Tuesday, 15 January 2013 18:28

Aprendamos com tudo o que nos acontece

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  Todos os meses, o reitor-mor dos Salesianos escreve aos leitores do Boletim Salesianoum artigo para leitura e reflexão. No segundo ano de preparação para o bicentenário de nascimento de Dom Bosco, a proposta é debruçar-se sobre a pedagogia do Santo dos Jovens. Neste primeiro artigo, Dom Bosco se apresenta:   Falando sobre mim e a minha história, devo começar pelos primeiros anos de vida. Anos belos e difíceis, anos nos quais aprendi a ser jovem e homem.   Posso dizer-te com muita simplicidade: aquele Dom Bosco que, talvez, já conheças em parte, o Dom Bosco que um dia será padre, educador e amigo dos jovens, aprendeu de muitas coisas que lhe aconteceram precisamente nos primeiros anos.  
Por ocasião do Dia Mundial de Oração e de Ação pelas Crianças e pelos Jovens do mundo, o reitor-mor, padre Páscual Chavez, convida todas as comunidades salesianas do mundo a aumentar seu próprio empenho pela promoção e tutela do direito ao Registro de Nascimento de todas as crianças e jovens.   "Caríssimos irmãos, irmãs, salesianos, salesianas, membros da Família Salesiana, jovens empenhados no voluntariado, no dia 20 de novembro, em todo o mundo, celebra-se o Dia Internacional da Infância, aniversário que é da adoção da Convenção da ONU sobre os Direitos da Infância e da Adolescência (CRC) de 1989.   Desde 2009, o dia 20 de novembro é também ocasião para celebrar o Dia Mundial de Oração e Ação pelas Crianças e Jovens do mundo inteiro.   Tanto em 2010 quanto em 2011, enviei a todos uma mensagem de adesão a esta grande iniciativa inter-religiosa, promovida pela Rede Global das Religiões pela Infância (GNRC) com o apoio de Arigatou International, afirmando que só se os líderes religiosos e todos nós soubermos unir esforços poder-se-á dar uma resposta adequada às dramáticas e maciças violações da dignidade e dos direitos fundamentais das crianças e dos jovens em todo o mundo.   Neste ano, por ocasião do dia 20 de novembro, quero lançar um apelo de oração e de ação: “Por uma promoção universal do direito ao Registro de Nascimento, como instrumento de luta à pobreza e de prevenção à violência contra as crianças: nunca mais crianças e jovens “inexistentes”.   50 milhões de crianças no mundo é como se não existissem, porque o seu nascimento nunca foi registrado em parte alguma. Por isso, elas não podem documentar seu nome, sua nacionalidade, sua idade. E gravíssimas são as consequências de tal omissão: exclusão escolar, não-assistência sanitária, tráfico de crianças e adolescentes, exploração no trabalho, matrimônios precoces, recrutamento forçado. A certidão de nascimento permite a uma pessoa tornar-se cidadão, assegura a proteção e o respeito aos direitos elementares. Os adultos sem registro de nascimento não poderão nunca obter legalmente um passaporte; viajar; casar; ter acesso à educação,  formação,  assistência sanitária; adquirir uma propriedade; herdar; deter um trabalho formal.   Na caminhada de aproximação ao bicentenário de nascimento do nosso santo, para nós, Família Salesiana, é necessário repercorrer em profundidade as pegadas de Dom Bosco, pai e mestre da juventude.   É um patrimônio maravilhoso o que detém a Família Salesiana entre mãos: 15 milhões de meninos e meninas, em 133 países do mundo. Reconhecemo-lo com humildade, mas também com consciência. Como fez Dom Bosco em seu tempo, devemos ser protagonistas da sua salvação.   Anseio por que as comunidades salesianas sejam capazes de promover incisivas alianças, unindo-se a outros homens e mulheres de fé, e sejam força propulsora na criação de uma nova cultura de promoção e proteção aos direitos humanos, sem discriminação alguma, independentemente de qualquer consideração de raça, cor, sexo, língua, religião, opinião política ou outra da criança, de seus pais ou representantes legais, ou da sua origem nacional, étnica ou social, fortuna, incapacidade, nascimento ou de qualquer outra situação” (art. 2, Convenção das Nações Unidas sobre os Direitos da Criança).   Padre Pascual Chávez InfoANS
  A extraordinária “comunidade narrativa” que é a Família Salesiana nasce de um sonho que tem o sabor evangélico de Marcos 9,36-37: “Jesus pegou uma criança, colocou-a no meio deles e, abraçando-a, disse: ‘Quem acolher em meu nome uma destas crianças, estará acolhendo a mim mesmo. E quem me acolher, estará acolhendo, não a mim, mas Àquele que me enviou’”.   Os jovens não são apenas “destinatários”, mas elemento dinâmico essencial para a Família Salesiana. A história salesiana demonstra que o trabalho entre os jovens pobres e abandonados, destinatários privilegiados, atrai as bênçãos de Deus, é fonte de fecundidade carismática e religiosa, de fecundidade vocacional, de regeneração da fraternidade nas comunidades, é o segredo do frescor e do sucesso das obras.  
Wednesday, 10 October 2012 12:42

