A extraordinária “comunidade narrativa” que é a Família Salesiana nasce de um sonho que tem o sabor evangélico de Marcos 9,36-37: “Jesus pegou uma criança, colocou-a no meio deles e, abraçando-a, disse: ‘Quem acolher em meu nome uma destas crianças, estará acolhendo a mim mesmo. E quem me acolher, estará acolhendo, não a mim, mas Àquele que me enviou’”.   Os jovens não são apenas “destinatários”, mas elemento dinâmico essencial para a Família Salesiana. A história salesiana demonstra que o trabalho entre os jovens pobres e abandonados, destinatários privilegiados, atrai as bênçãos de Deus, é fonte de fecundidade carismática e religiosa, de fecundidade vocacional, de regeneração da fraternidade nas comunidades, é o segredo do frescor e do sucesso das obras.  
Quarta, 10 Outubro 2012 12:42

Conhecer Dom Bosco: as “Companhias” salesianas

Escrito por
  A extraordinária fecundidade do modelo associativo salesiano   “Como os companheiros que me queriam levar às desordens eram os mais desleixados nos deveres escolares, começaram também a recorrer a mim para que lhes fizesse o favor de lhes emprestar ou ditar o tema da aula. Isso desagradou ao professor, porque minha mal-entendida benevolência favorecia-lhes a preguiça, e me proibiu de ajudá-los. Recorri então a um meio menos prejudicial, isto é, explicar as dificuldades e ajudar os mais atrasados.... Começaram a vir para brincar, depois para ouvir fatos e fazer a tarefa de aula, e, por fim, sem motivo algum, como os de Murialdo e de Castelnuovo. Para dar um nome a essas reuniões, costumávamos chamar-lhe Sociedade da Alegria. O nome vinha a calhar, porque cada sócio tinha a obrigação estrita de arranjar livros e provocar assuntos e brinquedos que pudessem contribuir para estarmos alegres. Tudo o que pudesse ocasionar tristeza, especialmente as coisas contrárias às leis do Senhor, estava proibido. Assim, quem houvesse blasfemado ou tomado o nome do Senhor em vão, ou tido más conversas, era imediatamente expulso da sociedade. Encontrando-me desse modo à testa de uma multidão de companheiros...” (Memórias do Oratório, Primeira Década, 6).  
  Níveis de pertença e compromisso de uma intuição genial: “Eu sempre precisei de todos”!   Dom Bosco não tem receio de pedir. Para poder ir ao seminário faz a primeira coleta da sua vida, a primeira de uma longa série. “Restava provê-lo de hábitos clericais que a pobre Margarida não teria podido comprar-lhe. O padre Cinzano falou sobre isso com alguns paroquianos, e estes aceitaram rapidamente concorrer para a boa obra. O senhor Sartoris deu-lhe a batina, o cavalheiro Pescarmona ofereceu o chapéu, o próprio padre Cinzano deu-lhe a capa, outros lhe compraram a gola e o barrete, outros, as meias, e uma boa senhora recolheu o dinheiro necessário para dotá-lo, ao que parece, de um par de sapatos. Essa é a maneira com que a divina Providência usará em seguida com o nosso João, servindo-se da ajuda de muitos para sustentar o seu servo fiel e todas as obras às quais ele porá as mãos. E nós ouvimos Dom Bosco repetir, mais de uma vez: – Eu sempre precisei de todos!” (Memórias Biográficas I, 367).  
Quinta, 16 Agosto 2012 12:21

