Sexta, 03 Maio 2013 14:06

Colégio Santa Rosa: à luz da história

Escrito por  Memorial Colégio Santa Rosa
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O Colégio Santa Rosa de Niterói, primeira casa salesiana do Brasil, comemora neste ano de 2013, em 14 de julho, seus 130 anos de presença salesiana no país. Será uma comemoração especial, pois o colégio acolherá jovens de todo o mundo que participarão da Jornada Mundial da Juventude (JMJ 2013).

 

Aos 14 de julho de 1883, aportava na baía de Guanabara o primeiro grupo de Salesianos, vindo ao Brasil a pedido do bispo do Rio de Janeiro, dom Pedro Maria de Lacerda que foi o pai, o sustentáculo, o grande benfeitor da obra.

Eram sete entre os sacerdotes e irmãos leigos, guiados por Dom Lasagna, o heróico desbravador da obra salesiana no Brasil e que, em 1895, sucumbiu no desastre da Central do Brasil, entre Juiz de Fora e Mariano Procópio, MG.

 

Contexto histórico

A situação do Brasil no final do século XIX foi marcada por problemas de ordem política – mudança da monarquia para república; social – abolição da escravatura e religiosa – romanização da Igreja (mudança do catolicismo lusitano para o catolicismo romano). Campeava, na época, o fantasma da febre amarela. As informações oficiais não eram tão alarmantes, mas a tuberculose também era uma preocupação.

Do ponto de vista religioso, o momento não ajudava. Comemorava-se o centenário de morte do Marquês de Pombal (1882), que havia expulsado os jesuítas de Portugal e das colônias portuguesas, em 1759, sob a alegação de que a Companhia de Jesus agia como um poder autônomo dentro do Estado português. Naquela época, o anticlericalismo imperava no Rio de Janeiro. Valia-se de qualquer meio para hostilizar a Igreja. Esse era o ambiente que os salesianos iriam encontrar.

Apesar de todas as dificuldades, no mesmo ano de 1883, começaram a construção de um pequeno colégio capaz de abrigar 30 alunos internos. No começo de janeiro de 1884 estava terminado. Era a semente lançada em terras do Brasil.

 

Salesianos – o carisma da educação popular

As oficinas do Colégio Santa Rosa marcaram época. O trabalho educativo com as Escolas Profissionais iniciava-se em julho de 1885, com as oficinas de tipografia, encadernação, alfaiataria, sapataria e carpintaria. Em regiões distantes do Brasil, o Santa Rosa ficou conhecido por causa dos esplêndidos trabalhos em suas oficinas, com destaque para a tipografia.

Em 1890, iniciou-se a publicação das Leituras Católicas em língua portuguesa. Esta foi uma importante colaboração para que se difundisse a imprensa católica no país. Merece citação também a Gramática Latina, do padre João Ravizza, ímpar no gênero. Até hoje  ainda é procurada por um ou outro estudioso da língua portuguesa.

 

Formação profissional

As Escolas Profissionais Salesianas de Niterói foram pioneiras no âmbito privado, sendo precedidas apenas por duas instituições semelhantes no tempo do Império.

O sociólogo Gilberto Freyre falara sobre a contribuição dada pela Congregação Salesiana, no início do século XX: "Aqui se deve ressaltar a notável contribuição católica para o desenvolvimento da educação dos brasileiros: aquela representada pelos colégios salesianos que foram implantados no país no final do século XIX. Colégios do tipo do Santa Rosa, de Niterói, e onde aos estudos secundários se acrescentavam os de artes e ofícios diversos...".

 

Oratório

O Oratório Festivo, uma das instituições mais queridas no projeto educacional elaborado por Dom Bosco foi inaugurado em Niterói, em 30 de junho de 1907. Segundo o próprio Dom Bosco, quem quisesse regenerar um povo ou uma cidade, não encontraria ponto mais seguro do que organizando um bom Oratório.

Na casa de Niterói, o Centro Juvenil Oratório Mamãe Margarida, funcionaem prédio próprio, inaugurado no dia 15 de agosto de 1999, oferecendo mais conforto  com auditório, sala de informática e salas para diversas atividades, uma quadra coberta e educadores capacitados para orientá-los para a vida. O Centro Juvenil Oratório Mamãe Margarida (CEJOMM) recebe as crianças das comunidades carentes, a maioria vinda do entorno do colégio. Aos domingos, participam de atividades no espaço oferecido pelo colégio, como piscina e campo de futebol, dentre outros.