Conhecer Dom Bosco: as “Companhias” salesianas

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  A extraordinária fecundidade do modelo associativo salesiano   “Como os companheiros que me queriam levar às desordens eram os mais desleixados nos deveres escolares, começaram também a recorrer a mim para que lhes fizesse o favor de lhes emprestar ou ditar o tema da aula. Isso desagradou ao professor, porque minha mal-entendida benevolência favorecia-lhes a preguiça, e me proibiu de ajudá-los. Recorri então a um meio menos prejudicial, isto é, explicar as dificuldades e ajudar os mais atrasados.... Começaram a vir para brincar, depois para ouvir fatos e fazer a tarefa de aula, e, por fim, sem motivo algum, como os de Murialdo e de Castelnuovo. Para dar um nome a essas reuniões, costumávamos chamar-lhe Sociedade da Alegria. O nome vinha a calhar, porque cada sócio tinha a obrigação estrita de arranjar livros e provocar assuntos e brinquedos que pudessem contribuir para estarmos alegres. Tudo o que pudesse ocasionar tristeza, especialmente as coisas contrárias às leis do Senhor, estava proibido. Assim, quem houvesse blasfemado ou tomado o nome do Senhor em vão, ou tido más conversas, era imediatamente expulso da sociedade. Encontrando-me desse modo à testa de uma multidão de companheiros...” (Memórias do Oratório, Primeira Década, 6).  
Wednesday, 12 September 2012 16:27

Conhecer Dom Bosco : A ideia de Cooperador na mente de Dom Bosco

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  Níveis de pertença e compromisso de uma intuição genial: “Eu sempre precisei de todos”!   Dom Bosco não tem receio de pedir. Para poder ir ao seminário faz a primeira coleta da sua vida, a primeira de uma longa série. “Restava provê-lo de hábitos clericais que a pobre Margarida não teria podido comprar-lhe. O padre Cinzano falou sobre isso com alguns paroquianos, e estes aceitaram rapidamente concorrer para a boa obra. O senhor Sartoris deu-lhe a batina, o cavalheiro Pescarmona ofereceu o chapéu, o próprio padre Cinzano deu-lhe a capa, outros lhe compraram a gola e o barrete, outros, as meias, e uma boa senhora recolheu o dinheiro necessário para dotá-lo, ao que parece, de um par de sapatos. Essa é a maneira com que a divina Providência usará em seguida com o nosso João, servindo-se da ajuda de muitos para sustentar o seu servo fiel e todas as obras às quais ele porá as mãos. E nós ouvimos Dom Bosco repetir, mais de uma vez: – Eu sempre precisei de todos!” (Memórias Biográficas I, 367).  
Thursday, 16 August 2012 12:21