Pedagogia da Bondade: a homilia do Reitor-Mor

Escrito por
  Também neste ano o Reitor-Mor foi ao Colle Don Bosco, Itália, para presidir a Eucaristia no lugar em que nasceu o pequeno João Melchior, que para todos se tornou: Dom Bosco. A celebração marcou oficialmente a passagem do primeiro ao segundo ano de preparação ao bicentenário de seu nascimento; e a passagem do primeiro tema (conhecimento da sua história) ao segundo: o conhecimento da sua pedagogia. A homilia oferece tópicos interessants para a reflexão e a ação do educador salesiano.
A facilidade de comunicação foi posta por Dom Bosco a serviço de educar e evangelizar a juventude.   
O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, em visita ao Brasil nos dias 19 e 20 de março para ampliar e aperfeiçoar as relações políticas e comerciais entre os dois países, durante o discurso aos empresários, recordou o sonho de Dom Bosco sobre a cidade de Brasília. “Brasília é uma cidade jovem, tem apenas 51 anos, mas teve sua origem há mais de um século; em 1883, Dom Bosco teve a visão de que um dia a capital de uma grande nação seria construída entre os paralelos 15 e 20, e que seria o modelo do futuro e daria oportunidades para todos os cidadãos brasileiros”.   
Um pátio, uma igreja, uma escola: a tríade essencial da casa salesiana estava viva e era eficaz desde os iníciosrest of the text "Já em São Francisco de Assis havia percebido a necessidade de uma escola. Há jovens um tanto avançados nos anos, que ainda ignoram as verdades da fé. Para eles, o simples ensino oral é longo e quase sempre aborrecido; por isso com facilidade o deixam. Tentou-se dar-lhes algumas aulas, mas isso não foi possível por falta de locais e de professores que nos quisessem ajudar. No Refúgio, posteriormente na casa Moretta, iniciamos uma escola dominical estável, e também uma escola noturna regular quando nos estabelecemos em Valdocco.Para alcançar um bom resultado, enfrentava-se uma matéria por vez. Por exemplo, fazia-se num ou dois domingos passar e repassar o alfabeto e soletrar; em seguida tomava-se logo o primeiro catecismo e nele fazia-se soletrar e ler até que fossem capazes de entender uma ou duas das primeiras perguntas; essa era a lição para a semana seguinte. E quando chegava o domingo, fazia-se repetir a mesma matéria, acrescentando novas perguntas e respostas. Destarte pude em oito domingos fazer com que alguns chegassem a ler e estudar sozinho páginas inteiras do catecismo" (Memórias do Oratório, 181).  
Domingo, 29 Julho 2012 09:08

