O reitor-mor dos salesianos, padre Pascual Chávez, enviou à Congregação Salesiana uma nova carta circular intitulada: “Vocação e formação: dom e dever”. O documento pretende ilustrar a beleza e as exigências da vocação e formação salesiana, e ao mesmo tempo a atual situação de inconsistência vocacional. A carta se divide em duas partes fundamentais.

Consistência e fidelidade vocacionais

 

O reitor-mor  realça a necessidade de ajudar os jovens irmãos a alcançar a consistência vocacional e ajudar aqueles que já fizeram opções definitivas a viverem a fidelidade vocacional. A fraqueza vocacional evidencia-se especialmente das estatísticas que o reitor-mor deseja tornar conhecidas por toda a Congregação para conscientizá-la dos problemas e ajudá-la assim a assumir responsabilidades.

 

Evidenciam-se dois aspectos complementares, causas fundamentais de uma inexistente consistência e fidelidade vocacionais:

 

• uma concepção errada de vocação;  por vezes, se identifica com um projeto pessoal motivado pelas exigências de autorrealização. Ao começar a caminhada da vida consagrada salesiana há, com frequência, motivações não-válidas ou débeis, por vezes também inconscientes; se não se cuida das motivações, será inevitável encaminhar-se para a fragilidade vocacional ou para a infidelidade;

• a cultura em que se vive, que oferece oportunidades e também apresenta riscos. É sobretudo a visão antropológica que constitui a um só tempo um recurso e um desafio à caminhada vocacional. Trata-se da exigência de autenticidade, do sentido de liberdade, de historicidade, de contínua busca de experiências, de apreço pelas relações e pela afetividade, de dificuldades para a renúncia e para a fidelidade, em um contexto de pós-modernidade e multiculturalidade. Estes aspectos antropológicos, embora desafiadores, são imprescindíveis para uma vida consagrada que deseje ser plenamente humana e por isso acreditável.

 

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Todos os meses, o reitor-mor dos Salesianos escreve aos leitores do Boletim Salesianoum artigo para leitura e reflexão. No segundo ano de preparação para o bicentenário de nascimento de Dom Bosco, a proposta é debruçar-se sobre a pedagogia do Santo dos Jovens. No artigo do mês de março, Dom Bosco conta:

 

Era o dia da Páscoa, quando finalmente eu podia dizer aos meus meninos: “Temos uma casa”. Na verdade, era um telheiro baixo e insuficiente, mas era nosso! Acabamos de girar por Turim, em uma “precariedade” cansativa, cheia de incompreensões e desconfianças. A data é muito importante para poder esquecê-la: 12 de abril de 1846! Eu tinha 30 anos, e há cinco era padre. Via as coisas em uma perspectiva iluminada pela confiança na Providência. Lancei-me de cabeça no trabalho: subia pelos precários andaimes dos edifícios em construção para encontrar-me com meus meninos, entrava nas oficinas, nos negócios. Preocupava-me com a sua saúde física; falava com seus patrões, muitas vezes muito desumanos. Era uma relação de amizade e de confiança recíproca que eu criava com todos. A educação não é coisa de um dia, mas exige paciência e muita esperança.

Como sabeis, julho é um mês muito quente em Turim. Mas em Valdocco é sufocante. Tudo acontece de modo inesperado. Estava para terminar um domingo cheio de muitas atividades. Improvisamente, caí no chão. Um fluxo de sangue ensopou a poeira e a grama do prado. Depois, perdi os sentidos. Quando me reanimei, percebi que estava na cama: havia muita gente ao redor, e depois chegou um médico. Percebendo a gravidade da situação, obrigou-me ao repouso absoluto. Passou-se uma semana enquanto minhas forças físicas diminuíam sempre mais.

Recordo ter visto o médico balançando a cabeça, enquanto dizia: “Talvez não passe desta noite”. No dia seguinte, quase por encanto, acordei. Depois, aos poucos fui recuperando as forças. Meu pensamento voltava-se para os meus meninos. Onde estavam? Retornariam a Valdocco? Mais uma semana. Depois, o domingo. Apoiando-me em uma bengala, desci ao telheiro. Ouvia vozes, gritos de alegria. A cabeça girava pelo esgotamento. Veio-me ao encontro um padre que me estendia a mão. Falou-me dos sacrifícios que os meninos fizeram porque diziam: “Dom Bosco não pode morrer”. Compreendi que eles tinham obtido um verdadeiro milagre. Depois, os maiores me pegaram, obrigaram-me a sentar-me em um cadeirão e me levaram em triunfo.