Pedagogia da Bondade: a homilia do Reitor-Mor

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  Também neste ano o Reitor-Mor foi ao Colle Don Bosco, Itália, para presidir a Eucaristia no lugar em que nasceu o pequeno João Melchior, que para todos se tornou: Dom Bosco. A celebração marcou oficialmente a passagem do primeiro ao segundo ano de preparação ao bicentenário de seu nascimento; e a passagem do primeiro tema (conhecimento da sua história) ao segundo: o conhecimento da sua pedagogia. A homilia oferece tópicos interessants para a reflexão e a ação do educador salesiano.
A facilidade de comunicação foi posta por Dom Bosco a serviço de educar e evangelizar a juventude.   
O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, em visita ao Brasil nos dias 19 e 20 de março para ampliar e aperfeiçoar as relações políticas e comerciais entre os dois países, durante o discurso aos empresários, recordou o sonho de Dom Bosco sobre a cidade de Brasília. “Brasília é uma cidade jovem, tem apenas 51 anos, mas teve sua origem há mais de um século; em 1883, Dom Bosco teve a visão de que um dia a capital de uma grande nação seria construída entre os paralelos 15 e 20, e que seria o modelo do futuro e daria oportunidades para todos os cidadãos brasileiros”.   
Um pátio, uma igreja, uma escola: a tríade essencial da casa salesiana estava viva e era eficaz desde os iníciosrest of the text "Já em São Francisco de Assis havia percebido a necessidade de uma escola. Há jovens um tanto avançados nos anos, que ainda ignoram as verdades da fé. Para eles, o simples ensino oral é longo e quase sempre aborrecido; por isso com facilidade o deixam. Tentou-se dar-lhes algumas aulas, mas isso não foi possível por falta de locais e de professores que nos quisessem ajudar. No Refúgio, posteriormente na casa Moretta, iniciamos uma escola dominical estável, e também uma escola noturna regular quando nos estabelecemos em Valdocco.Para alcançar um bom resultado, enfrentava-se uma matéria por vez. Por exemplo, fazia-se num ou dois domingos passar e repassar o alfabeto e soletrar; em seguida tomava-se logo o primeiro catecismo e nele fazia-se soletrar e ler até que fossem capazes de entender uma ou duas das primeiras perguntas; essa era a lição para a semana seguinte. E quando chegava o domingo, fazia-se repetir a mesma matéria, acrescentando novas perguntas e respostas. Destarte pude em oito domingos fazer com que alguns chegassem a ler e estudar sozinho páginas inteiras do catecismo" (Memórias do Oratório, 181).  
Sunday, 29 July 2012 09:08