Conhecer Dom Bosco: A Coluna

Escrito por
A devoção a Maria Auxiliadora e o seu santuário no coração da obra salesiana Certa manhã de maio de 1862, bastante quente, com a habitual habilidade narrativa, Dom Bosco contou: “Imaginem estar comigo na praia, ou melhor, sobre um escolho isolado, não podendo ver ao redor de vocês outra coisa senão o mar. Em toda aquela vasta superfície de água vê-se uma aglomeração de incontáveis naves prontas para a batalha, com as proas revestidas de ferro agudo como se fossem dardos. Essas naves estão armadas com canhões e cargas de fuzis, de armas de todos os tipos, de matérias incendiárias. Elas avançam contra uma nave muito maior e mais alta do que todas, tentando investi-la com aquela espécie de dardos, incendiá-la e fazer nela todos os estragos possíveis. Àquela nave majestosa, completamente adornada, servem de escolta muitas pequenas naves que dela recebem ordens e fazem evoluções para se defenderem da frota adversária. O vento, porém, é-lhes contrário e o mar agitado parece favorecer os inimigos. Em meio à imensa extensão do mar elevam-se das ondas duas grandes colunas, altíssimas, pouco distantes uma da outra. Sobre uma delas está a estátua da Virgem Imaculada, de cujos pés pende um grande cartaz com esta inscrição: ‘Auxilium Christianorum’; sobre a outra, que é muito mais alta e grossa, está uma hóstia de grandeza proporcional à coluna, e embaixo outro cartaz com as palavras: ‘Salus Credentium’. O comandante supremo da grande nave, que é o Romano Pontífice, superando todos os obstáculos, guia a nave entre as duas colunas; depois, com uma corrente que pende da proa liga-a a outra corrente da coluna em que está a Hóstia, e com a outra corrente que pende da popa liga-a do lado oposto a outra corrente que pende da coluna em que a Virgem Imaculada está colocada. Acontece então uma grande confusão: todas as naves fogem, separam-se, chocam-se, destroem-se reciprocamente”. Um nome novo e antigo O padre Álbera testemunha que justamente numa noite de dezembro daquele ano, Dom Bosco, depois de ter atendido as confissões até às 23 horas, desceu para o jantar. Estava pensativo. De repente, disse: “Confessei tanto e, na verdade, quase não sei o que disse ou fiz, tanto estava preocupado com uma ideia. Eu pensava: a nossa igreja é muito pequena; não é capaz de abrigar todos os jovens ou, então, eles ficam escorados uns nos outros. Portanto, faremos outra mais bela, maior, que seja magnífica. Daremos a ela o título: Igreja de Maria SS. Auxiliadora. Eu não tenho um centavo, nem sei onde conseguirei o dinheiro, mas isso não importa. Se Deus a deseja, se fará” (MB 7, 333-334). O projeto foi revelado também ao padre Cagliero: “Até agora, temos celebrado com solenidade e pompa a festa da Imaculada [...]. Nossa Senhora, porém, quer que a honremos sob o título de Maria Auxiliadora: os tempos correm tão tristes, que realmente precisamos que a Virgem SS. nos ajude a conservar e defender a fé cristã” (MB 7, 334). Nos primeiros meses de 1863, foi iniciado o processo para obter as licenças; em 1865, foi colocada a primeira pedra e em 1868, a construção estava pronta. O ícone falante Na decisão de Dom Bosco, não há apenas motivos de ordem prática (ter uma igreja mais ampla) ou político-religiosos (a onda de anticlericalismo feroz que ameaçava a Igreja). O ícone de Maria no quadro de Lorenzone, que domina o altar-mor, exprime bem o sentimento íntimo de Dom Bosco. A sua concepção da história da salvação levava-o a situar a Igreja no coração do mundo, e no coração da Igreja ele contemplava Maria Auxiliadora, a Mãe todo-poderosa, a vencedora do mal. Nossa Senhora sempre esteve presente na vida de Dom Bosco. No sonho dos nove anos, Jesus apresenta-se assim: “Eu sou o Filho dAquela que tua mãe te ensinou a saudar três vezes por dia”. A preferência determinante para o seu culto tem, porém, um ponto preciso de referência: o Santuário de Valdocco. “E esta – escreve E. Viganò – continuará a ser a opção mariana definitiva: o ponto de chegada de um incessante crescimento vocacional e o centro de expansão do seu carisma de fundador. Na Auxiliadora, Dom Bosco reconhece finalmente delineado o rosto da Senhora que deu início à sua vocação e que foi e sempre será a sua Inspiradora e Mestra”.   Maria construiu a sua casa O Santuário de Valdocco torna-se o sinal tangível e real da presença de Maria na vida de Dom Bosco e da Congregação. Ela é a “igreja mãe” da Família Salesiana. O sentimento popular descobre imediatamente o admirável entendimento entre Maria Auxiliadora e Dom Bosco: Maria Auxiliadora será, então, para sempre, a “Nossa Senhora de Dom Bosco”. Raramente aconteceu que um título mariano, quase desconhecido, se difundisse com tanta rapidez em todo o mundo. Dom Bosco dizia humildemente: “Eu não sou o autor das grandes coisas que vocês veem; é o Senhor, é Maria SS. que se dignaram servir-se de um pobre padre. De meu não coloquei nada: Aedificavit sibi domum Maria (Maria construiu para si a sua casa). Cada pedra, cada ornamento indica uma graça”. O Santuário de Valdocco é a igreja que os salesianos do mundo todo veem muito mais com o coração do que com os olhos. É aqui que todos se sentem “em casa”.
Domingo, 29 Julho 2012 12:04

Conhecer Dom Bosco: O fogo deve propagar-se

Escrito por
Responder às necessidades dos “jovens pobres e abandonados” em tensão salvífica GLOBAL, com descortino e visão aberta para todo o universo juvenil
Domingo, 29 Julho 2012 12:01