Quando se fez silêncio, eu lhes disse: “Meus caros, rezastes e fizestes muitos sacrifícios para que eu recuperasse a saúde. Obrigado. Eu vos devo a vida. Pois bem: prometo-vos que a viverei toda por vós”. Desde aquele dia, senti-me consagrado à causa dos jovens, para sempre. A lição mais bela e mais convincente foi-me dada pelos meninos!

Mas há uma resposta que lhes dei em forma ainda mais clara e convicta. Era o dia 31 de dezembro de 1859: festa de fim de ano. Embora na pobreza crônica de Valdocco, trocávamos pequenos presentes, como se faz em família: uma medalhinha, um lápis, uma borracha... Pequenas coisas, mas dadas de coração. Depois das orações da noite, dirigi-lhes algumas palavras. Também eu queria dar alguma coisa de presente àqueles jovens. E disse: “Meus queridos filhos: sabeis o quanto vos amo no Senhor, e como eu me consagrei inteiramente a fazer-vos o maior bem que puder. Aquele pouco de ciência, aquele pouco de experiência que adquiri, o que sou e o que possuo, eu desejo empregar a vosso serviço. Em qualquer dia e para qualquer coisa tende-me como um capital para vocês, mas especialmente nas coisas da alma. De minha parte, como presente eu me entrego por inteiro a vós; será coisa pequena, mas quando vos dou tudo, isso quer dizer que não reserva nada para mim”.

Já havia várias centenas de meninos que estudavam ou aprendiam um ofício. Queria que eles entendessem que o meu estar com eles era fruto de opção irrevogável. Quando lhes dizia: “Nada reservo para mim” era como se dissesse: não penso mais em mim mesmo, entrego-me totalmente a cada um de vós, não me pertenço mais, pertenço somente a vós. Eis o meu segredo revelado. Jamais voltei atrás. Jamais atraiçoei os jovens!

Escrevi milhares de cartas. Mas se tivesse que escolher uma delas, que brotou do meu coração, escolheria uma que escrevi aos meus Salesianos e, com eles, aos professores e alunos de Lanzo Torinese.

Aqui estão algumas passagens dessa carta: Deixai que eu vos diga, e ninguém se ofenda: vós sois todos uns ladrões; digo e repito: vós me roubastes tudo. Quando fui a Lanzo, me encantastes com a vossa benevolência e cordialidade, prendestes as minhas faculdades da mente com a vossa piedade. Restava-me ainda este pobre coração, do qual não me havíeis roubado todos os afetos. Agora, a vossa carta assinada por 200 mãos amigas e queridas tomaram posse de todo este coração, no qual nada restou, a não ser um vivo desejo de vos amar no Senhor, de vos fazer o bem, de salvar a alma de todos.

Era este o meu estilo de falar e escrever aos jovens: com o coração na mão, usando palavras sinceras. Como bom agricultor, aprendera a honrar a palavra dada. E a minha palavra era esta: “Prometi a Deus que até meu último suspiro seria pelos meus pobres jovens”.

Sei que o meu segundo sucessor, padre Paulo Albera, escreveu uma belíssima circular: “Dom Bosco educava-nos amando, atraindo, conquistando e transformando”.

O meu programa, simples e linear, se expressa em uma frase: “Por estes jovens, faria qualquer sacrifício; para salvá-los, daria de boa vontade também o meu sangue”. Não eram palavras ditas por dizer; era o programa da minha vida!

Janeiro de 1888. Mesmo no leito de morte, naquela agitação em que se misturam recordações, afetos, preocupações, temores e esperanças, ainda tive a força de transmitir a um caro salesiano, o padre Bonetti, a minha última mensagem que condensa praticamente toda a minha vida: “Dize aos jovens que os espero a todos no Paraíso”. Era o meu testamento, pois eu os amara até o fim! E os queria comigo, para sempre, também no Paraíso.

 

Todos os meses, o reitor-mor dos Salesianos escreve aos leitores do Boletim Salesianoum artigo para leitura e reflexão. No segundo ano de preparação para o bicentenário de nascimento de Dom Bosco, a proposta é debruçar-se sobre a pedagogia do Santo dos Jovens. Neste segundo artigo, Dom Bosco conta:

 

Sou conhecido no mundo todo como um santo que semeou muita alegria a mancheias. Ou melhor, como escreveu alguém que me conhecia pessoalmente, fiz da alegria cristã “o décimo primeiro mandamento”. A experiência convenceu-me não ser possível um trabalho educativo sem este admirável impulso, este belo percurso a mais que é a alegria. E para que os meus jovens estivessem intimamente persuadidos disso, eu acrescentava: “Se quereis que a vossa vida seja alegre e tranquila, deveis procurar viver na graça de Deus, pois o coração do jovem que vive no pecado é como o mar em agitação contínua”. Eis porque sempre recordava que “a alegria nasce da paz do coração”. E insistia: “Eu não quero outra coisa dos jovens senão que sejam bons e sempre alegres”.