Conhecer Dom Bosco: A Coluna

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A devoção a Maria Auxiliadora e o seu santuário no coração da obra salesiana Certa manhã de maio de 1862, bastante quente, com a habitual habilidade narrativa, Dom Bosco contou: “Imaginem estar comigo na praia, ou melhor, sobre um escolho isolado, não podendo ver ao redor de vocês outra coisa senão o mar. Em toda aquela vasta superfície de água vê-se uma aglomeração de incontáveis naves prontas para a batalha, com as proas revestidas de ferro agudo como se fossem dardos. Essas naves estão armadas com canhões e cargas de fuzis, de armas de todos os tipos, de matérias incendiárias. Elas avançam contra uma nave muito maior e mais alta do que todas, tentando investi-la com aquela espécie de dardos, incendiá-la e fazer nela todos os estragos possíveis. Àquela nave majestosa, completamente adornada, servem de escolta muitas pequenas naves que dela recebem ordens e fazem evoluções para se defenderem da frota adversária. O vento, porém, é-lhes contrário e o mar agitado parece favorecer os inimigos. Em meio à imensa extensão do mar elevam-se das ondas duas grandes colunas, altíssimas, pouco distantes uma da outra. Sobre uma delas está a estátua da Virgem Imaculada, de cujos pés pende um grande cartaz com esta inscrição: ‘Auxilium Christianorum’; sobre a outra, que é muito mais alta e grossa, está uma hóstia de grandeza proporcional à coluna, e embaixo outro cartaz com as palavras: ‘Salus Credentium’. O comandante supremo da grande nave, que é o Romano Pontífice, superando todos os obstáculos, guia a nave entre as duas colunas; depois, com uma corrente que pende da proa liga-a a outra corrente da coluna em que está a Hóstia, e com a outra corrente que pende da popa liga-a do lado oposto a outra corrente que pende da coluna em que a Virgem Imaculada está colocada. Acontece então uma grande confusão: todas as naves fogem, separam-se, chocam-se, destroem-se reciprocamente”. Um nome novo e antigo O padre Álbera testemunha que justamente numa noite de dezembro daquele ano, Dom Bosco, depois de ter atendido as confissões até às 23 horas, desceu para o jantar. Estava pensativo. De repente, disse: “Confessei tanto e, na verdade, quase não sei o que disse ou fiz, tanto estava preocupado com uma ideia. Eu pensava: a nossa igreja é muito pequena; não é capaz de abrigar todos os jovens ou, então, eles ficam escorados uns nos outros. Portanto, faremos outra mais bela, maior, que seja magnífica. Daremos a ela o título: Igreja de Maria SS. Auxiliadora. Eu não tenho um centavo, nem sei onde conseguirei o dinheiro, mas isso não importa. Se Deus a deseja, se fará” (MB 7, 333-334). O projeto foi revelado também ao padre Cagliero: “Até agora, temos celebrado com solenidade e pompa a festa da Imaculada [...]. Nossa Senhora, porém, quer que a honremos sob o título de Maria Auxiliadora: os tempos correm tão tristes, que realmente precisamos que a Virgem SS. nos ajude a conservar e defender a fé cristã” (MB 7, 334). Nos primeiros meses de 1863, foi iniciado o processo para obter as licenças; em 1865, foi colocada a primeira pedra e em 1868, a construção estava pronta. O ícone falante Na decisão de Dom Bosco, não há apenas motivos de ordem prática (ter uma igreja mais ampla) ou político-religiosos (a onda de anticlericalismo feroz que ameaçava a Igreja). O ícone de Maria no quadro de Lorenzone, que domina o altar-mor, exprime bem o sentimento íntimo de Dom Bosco. A sua concepção da história da salvação levava-o a situar a Igreja no coração do mundo, e no coração da Igreja ele contemplava Maria Auxiliadora, a Mãe todo-poderosa, a vencedora do mal. Nossa Senhora sempre esteve presente na vida de Dom Bosco. No sonho dos nove anos, Jesus apresenta-se assim: “Eu sou o Filho dAquela que tua mãe te ensinou a saudar três vezes por dia”. A preferência determinante para o seu culto tem, porém, um ponto preciso de referência: o Santuário de Valdocco. “E esta – escreve E. Viganò – continuará a ser a opção mariana definitiva: o ponto de chegada de um incessante crescimento vocacional e o centro de expansão do seu carisma de fundador. Na Auxiliadora, Dom Bosco reconhece finalmente delineado o rosto da Senhora que deu início à sua vocação e que foi e sempre será a sua Inspiradora e Mestra”.   Maria construiu a sua casa O Santuário de Valdocco torna-se o sinal tangível e real da presença de Maria na vida de Dom Bosco e da Congregação. Ela é a “igreja mãe” da Família Salesiana. O sentimento popular descobre imediatamente o admirável entendimento entre Maria Auxiliadora e Dom Bosco: Maria Auxiliadora será, então, para sempre, a “Nossa Senhora de Dom Bosco”. Raramente aconteceu que um título mariano, quase desconhecido, se difundisse com tanta rapidez em todo o mundo. Dom Bosco dizia humildemente: “Eu não sou o autor das grandes coisas que vocês veem; é o Senhor, é Maria SS. que se dignaram servir-se de um pobre padre. De meu não coloquei nada: Aedificavit sibi domum Maria (Maria construiu para si a sua casa). Cada pedra, cada ornamento indica uma graça”. O Santuário de Valdocco é a igreja que os salesianos do mundo todo veem muito mais com o coração do que com os olhos. É aqui que todos se sentem “em casa”.
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Aprendamos com tudo o que nos acontece

