Quinta, 06 Março 2014 20:14

Igreja, casa da iniciação cristã

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Toda mudança causa inseguranças, medos, contestações. Hoje, com o processo de iniciação, não poderia ser diferente. Há pessoas e comunidades que não aceitam ou rejeitam o processo sem conhecê-lo profundamente. Isso significa que é preciso criar uma cultura da iniciação cristã, que requer, portanto, mentalidade, sensibilidade e práxis.

Quarta, 05 Fevereiro 2014 00:03

A alegria de dizer “sim”

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“Eu e você – com os olhos fixos no Senhor Jesus, precisamos ter coração grande, espírito de desprendimento, coragem para sair e ir ao encontro desse mundo juvenil, ajudando os jovens a se encontrarem pessoalmente com Jesus”, disse o bispo emérito de Rio do Sul, dom José Jovêncio Balestieri, durante a celebração da ordenação sacerdotal do diácono salesiano Volnei Rafael Sevenhani.

As palavras de dom José Belestieri podem resumir a magnitude do compromisso assumido por vários jovens que, nos meses de dezembro de 2013 e janeiro deste ano, foram ordenados sacerdotes salesianos em celebrações de Norte a Sul do país. Com coragem e alegria, eles completaram um longo período de formação e agora, espelhados em Dom Bosco, tornam-se pastores entre os jovens brasileiros.

O padre Francesco Cereda, conselheiro geral para a Formação dos Salesianos, concedeu uma entrevista à Agência Info Salesiana, na qual ele fala sobre a identidade e as especificidades do salesiano sacerdote.

Segunda, 25 Novembro 2013 00:32

Dá-me as pessoas: vocação de Dom Bosco

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Na preparação do bicentenário do nascimento de Dom Bosco, temos para este ano o caminho da espiritualidade. É a partir da moção de Deus que podemos perceber a espiritualidade de uma pessoa. Claro, espiritualidade tem apenas uma: espiritualidade cristã, contudo, ela se diversifica nas riquezas dos carismas, cujo agente é o Espírito Santo.

A vocação à vida religiosa e ao presbiterado não é uma escolha pessoal. Contudo, há sempre a liberdade da resposta, embora Deus não desista daquele que ele chama.

Pelo título do artigo o leitor já entendeu que vocação não se escolhe, se responde. Diferentemente da profissão, que atrai uma pessoa pelo gosto do próprio trabalho ou pela remuneração, que exige, portanto, uma qualificação específica, a vocação à vida religiosa e ao presbiterado não é uma escolha pessoal. A vocação é chamado de Deus - convocação: “Vinde e Vede” (Jo 1,39), ou como aconteceu com Mateus, quando Jesus o viu e disse: “Segue-me” (Mt 9,9).

 

Sexta, 16 Agosto 2013 17:22

DOM BOSCO: UMA VIDA E UM PROJETO

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Quem vai a Castelnuovo Dom Bosco, Norte da Itália, fica surpreso com a presença de tantos santos e santas daquela região. Ali, a fé cresceu em meio aos vinhedos e ao trabalho rural. Camponeses simples, pobres, analfabetos, porém com grandes laços familiares e tradição religiosa católica. Na redondeza vemos as torres das capelas que marcam as fronteiras das pequenas cidades: Butigliera, Mondônio, Capriglio, Asti, Chieri, Castelnuovo, etc... todas elas fecundadas pela presença de santos como José Alamano, Dom Bosco, Domingos Sávio, José Cafasso, Madalena Morano e tantos outros.

Dom Bosco nasceu em uma pequena casa, em 16 de agosto de 1815. O pai Francisco e a Mãe Margarida, eram pessoas dedicadas aos filhos e ao trabalho. Como bons camponeses e fervorosos católicos viveram a harmonia de um lar santificado. Aos 29 anos Margarida perde o marido. João Bosco tinha apenas dois anos, o irmão José quatro e o filho de Francisco, fruto do primeiro casamento, Antonio, tinha nove. A  vovó Zucca, com 69 anos, morava com eles. Ela era doente e dependente de uma cadeira de rodas e da atenção de todos. O pequeno João não recordará nunca o rosto do pai. Talvez por isso ele tenha buscado ser um rosto paterno para os jovens.

A cultura do consumo arranca da pessoa, sobretudo dos jovens, a capacidade de sonhar e vencer obstáculos. A vida perde sentido a longo prazo e as conquistas são sempre para hoje. Na dimensão vocacional isto se torna um desafio enorme e prejudica o verdadeiro sentido da vida como doação aos outros.

