até mesmo com os traficantes”, relembra.  

Novo espaço

Hoje a nova escola exibe o sorriso e a alegria estampados nos rostos dos alunos, uma motivação a mais para a educação. “Agradeço por nos presentearem com uma escola tão linda. Foi uma forma de mostrar o quanto somos importantes”, ressalta o aluno Diego de Lima Alves, do 5º ano. O aluno Leonardo Luiz, do 7º ano, também elogia: “O novo prédio é uma inspiração para os alunos, professores e padres. Agora podemos fazer diversas coisas como: olimpíadas, torneios, Educação Física, brincadeiras etc.”

A coordenadora pedagógica da escola, Adriana Tiago, traça uma divisão clara entre a Escola Alberto Monteiro de Carvalho de antes e a de agora, após a construção do novo prédio: “Os educadores mesmo com toda dificuldade e pouco espaço tentaram fazer das aulas momentos prazerosos, mas tiveram de conviver com alunos agitados e sem concentração, o que refletiu no resultado”, relembra. Havia ainda o barulho do pátio, que era muito próximo às salas de aula, e a inexistência de um espaço próprio para as aulas de Educação Física. “Com uma semana no prédio novo, os professores comentaram sobre a diferença das aulas. Os alunos estão mais tranquilos e concentrados, a aula rende e eles estão produzindo muito mais. Sem falar nas atividades extraclasse, que agora são realizadas em lugares apropriados; no parquinho novo e há também o terraço”, comemora a educadora.

Desde os primeiros passos da construção da antiga escola, até a manutenção e a construção do novo prédio, a Inspetoria São João Bosco (mantenedora da unidade) sempre recebeu o apoio de muitos benfeitores. Os diretores e gestores da empresa Monteiro Aranha acreditaram no projeto desde o início. E para a construção do novo prédio e a compra de todo o mobiliário, colaboraram a procuradoria salesiana Jugendhilfe Weltweit e grupo Carlo Marchini de Brescia. “Os benfeitores são uma parte essencial nos trabalhos que desenvolvemos aqui no Jacarezinho”, ressalta o padre Carlos Sebastião da Silva, atual diretor da unidade.

Hoje, a escola Alberto Monteiro de Carvalho colhe os frutos dos trabalhos desenvolvidos junto com os jovens do Jacarezinho. Milhares de educandos passaram pela escola, e muitos desenvolveram, com excelência, o seu projeto de vida.

 

Educar é coisa do coração

Anderson Farias Pererira, ex-aluno da Escola Salesiana Alberto Monteiro de Carvalho, relembra os tempos de colégio e dá seu recado aos atuais alunos.

“Por minha mãe ser funcionária do colégio, tive bolsa de estudos. Devo dizer, sem muita modéstia, que me dediquei bastante e fiz valer esse auxílio. Terminado o ensino fundamental, fui aprovado em uma escola técnica federal, o CEFET. A partir daí, dei passos maiores: atualmente estudo Engenharia de Materiais na Universidade Federal do Rio de Janeiro. Como a vida é cheia de surpresas... fui aprovado em um processo de intercâmbio e embarco amanhã (28 de agosto de 2012) rumo ao Canadá, onde farei um ano do meu curso superior.

Como ex-aluno, trago ainda muitas lições de minha vivência educacional. A primeira é que devemos dar o máximo de nós mesmos e aproveitar todas as oportunidades que nos são dadas. Por isso me dirijo aos alunos atuais: encontra-se diante de vocês uma oportunidade muito boa, uma instituição de ensino de qualidade, acessível a todos. O fato de estarmos em uma comunidade carente não representa um empecilho para os seus sonhos. Pelo contrário, deve ser mais um motivador. Mas corra atrás, pois o maior responsável pela sua formação é você. E muitos que vieram antes de vocês e de mim passaram pelas mesmas dificuldades devido a sua origem carente, mas venceram essas barreiras.

Por fim, algo que me vem à memória quando penso em meu tempo de estudo aqui é uma camisa com os dizeres: ‘Educar é coisa do coração’. Pode parecer simples, mas essa pequena frase nos reforça que educador ‘é mais que um mero dispensador de regras e informação. A educação necessita de um ambiente de diálogo, coesão e escuta, onde o jovem se sinta valorizado e aprenda a apreciar os irmãos.’Isso não tem sua origem em metodologias de ensino ou correntes pedagógicas modernas... Como dizia Dom Bosco: ‘Educar é coisa do coração!!!’”.