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  Todos os meses, o reitor-mor dos Salesianos escreve aos leitores do Boletim Salesianoum artigo para leitura e reflexão. No segundo ano de preparação para o bicentenário de nascimento de Dom Bosco, a proposta é debruçar-se sobre a pedagogia do Santo dos Jovens. Neste primeiro artigo, Dom Bosco se apresenta:   Falando sobre mim e a minha história, devo começar pelos primeiros anos de vida. Anos belos e difíceis, anos nos quais aprendi a ser jovem e homem.   Posso dizer-te com muita simplicidade: aquele Dom Bosco que, talvez, já conheças em parte, o Dom Bosco que um dia será padre, educador e amigo dos jovens, aprendeu de muitas coisas que lhe aconteceram precisamente nos primeiros anos.  
Por ocasião do Dia Mundial de Oração e de Ação pelas Crianças e pelos Jovens do mundo, o reitor-mor, padre Páscual Chavez, convida todas as comunidades salesianas do mundo a aumentar seu próprio empenho pela promoção e tutela do direito ao Registro de Nascimento de todas as crianças e jovens.   "Caríssimos irmãos, irmãs, salesianos, salesianas, membros da Família Salesiana, jovens empenhados no voluntariado, no dia 20 de novembro, em todo o mundo, celebra-se o Dia Internacional da Infância, aniversário que é da adoção da Convenção da ONU sobre os Direitos da Infância e da Adolescência (CRC) de 1989.   Desde 2009, o dia 20 de novembro é também ocasião para celebrar o Dia Mundial de Oração e Ação pelas Crianças e Jovens do mundo inteiro.   Tanto em 2010 quanto em 2011, enviei a todos uma mensagem de adesão a esta grande iniciativa inter-religiosa, promovida pela Rede Global das Religiões pela Infância (GNRC) com o apoio de Arigatou International, afirmando que só se os líderes religiosos e todos nós soubermos unir esforços poder-se-á dar uma resposta adequada às dramáticas e maciças violações da dignidade e dos direitos fundamentais das crianças e dos jovens em todo o mundo.   Neste ano, por ocasião do dia 20 de novembro, quero lançar um apelo de oração e de ação: “Por uma promoção universal do direito ao Registro de Nascimento, como instrumento de luta à pobreza e de prevenção à violência contra as crianças: nunca mais crianças e jovens “inexistentes”.   50 milhões de crianças no mundo é como se não existissem, porque o seu nascimento nunca foi registrado em parte alguma. Por isso, elas não podem documentar seu nome, sua nacionalidade, sua idade. E gravíssimas são as consequências de tal omissão: exclusão escolar, não-assistência sanitária, tráfico de crianças e adolescentes, exploração no trabalho, matrimônios precoces, recrutamento forçado. A certidão de nascimento permite a uma pessoa tornar-se cidadão, assegura a proteção e o respeito aos direitos elementares. Os adultos sem registro de nascimento não poderão nunca obter legalmente um passaporte; viajar; casar; ter acesso à educação,  formação,  assistência sanitária; adquirir uma propriedade; herdar; deter um trabalho formal.   Na caminhada de aproximação ao bicentenário de nascimento do nosso santo, para nós, Família Salesiana, é necessário repercorrer em profundidade as pegadas de Dom Bosco, pai e mestre da juventude.   É um patrimônio maravilhoso o que detém a Família Salesiana entre mãos: 15 milhões de meninos e meninas, em 133 países do mundo. Reconhecemo-lo com humildade, mas também com consciência. Como fez Dom Bosco em seu tempo, devemos ser protagonistas da sua salvação.   Anseio por que as comunidades salesianas sejam capazes de promover incisivas alianças, unindo-se a outros homens e mulheres de fé, e sejam força propulsora na criação de uma nova cultura de promoção e proteção aos direitos humanos, sem discriminação alguma, independentemente de qualquer consideração de raça, cor, sexo, língua, religião, opinião política ou outra da criança, de seus pais ou representantes legais, ou da sua origem nacional, étnica ou social, fortuna, incapacidade, nascimento ou de qualquer outra situação” (art. 2, Convenção das Nações Unidas sobre os Direitos da Criança).   Padre Pascual Chávez InfoANS
  A extraordinária “comunidade narrativa” que é a Família Salesiana nasce de um sonho que tem o sabor evangélico de Marcos 9,36-37: “Jesus pegou uma criança, colocou-a no meio deles e, abraçando-a, disse: ‘Quem acolher em meu nome uma destas crianças, estará acolhendo a mim mesmo. E quem me acolher, estará acolhendo, não a mim, mas Àquele que me enviou’”.   Os jovens não são apenas “destinatários”, mas elemento dinâmico essencial para a Família Salesiana. A história salesiana demonstra que o trabalho entre os jovens pobres e abandonados, destinatários privilegiados, atrai as bênçãos de Deus, é fonte de fecundidade carismática e religiosa, de fecundidade vocacional, de regeneração da fraternidade nas comunidades, é o segredo do frescor e do sucesso das obras.  
Wednesday, 10 October 2012 12:42