Conhecer Dom Bosco: Uma casa, uma família, um pai

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“Lembro apenas, e é o primeiro fato da minha vida que guardo na memória, que todos saíam do quarto do falecido e eu queria ficar lá a todo o custo. ‘Vem, João, vem comigo’ - insistia minha aflita mãe. ‘Se papai não vem, eu também não vou’ - retorqui. ‘Pobre filho - continuou mamãe’ -, vem comigo, já não tens pai. Ditas essas palavras, prorrompeu em soluços, tomou-me pela mão e levou-me para fora, ao passo que eu chorava porque a via chorar”.  
Página 37 de 37
  A extraordinária “comunidade narrativa” que é a Família Salesiana nasce de um sonho que tem o sabor evangélico de Marcos 9,36-37: “Jesus pegou uma criança, colocou-a no meio deles e, abraçando-a, disse: ‘Quem acolher em meu nome uma destas crianças, estará acolhendo a mim mesmo. E quem me acolher, estará acolhendo, não a mim, mas Àquele que me enviou’”.   Os jovens não são apenas “destinatários”, mas elemento dinâmico essencial para a Família Salesiana. A história salesiana demonstra que o trabalho entre os jovens pobres e abandonados, destinatários privilegiados, atrai as bênçãos de Deus, é fonte de fecundidade carismática e religiosa, de fecundidade vocacional, de regeneração da fraternidade nas comunidades, é o segredo do frescor e do sucesso das obras.  
Quarta, 10 Outubro 2012 12:42

Conhecer Dom Bosco: as “Companhias” salesianas

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  A extraordinária fecundidade do modelo associativo salesiano   “Como os companheiros que me queriam levar às desordens eram os mais desleixados nos deveres escolares, começaram também a recorrer a mim para que lhes fizesse o favor de lhes emprestar ou ditar o tema da aula. Isso desagradou ao professor, porque minha mal-entendida benevolência favorecia-lhes a preguiça, e me proibiu de ajudá-los. Recorri então a um meio menos prejudicial, isto é, explicar as dificuldades e ajudar os mais atrasados.... Começaram a vir para brincar, depois para ouvir fatos e fazer a tarefa de aula, e, por fim, sem motivo algum, como os de Murialdo e de Castelnuovo. Para dar um nome a essas reuniões, costumávamos chamar-lhe Sociedade da Alegria. O nome vinha a calhar, porque cada sócio tinha a obrigação estrita de arranjar livros e provocar assuntos e brinquedos que pudessem contribuir para estarmos alegres. Tudo o que pudesse ocasionar tristeza, especialmente as coisas contrárias às leis do Senhor, estava proibido. Assim, quem houvesse blasfemado ou tomado o nome do Senhor em vão, ou tido más conversas, era imediatamente expulso da sociedade. Encontrando-me desse modo à testa de uma multidão de companheiros...” (Memórias do Oratório, Primeira Década, 6).  
  Níveis de pertença e compromisso de uma intuição genial: “Eu sempre precisei de todos”!   Dom Bosco não tem receio de pedir. Para poder ir ao seminário faz a primeira coleta da sua vida, a primeira de uma longa série. “Restava provê-lo de hábitos clericais que a pobre Margarida não teria podido comprar-lhe. O padre Cinzano falou sobre isso com alguns paroquianos, e estes aceitaram rapidamente concorrer para a boa obra. O senhor Sartoris deu-lhe a batina, o cavalheiro Pescarmona ofereceu o chapéu, o próprio padre Cinzano deu-lhe a capa, outros lhe compraram a gola e o barrete, outros, as meias, e uma boa senhora recolheu o dinheiro necessário para dotá-lo, ao que parece, de um par de sapatos. Essa é a maneira com que a divina Providência usará em seguida com o nosso João, servindo-se da ajuda de muitos para sustentar o seu servo fiel e todas as obras às quais ele porá as mãos. E nós ouvimos Dom Bosco repetir, mais de uma vez: – Eu sempre precisei de todos!” (Memórias Biográficas I, 367).  
Quinta, 16 Agosto 2012 12:21

