Terça, 22 Maio 2018 15:29

A mãe de Jesus, Imaculada Auxiliadora Destaque

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A mãe de Jesus, Imaculada Auxiliadora Imagem: Arquivo Casa Geral Salesiana

Na tradição salesiana existem dois títulos marianos cultivados com muito carinho: Imaculada e Auxiliadora. Eles refletem a história salesiana e sintetizam as características da espiritualidade da nossa Família.

 

Em 1865, Dom Bosco escreveu um opúsculo das Leituras Católicas sobre a devoção a Maria Auxiliadora. No Apêndice escreveu: “Leitor, onde quer que estejas, qualquer coisa que faças, podes recorrer à Santa Virgem com uma oração. Recorre com fé, porque Ela é uma Mãe misericordiosa, que quer e pode fazer bem aos seus filhos. Reza de coração, reza com perseverança, e fica tranquilo que Ela será para ti uma verdadeira providência, um pronto socorro nas tuas necessidades espirituais e materiais”.

 

Nossos fundadores tiveram como preocupação dominante educar os jovens e as jovens do próprio entorno e contexto. Todo o esforço foi feito para dar-lhes dignidade humana e abrir-lhes à fé. Cada educador e educadora tem para com os jovens e as jovens um cuidado paterno/materno. É o momento em que se plasma o Sistema Preventivo de Dom Bosco.

 

Maria Imaculada

Nesse ambiente, Maria é sentida por educadores e jovens como uma presença viva, materna, poderosa. A preferência de Dom Bosco pela invocação Imaculada provém do período de sua formação no Seminário. Essa devoção será reforçada em 1854, com a declaração do dogma da Imaculada Conceição e, em 1858, com as aparições de Lourdes. O dia 8 de dezembro é paradigmático para Dom Bosco. “Todas as grandes iniciativas começaram no dia da Imaculada”, dizia nosso santo. Além do mais, a imagem da Imaculada representa Maria como vencedora do mal, com a serpente debaixo dos pés. É a vitória da graça sobre as paixões da pessoa, da fé sobre o ateísmo, da comunidade sobre o individualismo e o subjetivismo.

 

Maria Mazzarello percorreu um caminho semelhante com as Filhas da Imaculada, que estão na origem das Filhas de Maria Auxiliadora.

 

Maria Auxiliadora

O outro título e o mais forte é o de Auxiliadora. A imagem da Auxiliadora carrega uma criança no colo e um cetro. Primeiro vamos ver o significado da criança no colo de Maria. Ela representa para a Família Salesiana a dimensão do cuidado. Quem ama, cuida. Cada criança, adolescente e jovem atingidos pela missão salesiana podem considerar-se amorosamente no colo de Maria Auxiliadora. O Deus de Maria não suporta a prepotência humana. Por isso, as crianças, adolescentes e jovens pobres, doentes, marginalizados e embrutecidos são os que se sentam primeiro no colo da Auxiliadora. A criança no colo de Maria é Jesus que, neste caso, representa todas as crianças do mundo.

 

Nessa atmosfera mariana do cuidado amadureceram os temas mais importantes da educação dos jovens: a graça de Deus, o amor ao Filho, a pureza de vida, a solidariedade com o próximo, a familiaridade com Deus e a fé. Maria, que soube tão bem cuidar de Jesus, é um incentivo a todos os adultos, sobretudo às mães, ao cuidado generoso das crianças.

 

Além disso, Maria carrega numa das mãos o cetro e na cabeça uma coroa. Estes símbolos representam a realeza de Maria. Ela é poderosa. Dom Bosco invocou Maria como Auxiliadora da Igreja. O século XIX foi muito conturbado na Península Itálica. A Igreja teve que enfrentar grandes embates, lutas muito grandes para defender a fé do povo de Deus. O ambiente sociopolítico, econômico e religioso era desafiador. Para estar à altura dos tempos, entender o que se passava na sociedade, ele propôs aos cristãos a devoção a Maria sob o título de Auxiliadora.

