Segunda, 25 Julho 2016 14:48

Papa publica documento sobre vida contemplativa feminina

Escrito por  ISJB com informações Rádio Vaticano
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Papa publica documento sobre vida contemplativa feminina Canção Nova

Foi publicada no dia 22 de julho, a constituição apostólica do Papa Francisco Vultum Dei Quaerere (A busca da face de Deus), sobre a vida contemplativa feminina. O documento indica 12 temas de reflexão para a vida consagrada e se conclui com 14 orientações.

Às contemplativas, o Papa lança um desafio: ser “faróis e centelhas” que guiam e acompanham o caminho da humanidade, oferecendo o Evangelho ao mundo contemporâneo. O Pontífice as exorta a vencer com tenacidade as tentações, em especial a tentação que degenera em apatia, rotina, desmotivação e indiferença paralisante.

 

Francisco convida a discernir sobre 12 temas da vida consagrada. Confira, a seguir, uma breve indicação do que o Papa trata nesses temas. A íntegra do documento está disponível apenas em italiano no Boletim da Santa Sé.

 

Formação e oração

 

O primeiro é a formação, que requer uma contínua conversão a Deus e um período que varia de 9 a 12 anos. Os mosteiros não devem se deixar levar pela tentação do número e da eficiência, adverte o Papa.

 

Depois  há a oração, “espinha dorsal da vida consagrada”, que não deve ser vivida como um fechamento da vida monástica em si mesma, mas como um alargamento do coração “para abraçar toda a humanidade”, em especial os que mais sofrem.

 

Lectio divina, Eucaristia e Reconciliação

 

A Palavra de Deus é outro tema central, que deve marcar o dia pessoal e comunitário das contemplativas por me da lectio divina, para depois se transformar em actio, “dom para os outros na caridade”. A Constituição Apostólica recorda ainda a importância da Eucaristia e da Reconciliação, sugerindo prolongar a celebração com a adoração eucarística e viver a prática da penitência como ocasião privilegiada para contemplar a face misericordiosa do Pai e se tornar, assim, “instrumentos de reconciliação, de perdão e de paz” de que o mundo hoje necessita particularmente.

 

Vida comunitária e autonomia dos mosteiros

 

O quinto tema indicado pelo documento é a vida fraterna em comunidade, testemunho mais necessário do que nunca numa sociedade marcada por divisões e desigualdades. “É possível e belo viver juntos, não obstante as diferenças de geração, formação e cultura, porque unidade e comunhão não significam uniformidade”, escreve Francisco no documento.

 

O sexto tema diz respeito à autonomia dos mosteiros, que não deve significar “independência ou isolamento”, escreve o Papa, exortando as contemplativas a não adoecerem de “autorreferencialidade”.

 

As federações e a clausura

 

O sétimo tema ressalta a importância das Federações como estruturas de comunhão entre mosteiros que compartilham o mesmo carisma, sugerindo sua criação e multiplicação. O oitavo tema  é relativo à clausura, sinal da união exclusiva da Igreja esposa com o seu Senhor.

 

O trabalho e o silêncio

 

O Papa destaca ainda o trabalho que as contemplativas devem realizar com devoção e fidelidade, sem se deixar condicionar pela mentalidade da cultura contemporânea, que aposta na eficiência. O trabalho deve ser entendido como serviço à humanidade e solidariedade para com os pobres. Já o silêncio é “escuta e ruminatio da Palavra”, vazio de si para fazer espaço ao acolhimento, silêncio rico de caridade, que ouve Deus e o grito da humanidade.

 

A cultura digital e os meios de comunicação

 

Consciente das transformações da sociedade e da “cultura digital”, que influi de modo decisivo na formação do pensamento e no modo de se relacionar com o mundo, Francisco propõe como 11º tema os meios de comunicação. “Instrumentos úteis para a formação e a comunicação”, o Papa todavia exorta as contemplativas a um discernimento prudente para que esses meios não sejam ocasião de evasão da vida fraterna, danificando a vocação e dificultando a contemplação.

 

A ascese rumo a Deus

 

Por fim, o último tema é ascese (prática de renúncia, de autocontrole do corpo e do espírito), que Francisco define como sinal eloquente de fidelidade num mundo globalizado e sem raízes, exemplo de como ficar ao lado do próximo mesmo diante de diversidades, tensões, conflitos e fragilidades.

 

A ascese não é uma fuga do mundo “por medo”, destaca Francisco, porque as monjas continuam a estar no mundo sem ser do mundo. Intercedendo constantemente pela humanidade junto a Deus, ouvindo o clamor de quem é vítima da cultura do descarte, as contemplativas são o “degrau” por meio do qual Deus desce ao encontro do homem e o homem sobe para o encontro com Deus.

 

Recrutamento de candidatas

 

A Conclusão da Constituição Apostólica se divide em 14 artigos que, de fato, definem em termos jurídicos o que foi dito pelo Pontífice precedentemente. Em especial, o art. 3 estabelece que se deve absolutamente evitar o recrutamento de candidatas de outros países com a única finalidade de garantir a sobrevivência do mosteiro.

 

O art. 8 traz a lista dos requisitos necessários para a autonomia jurídica de uma comunidade, entre os quais a capacidade formativa e de gestão, a inserção na Igreja local e a possibilidade de subsistência. Caso não haja esses requisitos, a Congregação para os Institutos de Vida Consagrada “avaliará a oportunidade de constituir uma comissão ad hoc” para “uma revitalização do mosteiro ou o seu fechamento”.

 

Obrigação inicial de pertencer a uma Federação

 

O art. 9 estabelece que inicialmente todos os mosteiros deverão pertencer a uma Federação. Se isto não for possível, o mosteiro deverá pedir a permissão da Santa Sé, à qual compete um “discernimento adequado”.

 

Por fim, no art. 14 afirma-se que caberá à Congregação para os Institutos de Vida Consagrada emanar indicações práticas, aprovadas pela Santa Sé, de acordo com os carismas das várias famílias monásticas.

 

ISJB com informações Rádio Vaticano

 

 

 

Lido 688 vezes Modificado em Segunda, 25 Julho 2016 19:02

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