Estamos em uma época de poucos projetos de vida. Daí a dificuldade em pensar na vida como vocação – serviço. A cultura do consumo arranca da pessoa, sobretudo dos jovens, a capacidade de sonhar e vencer obstáculos. O medo de avançar, arriscar e até reorganizar a vida motivada pelo desejo de servir causa certo mal-estar na vida de muitos porque o sucesso está na mira de qualquer ação.

 

Quando eu era criança, era muito fácil identificar uma pessoa consagrada – religioso, religiosa –, pois eles usavam hábito. As religiosas, freiras, tinham hábitos diferentes, cores variadas e uma forma toda especial de se apresentar. Lembro a primeira vez que vi duas religiosas andando na rua; fiquei de boca aberta e tropecei. Só não cai porque minha mãe me segurou. Aliás, minha primeira catequista foi uma religiosa Dorotéia, irmã Damasceno, que recordo com muito carinho. Quando vi um padre de perto pela primeira vez fiquei encantado com aquela batina esvoaçante. Era tudo muito mágico e encantava de verdade.

Na medida em que cresci e tomei conhecimento da vida religiosa também mudou a apresentação visual deles e delas. Já nos anos 80, poucos usavam hábito religioso. Percebi que não era a roupa que identificava a pessoa consagrada, mas sua missão. Para mim foi fácil esta passagem porque eu vivia no ambiente da comunidade cristã e o contato com religiosos e religiosas era muito comum. Porém, hoje, nossos jovens não nos identificam pela roupa e, se duvidar, nem pela missão que realizamos. Para muitos de nossos adolescentes e jovens, somos quase invisíveis. Isto para mim é um problema.

 

Animação vocacional é saber proporcionar às pessoas, sobretudo aos jovens, um processo de conscientização da vida como vocação e serviço.

 

A iniciação cristã, define o Documento de Aparecida, é “propriamente falando, a primeira iniciação nos mistérios da fé, seja na forma do catecumenato batismal para os não batizados, seja na forma pós-batismal para os batizados não suficientemente catequizados” (DA, 288). A iniciação cristã é mergulhar a pessoa no mistério de Jesus Cristo. Não se trata, pura e simplesmente de receber um sacramento, mas de vivê-lo no encontro com o Salvador. Contudo, mergulhados como estamos numa cultura pós-cristã, é muito importante desenvolver a animação vocacional dentro dessa perspectiva catequética. Proponho, então, alguns elementos metodológicos que podem ajudar neste serviço.

 

O primeiro elemento de conscientização vocacional é a experiência de saber que foi iniciado na fé cristã. Isto quer dizer o seguinte: a pessoa precisa tomar consciência de que é um cristão, discípulo de Jesus Cristo, que recebeu o dom da fé, dádiva da liberdade de Deus, dentro da vivência, experiência e testemunho de uma comunidade cristã, educadora da fé. Começa aqui o amadurecimento da vida cristã como vocação – chamado – que se desdobra na fé celebrada, vivida, experimentada, compreendida, testemunhada e anunciada. Esse processo é dialogal porque acontece entre Deus que convoca a pessoa e a resposta generosa de quem se sente chamado, pois toda a assembleia dos fiéis é vocacionada. É muito importante sublinhar que no isolamento social e eclesial será cada vez mais difícil conscientizar alguém de que a vida é vocação.

 

Sábado, 27 Abril 2013 01:03

Ser missionário de quem?

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Nos contextos complexos da nossa condição humana atual precisamos refletir sobre as razoes do nosso ser missionário. Por que a missão é tão importante ainda hoje? O que significa evangelizar na era digital? Qual é o meu lugar na nova evangelização? Afinal, o que devo anunciar?

 

Desde seus inicios, a Igreja pautou sua atividade fundamental na missão porque Jesus de Nazaré foi o missionário do Pai. Andou por cidades e aldeias sempre embebido desta incansável ação. Seus seguidores, sobretudo Paulo de Tarso, depois do encontro misterioso com o Senhor às portas de Damasco, tornou-se evangelizador por excelência (1 Cor 9,16). Seguido depois por Barnabé, Tiago e Pedro, Paulo ficou marcado na Igreja antiga como o grande apóstolo dos pagãos. Suas viagens missionárias dão testemunho disto e ocupam sete capítulos dos Atos dos Apóstolos (13-21). O famoso discurso no areópago de Atenas (Atos 17,22-31) marca decididamente seu estilo visionário e místico diante da grande novidade que era Jesus. São também bastante significativas suas argumentações para defender seu ministério (Atos 22,1-21; 26, 9-18). A missão para Paulo era assim um projeto de vida assumido como vocação. Uma convocação que não nasceu simplesmente de uma opção, mas de um dever (1Cor 9, 17).

 

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