Conhecer Dom Bosco: as “Companhias” salesianas

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  A extraordinária fecundidade do modelo associativo salesiano   “Como os companheiros que me queriam levar às desordens eram os mais desleixados nos deveres escolares, começaram também a recorrer a mim para que lhes fizesse o favor de lhes emprestar ou ditar o tema da aula. Isso desagradou ao professor, porque minha mal-entendida benevolência favorecia-lhes a preguiça, e me proibiu de ajudá-los. Recorri então a um meio menos prejudicial, isto é, explicar as dificuldades e ajudar os mais atrasados.... Começaram a vir para brincar, depois para ouvir fatos e fazer a tarefa de aula, e, por fim, sem motivo algum, como os de Murialdo e de Castelnuovo. Para dar um nome a essas reuniões, costumávamos chamar-lhe Sociedade da Alegria. O nome vinha a calhar, porque cada sócio tinha a obrigação estrita de arranjar livros e provocar assuntos e brinquedos que pudessem contribuir para estarmos alegres. Tudo o que pudesse ocasionar tristeza, especialmente as coisas contrárias às leis do Senhor, estava proibido. Assim, quem houvesse blasfemado ou tomado o nome do Senhor em vão, ou tido más conversas, era imediatamente expulso da sociedade. Encontrando-me desse modo à testa de uma multidão de companheiros...” (Memórias do Oratório, Primeira Década, 6).  
Wednesday, 12 September 2012 16:27

Conhecer Dom Bosco : A ideia de Cooperador na mente de Dom Bosco

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  Níveis de pertença e compromisso de uma intuição genial: “Eu sempre precisei de todos”!   Dom Bosco não tem receio de pedir. Para poder ir ao seminário faz a primeira coleta da sua vida, a primeira de uma longa série. “Restava provê-lo de hábitos clericais que a pobre Margarida não teria podido comprar-lhe. O padre Cinzano falou sobre isso com alguns paroquianos, e estes aceitaram rapidamente concorrer para a boa obra. O senhor Sartoris deu-lhe a batina, o cavalheiro Pescarmona ofereceu o chapéu, o próprio padre Cinzano deu-lhe a capa, outros lhe compraram a gola e o barrete, outros, as meias, e uma boa senhora recolheu o dinheiro necessário para dotá-lo, ao que parece, de um par de sapatos. Essa é a maneira com que a divina Providência usará em seguida com o nosso João, servindo-se da ajuda de muitos para sustentar o seu servo fiel e todas as obras às quais ele porá as mãos. E nós ouvimos Dom Bosco repetir, mais de uma vez: – Eu sempre precisei de todos!” (Memórias Biográficas I, 367).  
Thursday, 16 August 2012 12:21

