Terça, 02 Maio 2017 14:56

A viagem do Papa ao Egito: identidade e educação para um futuro de paz

Escrito por  P. Vittorio Pozzo SDB
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Da Viagem Apostólica do Papa Francisco ao Egito, realizada nos dias 28 e 29 de abril, à luz do ecumenismo e do diálogo inter-religioso, se podem sublinhar dois aspectos peculiares, ambos enunciados pelo Papa na sua fala à Conferência Internacional pela Paz, na Universidade Islâmica de Al-Azhar, no Cairo: primeiro, o fato de que um autêntico diálogo inter-religioso exige antes de tudo “o dever da identidade”; e, segundo, o papel da educação.

Ninguém pode se apresentar honestamente ao outro se o fizer camuflando a própria identidade: esta, antes, deve emergir com clareza. Somente assim se evita o confronto na ambiguidade. Mas perguntemo-nos, antes de tudo: qual é a nossa identidade? Conhecemo-la e nos identificamos com ela, ou é apenas um verniz esmaecido?

 

O diálogo requer além disso o reconhecimento da ‘alteridade’: o outro é diferente de mim e me interpela com a sua diversidade. Se eu considerar a alteridade em sentido negativo, irei vê-la como uma ameaça; se eu a julgar em sentido positivo, irei vê-la como valor.

 

A “sinceridade das intenções”, enfim, deve revelar que o diálogo não subjaz a um movimento tático, a uma artimanha diplomática. A abertura deve ser incondicional: abertura de mente e de coração. “Deve-se ouvir o irmão com o ouvido de Deus, se quisermos que nos seja dado falar com a palavra de Deus” (Dietrich Bonhoeffer).

 

Como Salesianos fomos em seguida tocados pelas palavras do Papa sobre a importância da educação das jovens gerações, especialmente da sua qualidade e dos seus conteúdos, a fim de que respondamos realmente “à natureza do homem, ser aberto e relacional” e se ponha no centro a dignidade. Conhecendo os conteúdos de vários manuais escolares em uso nos países do Oriente Médio, repletos de citações confessionais e interpretados no seu sentido mais estrito e rigoroso, é mais que nunca oportuno o convite do Pontífice a “cultivar maduramente gerações”, a fim de que “purifiquem, cada dia, no oxigênio da fraternidade, o ar inquinado do ódio”.

 

O caminho é ainda muito longo e requer uma verdadeira e profunda revolução cultural. Desde fora podem chegar estímulos e impulsos; entretanto uma verdadeira mudança só pode, e deve, brotar do interior. Emerge assim o papel central da educação que só se torna “sabedoria de vida” se ela conseguir formar construtores de paz e não ulteriores promotores de conflitos.

 

É nesse quadro que se insere o papel da presença educativo-salesiana nos países islâmicos, que em muitos casos foi e é modelo de “convivência” entre culturas, religiões, nacionalidades diferentes. As gerações passam e mudam; a missão continua.

Fonte: Info ANS

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