 

História do fundador, padre Nelson Carlos

Filho de uma família numerosa de 15 irmãos, Nelson Carlos Del Mônaco nasceu em Lorena, SP, em 8 de julho de 1911. No dia 28 de janeiro de l929, tornou-se Salesiano de Dom Bosco. Teve seu primeiro contato com a comunidade do Jacarezinho em 1955, e nunca mais a deixou. Revelou-se um empreendedor corajoso, grande educador e evangelizador. Antes de morar no Jacarezinho, padre Nelson residia no Colégio Salesiano no Riachuelo e visitava frequentemente a comunidade, pois o Jacarezinho era uma capelania da Paróquia São João Bosco. As visitas, aos poucos, foram se transformando em uma bela missão evangelizadora.

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Última modificação em Quinta, 22 Novembro 2012 09:00

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Jacarezinho: uma história salesiana de amor aos jovens

Quinta, 15 Novembro 2012 11:21 Escrito por  Equipe de Comunicação da ISJB
  Estima-se que mais de 70 mil pessoas morem no Jacarezinho, na capital do Rio de Janeiro. A população enfrenta vários problemas sociais, como a precariedade na saúde pública, a violência e a inexistência de educação pública que atenda a população. É neste cenário que os salesianos se fazem presentes junto aos jovens.   Na década de 1950, o padre salesiano Nelson Carlos Del Mônaco visitou pela primeira vez o Jacarezinho, a segunda maior comunidade da capital do Rio de Janeiro e também da América Latina. Lá viu que os trabalhos dos salesianos poderiam ser muito produtivos, sendo que a população necessitava (e necessita) de amparo. O salesiano começou o empreendimento com a ajuda de alguns empresários e, poucos anos depois, estavam prontos o prédio da escola e uma paróquia – única igreja católica no local. No alto da residência, onde atualmente estão os padres Antônio Maria de Ávila, Dário Ferreira da Silva e Carlos Sebastião da Silva, é possível ver uma parte da comunidade, na zona sul do Rio de Janeiro. A presença salesiana no coração do Jacarezinho leva o título de Obras Profissionais Santa Rita de Cássia, e se divide na Escola Alberto Monteiro de Carvalho e na Paróquia Nossa Senhora Auxiliadora. A escola conta hoje com 255 alunos e 26 educadores; já a paróquia possui atividades para toda a comunidade, que participa especialmente das pastorais e do Oratório. A escola passou por uma reestruturação recente, com a construção de um prédio de três andares, instalações, salas de aula e mobiliário novos. Durante a construção, a coordenadora administrativa da escola, Cristiane Gomes, lembra que houve muitas dificuldades, mas que isso nunca esmoreceu os trabalhos: “Quando algum caminhão tinha que trazer os materiais de construção, por exemplo, precisávamos fechar a rua, pois o espaço era pequeno. Nessas situações tínhamos de conversar com os comerciantes, moradores e até mesmo com os traficantes”, relembra.  

Novo espaço

Hoje a nova escola exibe o sorriso e a alegria estampados nos rostos dos alunos, uma motivação a mais para a educação. “Agradeço por nos presentearem com uma escola tão linda. Foi uma forma de mostrar o quanto somos importantes”, ressalta o aluno Diego de Lima Alves, do 5º ano. O aluno Leonardo Luiz, do 7º ano, também elogia: “O novo prédio é uma inspiração para os alunos, professores e padres. Agora podemos fazer diversas coisas como: olimpíadas, torneios, Educação Física, brincadeiras etc.”