Pedagogia da Bondade: a homilia do Reitor-Mor

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  Também neste ano o Reitor-Mor foi ao Colle Don Bosco, Itália, para presidir a Eucaristia no lugar em que nasceu o pequeno João Melchior, que para todos se tornou: Dom Bosco. A celebração marcou oficialmente a passagem do primeiro ao segundo ano de preparação ao bicentenário de seu nascimento; e a passagem do primeiro tema (conhecimento da sua história) ao segundo: o conhecimento da sua pedagogia. A homilia oferece tópicos interessants para a reflexão e a ação do educador salesiano.
A facilidade de comunicação foi posta por Dom Bosco a serviço de educar e evangelizar a juventude.   
O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, em visita ao Brasil nos dias 19 e 20 de março para ampliar e aperfeiçoar as relações políticas e comerciais entre os dois países, durante o discurso aos empresários, recordou o sonho de Dom Bosco sobre a cidade de Brasília. “Brasília é uma cidade jovem, tem apenas 51 anos, mas teve sua origem há mais de um século; em 1883, Dom Bosco teve a visão de que um dia a capital de uma grande nação seria construída entre os paralelos 15 e 20, e que seria o modelo do futuro e daria oportunidades para todos os cidadãos brasileiros”.   
Um pátio, uma igreja, uma escola: a tríade essencial da casa salesiana estava viva e era eficaz desde os iníciosrest of the text "Já em São Francisco de Assis havia percebido a necessidade de uma escola. Há jovens um tanto avançados nos anos, que ainda ignoram as verdades da fé. Para eles, o simples ensino oral é longo e quase sempre aborrecido; por isso com facilidade o deixam. Tentou-se dar-lhes algumas aulas, mas isso não foi possível por falta de locais e de professores que nos quisessem ajudar. No Refúgio, posteriormente na casa Moretta, iniciamos uma escola dominical estável, e também uma escola noturna regular quando nos estabelecemos em Valdocco.Para alcançar um bom resultado, enfrentava-se uma matéria por vez. Por exemplo, fazia-se num ou dois domingos passar e repassar o alfabeto e soletrar; em seguida tomava-se logo o primeiro catecismo e nele fazia-se soletrar e ler até que fossem capazes de entender uma ou duas das primeiras perguntas; essa era a lição para a semana seguinte. E quando chegava o domingo, fazia-se repetir a mesma matéria, acrescentando novas perguntas e respostas. Destarte pude em oito domingos fazer com que alguns chegassem a ler e estudar sozinho páginas inteiras do catecismo" (Memórias do Oratório, 181).  
Sunday, 29 July 2012 09:08