Há quem, às vezes, me apresente como o eterno saltimbanco dos Becchi e pense fazer-me um grande favor. Mas é uma imagem muito redutiva do meu ideal. Os jogos, as excursões, a banda de música, as representações teatrais, as festas eram um meio, não um fim. Eu tinha em mente o que escrevia abertamente aos meus jovens: “Um só é o meu desejo: ver-vos felizes no tempo e na eternidade”.

 

"Vão e testemunhem a alegria da fé" – este o título da mensagem que o reitor-mor, padre Pascual Chávez, confiou aos jovens do Movimento Juvenil Salesiano (MJS ou AJS): uma carta, assinada por Dom Bosco, densa de afeto paterno e exortações que convidam os jovens a serem protagonistas da nova evangelização.

 

Foi mais uma vez a palavra de Dom Bosco – Dom Bosco vivo hoje em seu IX sucessor – a ressoar na Basílica de Maria Auxiliadora, na Itália, durante a celebração no final da tarde desta quinta-feira, dia 31 de janeiro. Uma voz que não só confirmou a paixão salesiana pelos jovens, mas também repropôs temas e frases muito caras a Dom Bosco: o protagonismo juvenil no anúncio do Evangelho, a adesão a Jesus Cristo único Salvador, a mudança da sociedade e do ambiente de vida, a consciência de estar unidos ao Papa e à Igreja.

 

Emoldurado no ano da Fé e a caminhada de preparação ao Bicentenário de Nascimento de Dom Bosco, a mensagem é, como especifica o subtítulo, uma exortação a que sejam felizes pondo-se na sequela do Cristo e tornando-se missionários dos jovens. Um convite urgente, para que, continuando o impulso e o protagonismo dos jovens de Valdocco em 1800 – que escreveram páginas de história gloriosas na sociedade, na Congregação, na Igreja e em várias partes do mundo – se possam ainda escrever laudas novas: “Faltam neste livro às páginas que só Vocês poderão escrever: esta é a sua hora!”.

 

“Evangelizar significa colocar na massa um fermento capaz de mudar a mentalidade e o coração das pessoas e, através delas, as estruturas sociais, de tal modo que sejam mais adequadas ao plano de Deus. Não se trata de uma ação intimista, pois evangelizar é difundir uma verdadeira revolução social, a mais profunda e a única eficaz”. Uma revolução que só o Cristo pode realizar. Ele está em condições de sanar as feridas pessoais e daquelas dos jovens que vivem distraidamente, mas “necessita ainda hoje de discípulos capazes de escutar o coração das pessoas, especialmente dos jovens”. A fé em Cristo se alimenta não de modo solitário, mas na Igreja – comunidade de fiéis – que, apesar da sua fragilidade humana, deve ser amada, porque “nenhuma realidade é tão rica de esperança, de compaixão, de amor”.

 

Uma mensagem que faz bem igualmente aos que se ocupam dos jovens. Uma passagem, de especial intensidade, parece abrir-se a todos os educadores e evangelizadores, aos Membros da Família Salesiana: “Para Vocês, hoje, evangelizadores e educadores dos jovens do terceiro milênio, é indispensável, para crescer na fé, a Palavra proclamada, compartilhada, e contemplada na oração. Fé que deve ser uma escuta do clamor dos pobres, dos abandonados, dos excluídos, e traduzir-se em gestos de caridade concreta, que tornam visível Deus. Deus e o seu Amor”.

 

 

O texto integral da mensagem aos jovens do MJS/AJS está disponível em sdb.org em vários  idiomas.

 

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Todos os meses, o reitor-mor dos Salesianos escreve aos leitores do Boletim Salesianoum artigo para leitura e reflexão. No segundo ano de preparação para o bicentenário de nascimento de Dom Bosco, a proposta é debruçar-se sobre a pedagogia do Santo dos Jovens. Neste primeiro artigo, Dom Bosco se apresenta:

 

Falando sobre mim e a minha história, devo começar pelos primeiros anos de vida. Anos belos e difíceis, anos nos quais aprendi a ser jovem e homem.

 

Posso dizer-te com muita simplicidade: aquele Dom Bosco que, talvez, já conheças em parte, o Dom Bosco que um dia será padre, educador e amigo dos jovens, aprendeu de muitas coisas que lhe aconteceram precisamente nos primeiros anos.

 

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