 

Alfabetização de adultos

Em 1968, o Santa Rosa deu início a um curso de alfabetização de adultos. O método rápido foi criado por Lélio de Barros, Ana Maria Mayrink, padre Olímpio Martins Ferreira e padre Tiago de Almeida, no final da década de 1950. O aluno consegue ser alfabetizado em 30 dias. Em seis meses, alcança o nível de 5ª série e é encaminhado para o supletivo.

 

CESAM - Centro Salesiano do Menor

Após o Concílio Vaticano II (1961 a 1965) e o Capítulo Geral Especial da Congregação Salesiana, deu-se grande ênfase às obras sociais. Abriram-se obras como o CESAM, para dar aos jovens o primeiro emprego. O trabalho do CESAM foi iniciado no Colégio Santa Rosa pelo padre Jairode Matos Fonseca, em 1981. Mais tarde, em 1988, foi transferido para o Colégio São Francisco de Sales, no Rio de Janeiro.

 

As missões salesianas

“Desde o início, era objetivo dos salesianos levar o Evangelho às tribos indígenas. Começaram com o trabalho em uma colônia do governo do Mato Grosso. Depois, criaram missões em terrenos de sua propriedade, entre os Bororo da parte oriental do estado. Hoje esses terrenos pertencem às tribosdos Bororo e dos Xavante, atendidos pelos SDB e pelas FMA. Posteriormente abriram-se as missões do rio Negro e do rio Madeira. Hoje, graças ao trabalho integrado com as universidades, os indígenas têm escola na sua própria língua, estudam a própria cultura, além da nossa”. (Pe. Antônio da Silva Ferreira, SDB)

 

Revolta da Armada (1893) – contribuição dos salesianos

Naquele momento, eclodiu um conflito civil que pleiteava a volta da monarquia. O colégio Santa Rosa, a pedido do governo, ficou fechado e foi transformado em hospital e centro de distribuição de víveres para a população carente. A partir de então, os salesianos passaram a contar com o apoio explícito do poder público. Os membros do governo Floriano Peixoto proclamaram oficialmente os méritos desses religiosos italianos.

 

Monumento e Basílica de Nossa Senhora Auxiliadora

Padre Luís Zanchetta foi um grande divulgador da devoção a Nossa Senhora Auxiliadora. Em 1896, estando no alto do outeiro e entusiasmado com a maravilhosa visão da natureza, teve a ideia de construir ali um monumento em homenagem a Nossa Senhora Auxiliadora. A ideia foi aprovada pelos benfeitores da obra e, em 08 de dezembro de 1900, foi inaugurado o majestoso Monumento Nacional Mariano. Obra-prima do engenheiro salesiano Domingos Delpiano. Teve como objetivos homenagear a Jesus Cristo Redentor e ao Sumo Pontífice, ser um marco de sua participação nos festejos do 4º Centenário do Descobrimento do Brasil, celebrar os 25 anos das missões salesianas na América Latina e propagar a devoção a Nossa Senhora Auxiliadora.

Não contente, no dia 15 de dezembro de 1901, lançou a pedra fundamental do Santuário de Maria Auxiliadora. Foi assim que Niterói se tornou o berço da devoção à Virgem de Dom Bosco. O santuário foi aberto ao culto em 24 de dezembro de 1918.

 

Mudanças estruturais

A década de 1970 foi de grandes mudanças rumo à modernidade. Já não havia o internato desde 1967 e, em 1972, o colégio passou a ser misto. Foi o primeiro colégio salesiano do Brasil a aceitar meninas como alunas.

 

Projeção de futuro

A presença salesiana é muito significativa para Niterói. É responsável pela formação cultural e espiritual de várias gerações. É em homenagem a esse passado que devemos agradecer o hoje e continuar trabalhando, iluminados por Deus e abençoados pela Virgem Auxiliadora, em benefício da juventude.

 

Baseado em texto fornecido pelo Memorial Histórico do Colégio Salesiano Santa Rosa
Niterói, 30 de janeiro de 2013

 

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