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A devoção a Maria Auxiliadora e o seu santuário no coração da obra salesiana Certa manhã de maio de 1862, bastante quente, com a habitual habilidade narrativa, Dom Bosco contou: “Imaginem estar comigo na praia, ou melhor, sobre um escolho isolado, não podendo ver ao redor de vocês outra coisa senão o mar. Em toda aquela vasta superfície de água vê-se uma aglomeração de incontáveis naves prontas para a batalha, com as proas revestidas de ferro agudo como se fossem dardos. Essas naves estão armadas com canhões e cargas de fuzis, de armas de todos os tipos, de matérias incendiárias. Elas avançam contra uma nave muito maior e mais alta do que todas, tentando investi-la com aquela espécie de dardos, incendiá-la e fazer nela todos os estragos possíveis. Àquela nave majestosa, completamente adornada, servem de escolta muitas pequenas naves que dela recebem ordens e fazem evoluções para se defenderem da frota adversária. O vento, porém, é-lhes contrário e o mar agitado parece favorecer os inimigos. Em meio à imensa extensão do mar elevam-se das ondas duas grandes colunas, altíssimas, pouco distantes uma da outra. Sobre uma delas está a estátua da Virgem Imaculada, de cujos pés pende um grande cartaz com esta inscrição: ‘Auxilium Christianorum’; sobre a outra, que é muito mais alta e grossa, está uma hóstia de grandeza proporcional à coluna, e embaixo outro cartaz com as palavras: ‘Salus Credentium’. O comandante supremo da grande nave, que é o Romano Pontífice, superando todos os obstáculos, guia a nave entre as duas colunas; depois, com uma corrente que pende da proa liga-a a outra corrente da coluna em que está a Hóstia, e com a outra corrente que pende da popa liga-a do lado oposto a outra corrente que pende da coluna em que a Virgem Imaculada está colocada. Acontece então uma grande confusão: todas as naves fogem, separam-se, chocam-se, destroem-se reciprocamente”. Um nome novo e antigo O padre Álbera testemunha que justamente numa noite de dezembro daquele ano, Dom Bosco, depois de ter atendido as confissões até às 23 horas, desceu para o jantar. Estava pensativo. De repente, disse: “Confessei tanto e, na verdade, quase não sei o que disse ou fiz, tanto estava preocupado com uma ideia. Eu pensava: a nossa igreja é muito pequena; não é capaz de abrigar todos os jovens ou, então, eles ficam escorados uns nos outros. Portanto, faremos outra mais bela, maior, que seja magnífica. Daremos a ela o título: Igreja de Maria SS. Auxiliadora. Eu não tenho um centavo, nem sei onde conseguirei o dinheiro, mas isso não importa. Se Deus a deseja, se fará” (MB 7, 333-334). O projeto foi revelado também ao padre Cagliero: “Até agora, temos celebrado com solenidade e pompa a festa da Imaculada [...]. Nossa Senhora, porém, quer que a honremos sob o título de Maria Auxiliadora: os tempos correm tão tristes, que realmente precisamos que a Virgem SS. nos ajude a conservar e defender a fé cristã” (MB 7, 334). Nos primeiros meses de 1863, foi iniciado o processo para obter as licenças; em 1865, foi colocada a primeira pedra e em 1868, a construção estava pronta. O ícone falante Na decisão de Dom Bosco, não há apenas motivos de ordem prática (ter uma igreja mais ampla) ou político-religiosos (a onda de anticlericalismo feroz que ameaçava a Igreja). O ícone de Maria no quadro de Lorenzone, que domina o altar-mor, exprime bem o sentimento íntimo de Dom Bosco. A sua concepção da história da salvação levava-o a situar a Igreja no coração do mundo, e no coração da Igreja ele contemplava Maria Auxiliadora, a Mãe todo-poderosa, a vencedora do mal. Nossa Senhora sempre esteve presente na vida de Dom Bosco. No sonho dos nove anos, Jesus apresenta-se assim: “Eu sou o Filho dAquela que tua mãe te ensinou a saudar três vezes por dia”. A preferência determinante para o seu culto tem, porém, um ponto preciso de referência: o Santuário de Valdocco. “E esta – escreve E. Viganò – continuará a ser a opção mariana definitiva: o ponto de chegada de um incessante crescimento vocacional e o centro de expansão do seu carisma de fundador. Na Auxiliadora, Dom Bosco reconhece finalmente delineado o rosto da Senhora que deu início à sua vocação e que foi e sempre será a sua Inspiradora e Mestra”.   Maria construiu a sua casa O Santuário de Valdocco torna-se o sinal tangível e real da presença de Maria na vida de Dom Bosco e da Congregação. Ela é a “igreja mãe” da Família Salesiana. O sentimento popular descobre imediatamente o admirável entendimento entre Maria Auxiliadora e Dom Bosco: Maria Auxiliadora será, então, para sempre, a “Nossa Senhora de Dom Bosco”. Raramente aconteceu que um título mariano, quase desconhecido, se difundisse com tanta rapidez em todo o mundo. Dom Bosco dizia humildemente: “Eu não sou o autor das grandes coisas que vocês veem; é o Senhor, é Maria SS. que se dignaram servir-se de um pobre padre. De meu não coloquei nada: Aedificavit sibi domum Maria (Maria construiu para si a sua casa). Cada pedra, cada ornamento indica uma graça”. O Santuário de Valdocco é a igreja que os salesianos do mundo todo veem muito mais com o coração do que com os olhos. É aqui que todos se sentem “em casa”.
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