Terça, 31 Julho 2018 17:01

"Preocupo-me com você”: o trabalho dos Salesianos com os migrantes menores

Escrito por  Vatican News
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Migrantes desembarcando na Itália Migrantes desembarcando na Itália Reprodução Vatican News

Desde o início do ano, 387 jovens “invisíveis” já se aproximaram do projeto dos Salesianos que cuida dos migrantes menores desacompanhados. Educadores de rua, psicólogos e voluntários garantem aos menores ajuda de emergência seguida por oportunidade de estudo e formação profissional.

 

“Durante um mês fiquei fechado em uma casa outras 120 pessoas, tínhamos pouca água e comida. Não era permitido sair. Podíamos ir ao banheiro apenas uma vez por dia, e durante a noite piolhos e carrapatos que não nos deixavam dormir e todo tempo com homens armados nos vigiando. Na madrugada de 23 de junho, às 2h30 nos levaram para a praia obrigando-nos a entrar em um barco inflável”. A.S., nigeriano maior de idade, chegou à Itália com 15 anos, e assim recorda a sua última etapa da viagem, na Líbia, do outro lado do Mediterrâneo em 2015. Depois dos primeiros meses passados na comunidade, hoje vive nas ruas em Catânia sendo acompanhado pelo serviço na condição de “baixa vigilância” encaminhado pelos Salesianos dentro do projeto “Preocupo-me com você”, que cuida dos migrantes menores que chegam à Itália desacompanhados.

 

O projeto dos Salesianos para “os últimos”

Há dois anos, primeiro em Roma, depois Turim, Nápoles e Catânia, a Associação dos Salesianos para o Social, Federação SCS/CNOS (Serviços Civis e Sociais – Centro Nacional Obras Salesianas), um instrumento de apoio à pastoral para a educação dos necessitados, que se inspira em Dom Bosco, está engajada ao lados dos menores migrantes presentes na Itália que estão fora dos programas de acolhida do Governo.

 

“Os jovens que contatamos – conta padre Giovanni D’Andrea, presidente da Associação salesiana – definimos como ‘os últimos’: são os que estão fora do programa casa-família, e que andam pelas ruas, dormem fora e vivem inúmeras aventuras, muitas vezes dramáticas e trágicas. Porque o mundo das ruas é cruel e violento: dormem em lugares inseguros não só do ponto de vista ambiental mas pelas pessoas que podem encontrar nestes lugares. Entre os moradores de rua há particulares códigos de comportamento…”.

 

O primeiro passo: estabelecer relação de confiança

Desde o início do ano, 387 jovens “invisíveis” já se aproximaram do projeto: “São jovens muito simples – nos diz padre D’Andrea. Infelizmente a vida. E por tudo o que foram submetidos, faz com que sejam muito desconfiados, portanto não confiam facilmente nas pessoas. Um dos nossos jovens, Mario, certa vez me disse: ‘Recebo muitos sorrisos de muitas pessoas, mas por trás de cada sorriso há sempre uma punhalada'. Por isso no início é normal que sejam assim, é preciso muita paciência, conversar muito com eles mesmo de coisas banais”.

 

Há sempre o risco da exploração

Segundo o “Save the Childen”, em 2017 chegaram na Itália 17.337 menores, destes 15.779 não acompanhados. Cerca de 5.000 vivem ao redor de estações de trem nas grandes cidades e todos os dias correm o risco de se envolverem em atividades criminosas ou caírem nos circuitos de exploração sexual. Uma situação bem diferente da que imaginavam antes de chegar. “Isso porque – explica o Presidente dos salesianos da ação social – muitos destes jovens chegam com a convicção de devem logo trabalhar, ganhar dinheiro, enviar para casa, porque pagaram muito para fazer esta viagem à Itália. Depois, quando chegam, veem que não é fácil encontrar logo trabalho porque são menores, devem ficar nas comunidades e fazer todo o percurso, por isso muitos preferem não fazê-lo e fogem acabando nas ruas”.

 

Nunca perder a esperança

A rede que apoia as intervenções do projeto “Preocupo-me com você” é formada por educadores de ruas, psicólogos e voluntários que garantem logo a cada jovem contatado apoio e proteção. Em uma segunda fase, oferecem-lhe a possibilidade de fazer um curso de italiano, e receber assistência legal para a documentação de reconhecimento como refugiados, aprender uma profissão e entrar no mundo do trabalho.

 

Apenas um entre 10 jovens contatados cumpre até o fim este percurso, mas padre D’Andrea não perde a esperança de que também para os outros, com o tempo, possam amadurecer alguma coisa boa.

 

“Dom Bosco dizia que em cada jovem há um ponto acessível ao bem, mesmo no mais miserável. E a nossa tarefa, como educadores, é encontrar este ponto sensível e animá-lo. E isso só acontece se cada dia se recomeça de novo: cada dia é um novo dia, portanto a esperança de que a graça de Deus possa tocar seus corações”.

Fonte: Vatican News

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