Quarta, 01 Novembro 2017 14:38

Um missionário regressa... 34 partem para a missão

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Todos os meses, o Reitor-mor dos Salesianos, padre Ángel Fernández Artime, escreve um artigo para os leitores do Boletim Salesiano. Neste mês de novembro, ele fala sobre os missionários e o sentimento de gratidão.

 

Escolhi para a minha saudação aos leitores do Boletim Salesiano este título ambíguo porque quero referir-me a um missionário salesiano que esteve 18 meses sequestrado, e a 34 Salesianos de Dom Bosco e Filhas de Maria Auxiliadora que partem para a missão em diversos pontos do mundo

Desde aquele dia 11 de novembro de 1875, foram 148 os envios missionários na nossa Família Salesiana. Há nisso um profundo sentimento de ação de graças.

 

Graça e dom de Deus

Mas antes de me referir mais explicitamente a isso, quero realçar um fato que foi uma verdadeira graça e dom de Deus. Na tarde de 12 de setembro passado, recebemos um telefonema para comunicar que o padre Thomas Uhzunnalil tinha sido libertado e estava chegando a Roma num voo procedente do Sultanato de Omã.

A notícia, após 18 meses de sequestro, meses de esperança e de medo, encheu-nos de alegria. Recebemos o nosso irmão salesiano Thom. Vinha muito fragilizado de forças físicas, tinha perdido 30 quilos e 38% da sua massa corporal, inseguro no andar porque não tinha podido fazer exercício em todo esse tempo. Mas vinha forte no seu espírito, sereno, lúcido e cheio de paz.

Isso me levou a pensar como Deus é capaz de fazer do mais débil e do mais frágil uma voz da sua presença e da sua força. O padre Thom contava-nos que tinha vivido aqueles 18 meses com serenidade, com muita paz, dando graças a Deus todas as noites pelo dia que tinha vivido – mesmo sem ter podido sair do seu lugar de sequestro nem ver a luz do sol. E Lhe dizia que, se no dia seguinte chegasse ao fim da sua vida, iria sereno ao Seu encontro. O nosso irmão Thom rezava todos os dias pelos seus raptores e pelas suas vidas. Rezava pelas irmãs Missionárias da Caridade (de Madre Teresa de Calcutá) que tinham sido assassinadas na sua presença. Rezava pelos seus entes queridos, pela sua família salesiana e pelos jovens.

 

Paz e serenidade

Como não podia celebrar a Eucaristia com pão e vinho, rezava-a todos os dias mentalmente, e isso dava-lhe também uma grande força. Pensava com serenidade e rezava, rezava e pensava serenamente, dominando muito o seu pensamento para que este não lhe complicasse as coisas.

E regressou cheio de paz e serenidade. Sem dúvida cresceu muito na sua interioridade durante essa dolorosa experiência. Não pretende nada, não espera nenhum reconhecimento. Simplesmente continuar a servir e a trabalhar com serenidade.

Falava-nos da sua condição de missionário. Estava no Iêmen como missionário e sentiu-se missionário, mais do que nunca, durante esses 18 meses. Embora não pudesse ‘fazer nada’, na realidade ‘era tudo’, porque todos os dias entregava integralmente o que era, com total inocência.

 

Testemunho missionário

E nesses mesmos dias, enquanto o nosso irmão Thom estava em Roma, outros 21 missionários Salesianos e 13 Filhas de Maria Auxiliadora recebiam o crucifixo do seu envio missionário. Todos com o coração preparado para servir onde forem mais necessários. Deixando o seu mundo conhecido, deixando a proximidade dos seus laços afetivos, para viver acompanhando outros rostos, outras sensibilidades, outra gente.

E a ponte entre o padre Thom e os novos missionários estava construída. O testemunho do nosso irmão Thom era para esses novos missionários todo um testemunho de vida que se dá. Esses são fatos vividos há poucos dias no mês de setembro e nada têm de ficção. É a vida real desses homens e mulheres, é a vida de crentes que decidiram viver em uma doação absoluta e radical. É, sem dúvida, um testemunho que nos interpela a todos.

 

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