Pedagogia da Bondade: a homilia do Reitor-Mor

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  Também neste ano o Reitor-Mor foi ao Colle Don Bosco, Itália, para presidir a Eucaristia no lugar em que nasceu o pequeno João Melchior, que para todos se tornou: Dom Bosco. A celebração marcou oficialmente a passagem do primeiro ao segundo ano de preparação ao bicentenário de seu nascimento; e a passagem do primeiro tema (conhecimento da sua história) ao segundo: o conhecimento da sua pedagogia. A homilia oferece tópicos interessants para a reflexão e a ação do educador salesiano.
A facilidade de comunicação foi posta por Dom Bosco a serviço de educar e evangelizar a juventude.   
O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, em visita ao Brasil nos dias 19 e 20 de março para ampliar e aperfeiçoar as relações políticas e comerciais entre os dois países, durante o discurso aos empresários, recordou o sonho de Dom Bosco sobre a cidade de Brasília. “Brasília é uma cidade jovem, tem apenas 51 anos, mas teve sua origem há mais de um século; em 1883, Dom Bosco teve a visão de que um dia a capital de uma grande nação seria construída entre os paralelos 15 e 20, e que seria o modelo do futuro e daria oportunidades para todos os cidadãos brasileiros”.   
Um pátio, uma igreja, uma escola: a tríade essencial da casa salesiana estava viva e era eficaz desde os iníciosrest of the text "Já em São Francisco de Assis havia percebido a necessidade de uma escola. Há jovens um tanto avançados nos anos, que ainda ignoram as verdades da fé. Para eles, o simples ensino oral é longo e quase sempre aborrecido; por isso com facilidade o deixam. Tentou-se dar-lhes algumas aulas, mas isso não foi possível por falta de locais e de professores que nos quisessem ajudar. No Refúgio, posteriormente na casa Moretta, iniciamos uma escola dominical estável, e também uma escola noturna regular quando nos estabelecemos em Valdocco.Para alcançar um bom resultado, enfrentava-se uma matéria por vez. Por exemplo, fazia-se num ou dois domingos passar e repassar o alfabeto e soletrar; em seguida tomava-se logo o primeiro catecismo e nele fazia-se soletrar e ler até que fossem capazes de entender uma ou duas das primeiras perguntas; essa era a lição para a semana seguinte. E quando chegava o domingo, fazia-se repetir a mesma matéria, acrescentando novas perguntas e respostas. Destarte pude em oito domingos fazer com que alguns chegassem a ler e estudar sozinho páginas inteiras do catecismo" (Memórias do Oratório, 181).  
Domingo, 29 Julho 2012 09:08