A coordenadora pedagógica da escola, Adriana Tiago, traça uma divisão clara entre a Escola Alberto Monteiro de Carvalho de antes e a de agora, após a construção do novo prédio: “Os educadores mesmo com toda dificuldade e pouco espaço tentaram fazer das aulas momentos prazerosos, mas tiveram de conviver com alunos agitados e sem concentração, o que refletiu no resultado”, relembra. Havia ainda o barulho do pátio, que era muito próximo às salas de aula, e a inexistência de um espaço próprio para as aulas de Educação Física. “Com uma semana no prédio novo, os professores comentaram sobre a diferença das aulas. Os alunos estão mais tranquilos e concentrados, a aula rende e eles estão produzindo muito mais. Sem falar nas atividades extraclasse, que agora são realizadas em lugares apropriados; no parquinho novo e há também o terraço”, comemora a educadora.

Desde os primeiros passos da construção da antiga escola, até a manutenção e a construção do novo prédio, a Inspetoria São João Bosco (mantenedora da unidade) sempre recebeu o apoio de muitos benfeitores. Os diretores e gestores da empresa Monteiro Aranha acreditaram no projeto desde o início. E para a construção do novo prédio e a compra de todo o mobiliário, colaboraram a procuradoria salesiana Jugendhilfe Weltweit e grupo Carlo Marchini de Brescia. “Os benfeitores são uma parte essencial nos trabalhos que desenvolvemos aqui no Jacarezinho”, ressalta o padre Carlos Sebastião da Silva, atual diretor da unidade.

Hoje, a escola Alberto Monteiro de Carvalho colhe os frutos dos trabalhos desenvolvidos junto com os jovens do Jacarezinho. Milhares de educandos passaram pela escola, e muitos desenvolveram, com excelência, o seu projeto de vida.

 

Educar é coisa do coração

Anderson Farias Pererira, ex-aluno da Escola Salesiana Alberto Monteiro de Carvalho, relembra os tempos de colégio e dá seu recado aos atuais alunos.

“Por minha mãe ser funcionária do colégio, tive bolsa de estudos. Devo dizer, sem muita modéstia, que me dediquei bastante e fiz valer esse auxílio. Terminado o ensino fundamental, fui aprovado em uma escola técnica federal, o CEFET. A partir daí, dei passos maiores: atualmente estudo Engenharia de Materiais na Universidade Federal do Rio de Janeiro. Como a vida é cheia de surpresas... fui aprovado em um processo de intercâmbio e embarco amanhã (28 de agosto de 2012) rumo ao Canadá, onde farei um ano do meu curso superior.

Como ex-aluno, trago ainda muitas lições de minha vivência educacional. A primeira é que devemos dar o máximo de nós mesmos e aproveitar todas as oportunidades que nos são dadas. Por isso me dirijo aos alunos atuais: encontra-se diante de vocês uma oportunidade muito boa, uma instituição de ensino de qualidade, acessível a todos. O fato de estarmos em uma comunidade carente não representa um empecilho para os seus sonhos. Pelo contrário, deve ser mais um motivador. Mas corra atrás, pois o maior responsável pela sua formação é você. E muitos que vieram antes de vocês e de mim passaram pelas mesmas dificuldades devido a sua origem carente, mas venceram essas barreiras.

Por fim, algo que me vem à memória quando penso em meu tempo de estudo aqui é uma camisa com os dizeres: ‘Educar é coisa do coração’. Pode parecer simples, mas essa pequena frase nos reforça que educador ‘é mais que um mero dispensador de regras e informação. A educação necessita de um ambiente de diálogo, coesão e escuta, onde o jovem se sinta valorizado e aprenda a apreciar os irmãos.’Isso não tem sua origem em metodologias de ensino ou correntes pedagógicas modernas... Como dizia Dom Bosco: ‘Educar é coisa do coração!!!’”.

 

História do fundador, padre Nelson Carlos

Filho de uma família numerosa de 15 irmãos, Nelson Carlos Del Mônaco nasceu em Lorena, SP, em 8 de julho de 1911. No dia 28 de janeiro de l929, tornou-se Salesiano de Dom Bosco. Teve seu primeiro contato com a comunidade do Jacarezinho em 1955, e nunca mais a deixou. Revelou-se um empreendedor corajoso, grande educador e evangelizador. Antes de morar no Jacarezinho, padre Nelson residia no Colégio Salesiano no Riachuelo e visitava frequentemente a comunidade, pois o Jacarezinho era uma capelania da Paróquia São João Bosco. As visitas, aos poucos, foram se transformando em uma bela missão evangelizadora.

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