Quarta, 22 Abril 2015 14:10

Papa Francisco comenta nova tragédia no Mar Mediterrâneo

Escrito por  InfoANS
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"São homens e mulheres como nós, irmãos nossos em busca de uma vida melhor…, famintos, perseguidos, feridos, explorados, vítimas de guerras; à procura de uma vida melhor. Buscavam a felicidade... Convido-vos a rezar: antes em silêncio, depois todos juntos, por esses nossos irmãos e irmãs", disse no domingo, 19 de abril, o Papa Francisco, logo depois da oração do Regina Coeli, comentando a enésima tragédia nas águas do Mediterrâneo.
 


Uma barcaça apinhada de migrantes virou a cerca de 60 milhas da costa líbica, entre a noite de sábado (18) para o domingo (19). O número das vítimas é ainda incerto: mas teme-se que sejam centenas; até mesmo 900.
 

“Expresso a minha mais profunda dor perante tamanha tragédia; e asseguro pelos desaparecidos e por suas famílias a minha lembrança e a minha oração. Dirijo um angustiado apelo, a fim de que a Comunidade Internacional aja com decidida prontidão, a fim de que não se repitam semelhantes tragédias”, disse o Papa, renovando desse modo sua admoestação contra aquela “globalização da indiferença” que já denunciara uma primeira vez exatamente em Lampedusa, no mar Mediterraneo, durante a sua primeira viagem apostólica, em 8 de julho de 2013. Desde então, as vítimas somente aumentaram, com cerca de 1.600 mortos calculados só a partir do início deste ano de 2015.
 

Tanto que o padre Mussie Zerai, diretor da Agência Habeshia para a Cooperação ao Desenvolvimento, especializada em difundir notícias e informações sobre a situação dos migrantes, falou de “guerra não declarada da União Europeia, Prêmio Nobel da Paz”.
 

“A recusa da União Europeia em colocar em campo um programa equivalente ao ‘Mare Nostrum’ (missão de salvamento no mar para migrantes, levada à frente pelas forças italianas entre 2013 e 2014, NdR) é uma clara declaração de guerra contra... os migrantes e refugiados. E deixá-los morrer no mar é um modo passivo de combater uma guerra que se não quer declarar”.
 

Padre Zerai denuncia em primeiro lugar que “essas vítimas pesarão na consciência daqueles criminosos que os expuseram a um risco gravíssimo”; mas crítica outrossim a cumplicidade “da política e da finança europeia” que se recusa de tal forma a colocar no centro a vida humana “a ponto de fingir que não vê o mediterrâneo tingir-se do sangue dos milhares de inocentes”.
 

“Não bastam palavras de circunstância ou lágrimas de alguma alma piedosa: servem atos, respostas concretas, para proteger e prevenir tais tragédias”, conclui padre Zerai.

 

Salesianos empenhados pelo fim do tráfico de seres humanos

A tragédia da barcaça que virou no Mediterrâneo está gerando uma série de declarações e tomadas de posições públicas. Entretanto, para não ficar apenas nas boas intenções, é necessário passar das palavras aos fatos. As várias realidades salesianas estão se empenhando para elaborar um projeto concreto que contraste com o fim do tráfico de seres humanos.
 

As Missões Dom Bosco (MDB) e o Voluntariado Internacional para o Desenvolvimento (VIS), realidades salesianas, aderem ao apelo do Papa Francisco para que a Comunidade Internacional se interesse pronta e decididamente por evitar que se repitam tais tragédias e já se empenham em um projeto conjunto com a finalidade de tornar mais conscientes os migrantes sobre os riscos da viagem e do tráfico: maus tratos durante a viagem, redução à escravidão, ‘um cemitério na areia’, ‘um cemitério na água’, declara Giampietro Pettenon, SDB, presidente das Missões Dom Bosco, referindo-se às muitas vítimas tanto no deserto quanto nos naufrágios.
 

“Encolerizar-se ou indignar-se já não basta. Acolher, na Europa, é forçoso. Mas não basta. É necessário intervir também nos países de origem dos migrantes”,  acrescenta Nico Lotta, presidente do VIS.
 

“Graças às comunidades salesianas radicadas nos territórios de partida, estaremos em condições de chegar a milhares de jovens de ambos os sexos, com a finalidade de informar e sensibilizar os jovens migrantes sobre as reais e efetivas possibilidades de sucesso do projeto migratório à Europa. Daremos voz aos testemunhos diretos dos jovens que vivem nos centros de acolhimento na Itália, administrados pela ‘Federação SCS – Salesianos para o Social’ e que, felizmente, sobreviveram àquelas viagens. É importante fazer todos os esforços para que os jovens africanos tenham todas as informações para fazer uma opção consciente, a fim de realizar um projeto migratório que seja sustentável e ao mesmo tempo possam ter a liberdade de optar por ficar, sem renunciar a uma vida em que todos os direitos humanos sejam garantidos”, sublinham Giampietro Pettenon e Nico Lotta.
 

Os salesianos estão presentes em muitos países da África Subsaariana dos quais parte o fluxo migratório, especialmente na Etiópia, Eritréia, Sudão, Sudão do Sul, Senegal, Guiné, Mali, Costa do Marfim, Burkina, Benim, Togo, Serra Leoa, Libéria, Gana, Nigéria, Camarões, Gabão, Congo, República Centro-Africana, Chade: um campo muito vasto para uma efettiva ação de sensibilização.
 

InfoANS

Lido 1308 vezes Modificado em Terça, 08 Dezembro 2015 15:14
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