Conhecer Dom Bosco: A Coluna

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A devoção a Maria Auxiliadora e o seu santuário no coração da obra salesiana Certa manhã de maio de 1862, bastante quente, com a habitual habilidade narrativa, Dom Bosco contou: “Imaginem estar comigo na praia, ou melhor, sobre um escolho isolado, não podendo ver ao redor de vocês outra coisa senão o mar. Em toda aquela vasta superfície de água vê-se uma aglomeração de incontáveis naves prontas para a batalha, com as proas revestidas de ferro agudo como se fossem dardos. Essas naves estão armadas com canhões e cargas de fuzis, de armas de todos os tipos, de matérias incendiárias. Elas avançam contra uma nave muito maior e mais alta do que todas, tentando investi-la com aquela espécie de dardos, incendiá-la e fazer nela todos os estragos possíveis. Àquela nave majestosa, completamente adornada, servem de escolta muitas pequenas naves que dela recebem ordens e fazem evoluções para se defenderem da frota adversária. O vento, porém, é-lhes contrário e o mar agitado parece favorecer os inimigos. Em meio à imensa extensão do mar elevam-se das ondas duas grandes colunas, altíssimas, pouco distantes uma da outra. Sobre uma delas está a estátua da Virgem Imaculada, de cujos pés pende um grande cartaz com esta inscrição: ‘Auxilium Christianorum’; sobre a outra, que é muito mais alta e grossa, está uma hóstia de grandeza proporcional à coluna, e embaixo outro cartaz com as palavras: ‘Salus Credentium’. O comandante supremo da grande nave, que é o Romano Pontífice, superando todos os obstáculos, guia a nave entre as duas colunas; depois, com uma corrente que pende da proa liga-a a outra corrente da coluna em que está a Hóstia, e com a outra corrente que pende da popa liga-a do lado oposto a outra corrente que pende da coluna em que a Virgem Imaculada está colocada. Acontece então uma grande confusão: todas as naves fogem, separam-se, chocam-se, destroem-se reciprocamente”. Um nome novo e antigo O padre Álbera testemunha que justamente numa noite de dezembro daquele ano, Dom Bosco, depois de ter atendido as confissões até às 23 horas, desceu para o jantar. Estava pensativo. De repente, disse: “Confessei tanto e, na verdade, quase não sei o que disse ou fiz, tanto estava preocupado com uma ideia. Eu pensava: a nossa igreja é muito pequena; não é capaz de abrigar todos os jovens ou, então, eles ficam escorados uns nos outros. Portanto, faremos outra mais bela, maior, que seja magnífica. Daremos a ela o título: Igreja de Maria SS. Auxiliadora. Eu não tenho um centavo, nem sei onde conseguirei o dinheiro, mas isso não importa. Se Deus a deseja, se fará” (MB 7, 333-334). O projeto foi revelado também ao padre Cagliero: “Até agora, temos celebrado com solenidade e pompa a festa da Imaculada [...]. Nossa Senhora, porém, quer que a honremos sob o título de Maria Auxiliadora: os tempos correm tão tristes, que realmente precisamos que a Virgem SS. nos ajude a conservar e defender a fé cristã” (MB 7, 334). Nos primeiros meses de 1863, foi iniciado o processo para obter as licenças; em 1865, foi colocada a primeira pedra e em 1868, a construção estava pronta. O ícone falante Na decisão de Dom Bosco, não há apenas motivos de ordem prática (ter uma igreja mais ampla) ou político-religiosos (a onda de anticlericalismo feroz que ameaçava a Igreja). O ícone de Maria no quadro de Lorenzone, que domina o altar-mor, exprime bem o sentimento íntimo de Dom Bosco. A sua concepção da história da salvação levava-o a situar a Igreja no coração do mundo, e no coração da Igreja ele contemplava Maria Auxiliadora, a Mãe todo-poderosa, a vencedora do mal. Nossa Senhora sempre esteve presente na vida de Dom Bosco. No sonho dos nove anos, Jesus apresenta-se assim: “Eu sou o Filho dAquela que tua mãe te ensinou a saudar três vezes por dia”. A preferência determinante para o seu culto tem, porém, um ponto preciso de referência: o Santuário de Valdocco. “E esta – escreve E. Viganò – continuará a ser a opção mariana definitiva: o ponto de chegada de um incessante crescimento vocacional e o centro de expansão do seu carisma de fundador. Na Auxiliadora, Dom Bosco reconhece finalmente delineado o rosto da Senhora que deu início à sua vocação e que foi e sempre será a sua Inspiradora e Mestra”.   Maria construiu a sua casa O Santuário de Valdocco torna-se o sinal tangível e real da presença de Maria na vida de Dom Bosco e da Congregação. Ela é a “igreja mãe” da Família Salesiana. O sentimento popular descobre imediatamente o admirável entendimento entre Maria Auxiliadora e Dom Bosco: Maria Auxiliadora será, então, para sempre, a “Nossa Senhora de Dom Bosco”. Raramente aconteceu que um título mariano, quase desconhecido, se difundisse com tanta rapidez em todo o mundo. Dom Bosco dizia humildemente: “Eu não sou o autor das grandes coisas que vocês veem; é o Senhor, é Maria SS. que se dignaram servir-se de um pobre padre. De meu não coloquei nada: Aedificavit sibi domum Maria (Maria construiu para si a sua casa). Cada pedra, cada ornamento indica uma graça”. O Santuário de Valdocco é a igreja que os salesianos do mundo todo veem muito mais com o coração do que com os olhos. É aqui que todos se sentem “em casa”.
Domingo, 29 Julho 2012 12:04

Conhecer Dom Bosco: O fogo deve propagar-se

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Responder às necessidades dos “jovens pobres e abandonados” em tensão salvífica GLOBAL, com descortino e visão aberta para todo o universo juvenil
Domingo, 29 Julho 2012 12:01

Conhecer Dom Bosco: Uma casa, uma família, um pai

Escrito por
“Lembro apenas, e é o primeiro fato da minha vida que guardo na memória, que todos saíam do quarto do falecido e eu queria ficar lá a todo o custo. ‘Vem, João, vem comigo’ - insistia minha aflita mãe. ‘Se papai não vem, eu também não vou’ - retorqui. ‘Pobre filho - continuou mamãe’ -, vem comigo, já não tens pai. Ditas essas palavras, prorrompeu em soluços, tomou-me pela mão e levou-me para fora, ao passo que eu chorava porque a via chorar”.  
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