 

Diz-se que Dom Bosco é um grande apóstolo das três devoções brancas: Eucaristia, Maria, Papa. Os Papas de Dom Bosco, sobretudo Pio IX, tiveram de enfrentar situações dificílimas. Os salesianos e jovens do Oratório de Dom Bosco sempre foram incentivados por ele a rezar pelo Papa, falar bem do Papa e defender o Papa. Num de seus sonhos, Dom Bosco aparece defendendo a Igreja representada por uma embarcação, conduzida pelo Papa e iluminada por Maria Auxiliadora e a Eucaristia.

 

Auxiliadora de Dom Bosco

Muita gente pergunta qual é a história de Maria Auxiliadora. Propriamente não há uma história. Ela foi surgindo à medida que os tempos iam chegando, a Igreja ia sendo desafiada e Maria ia sendo aos poucos, suavemente, invocada como Auxiliadora da Igreja. Dom Bosco disse ao seminarista João Cagliero, um dos primeiros salesianos: “Nossa Senhora deseja que a veneremos com o título de Auxiliadora: vivemos em tempos difíceis e necessitamos que a Santíssima Virgem nos ajude a conservar e defender a fé cristã”.

 

Dom Bosco começou a falar de Maria, auxílio dos cristãos, na primavera de 1862, muito provavelmente no final de maio. Nesse ano Dom Bosco já começa a falar da Festa de Maria Auxiliadora num pequeno fascículo anônimo intitulado Diário Mariano (Calendário Mariano) publicado nas Leituras Católicas de junho-julho de 1862. Eis um pequeno trecho: “Festa de Maria Auxiliadora. Estando nós rodeados sem tréguas por inimigos de nossas almas e expostos a inumeráveis e muito graves perigos de ofender a Deus, como temos necessidade de uma ajuda extraordinária para evitar as armadilhas de nossos inimigos que nos assaltam!... Mas onde encontramos este auxílio? Em Maria, Mãe de Deus. Ela é chamada pela Igreja de Auxílio dos Cristãos. Recorramos a ela se quisermos encontrar um socorro rápido e eficaz em nossas necessidades espirituais e temporais. Roguemos a esta mãe cheia de misericórdia que venha em auxílio da infeliz esposa de Cristo, a santa Igreja, e ao seu augusto chefe visível”. Este texto mostra muito bem o que Dom Bosco entendia como devoção a Maria Auxiliadora.

 

Devoção

A devoção mariana é fundamental na espiritualidade de Dom Bosco. Em 1849, o Oratório recebeu a visita do Marquês Roberto d’Azeglio, presidente do Conselho de Ministros do Piemonte de 1840 a 1852, que lhe pedia para participar dos festejos populares de comemoração das reformas liberais em andamento, sobretudo a liberdade religiosa e o Estatuto que instituía a Monarquia Parlamentarista. Dom Bosco recusou dizendo que preferia manter-se neutro para cuidar de seus jovens da melhor maneira possível e afirmando que “recolhendo jovens abandonados e empenhando-me para devolvê-los à família e à sociedade bons filhos e cidadãos instruídos, faço ver claramente que a minha Obra, longe de ser contrária às modernas instituições, é toda ela de acordo e útil às mesmas” (MB 3, 293).

 

Percorrendo as humildes instalações do Oratório nascente viu que se rezava o Santo Terço. O Marquês d’Azeglio disse para Dom Bosco abolir essa prática cansativa e antiquada. Dom Bosco lhe disse que “eu me sinto bem com esta prática: e sobre ela posso dizer que está fundada minha instituição: e estou disposto a deixar tantas coisas bem importantes, mas não esta: e se se tornar necessário renunciarei a sua preciosa amizade, mas jamais a récita do Santo Rosário” (MB 3, 293). O Marquês partiu e desde este dia não teve mais nenhuma relação com Dom Bosco.

 

O título Auxiliadora empregado a Maria, Mãe de Jesus, é proativo e empreendedor. A Auxiliadora de Dom Bosco não chora, age; não reclama, toma a frente; não se retrai, enfrenta; não se lamenta, incentiva. A devoção a Maria Auxiliadora foi uma grande escolha de Dom Bosco. Seu projeto corresponde ao de Maria Auxiliadora e vice-versa porque, na verdade, “foi Ela quem tudo fez”.

Lido 2790 vezes Modificado em Terça, 22 Maio 2018 21:34
Marcos Sandrini

Diretor da Faculdade Dom Bosco de Porto Alegre, RS.  

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