Sexta, 26 Maio 2017 13:10

Paternidade e maternidade responsáveis: O planejamento familiar

Escrito por  Pe. Antônio de Assis Ribeiro, SDB
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Com a publicação da Exortação Apostólica Amoris Laetitia, falando sobre a experiência da alegria do amor na família, o Papa Francisco fez para toda a Igreja um relançamento das preocupações pastorais voltadas para a família. A saúde e a beleza da família estão intimamente ligadas à saúde e à beleza da Igreja. A Igreja é uma grande comunidade formada por pequenas comunidades, as famílias.

Um dos fortes subtemas da Pastoral Familiar é a preocupação com o planejamento familiar. Trata-se de um compromisso consequente de um projeto de vida e do devido discernimento vocacional. A família é uma vocação séria, e por isso, nunca deveria ser abraçada acidentalmente e nem por impulso.

Constatamos em nossa sociedade, de modo geral, uma grande ausência da paternidade e da maternidade responsáveis e por isso encontramos uma desagradável situação caracterizada por “acidentes”, casais sem plano de vida, pais e mães sem maturidade, conflitos, convivências insustentáveis, separações, violência familiar etc.

Diante dessa realidade é urgente que todos os setores da vida da sociedade, juntos, comprometam-se em lutar por uma mudança profunda de mentalidade em relação à família. A família é a instituição básica da vida da sociedade e, por isso, deve ser pensada e começada de modo sério.

Graves problemas convergem para a falta de um projeto de vida familiar: frágil formação humana no seio da família, gravidez precoce ou indesejada, a cultura da erotização, o machismo, o feminismo, ausência de infraestrutura física para moradia digna, fragilidade psicoafetiva dos pais, abusos, a cultura imediatista, hedonista e do “provisório”, entre tantos outros.

 

O que é planejamento familiar?

O que significa maternidade e paternidade responsáveis? De quem isso depende? O que isso implica? Que importância isso tem para a vida familiar?

Entendemos a paternidade e a maternidade responsáveis como uma postura de madura responsabilidade que um casal assume diante das exigências que brotam da constituição de uma nova dinâmica de vida: viver juntos amando-se e respeitando-se todos os dias e assumindo conjuntamente as responsabilidades recíprocas, em particular a promoção mútua e a vida dos filhos com todas as suas implicâncias (quantidade, método de educação, manutenção da família cotidianamente...).

Uma atitude de maternidade e paternidade responsáveis não começa com a chegada dos filhos, mas se inicia a partir da visão de projeto de vida conjunto que o casal deseja construir. As responsabilidades familiares começam bem antes da primeira gravidez. É necessário, antes de tudo, pensar no alicerce do edifício familiar! 

Falar de paternidade e maternidade responsáveis significa falar de planejamento familiar. Uma nova família que se constitui, se não tiver seus fundamentos sólidos dificilmente poderá superar as dificuldades do dia-a-dia da vida. A sustentabilidade saudável e íntegra de uma família não depende simplesmente da questão econômica, mas de uma diversidade de condições e exigências. 

 

O conteúdo do planejamento familiar

O planejamento familiar é a projeção das preocupações para com a família. Estamos diante de uma séria tarefa de conteúdo muito abrangente. Para que um planejamento familiar manifeste maternidade e paternidade responsáveis, ele deve levar em consideração questões como: lugar onde os dois irão morar, como será a vida profissional de ambos, que valores lhes serão irrenunciáveis, quantos filhos desejarão ter, como será o processo de educação dos filhos (que método educativo adotarão), que tipo de escola os filhos deverão frequentar, como será a vida religiosa dos dois e dos filhos, como será a dinâmica da vida social e cultural, como será definido o orçamento familiar, como organizarão os tempos de lazer, como será planejado o zelo pela saúde (planos ou não), como o casal vivenciará o dinamismo da vida sexual etc.

Como se percebe, trata-se de uma questão pluridimensional, pois deve abraçar a totalidade da vida da família. Partindo desta ótica pluridimensional, somos convidados a abandonar a ideia de pensar a paternidade e a maternidade responsáveis como forma de controle da natalidade, ou seja, de pensar unicamente em número de filhos.

Há questões primárias muito mais graves e profundas a serem refletidas pelo casal. Seria um grave reducionismo pensar um projeto de vida familiar unicamente centrando na preocupação com o número de filhos! A causa primeira do planejamento familiar não está na quantidade de filhos, mas sim no desejo da experiência da felicidade em família. Casais que querem ser felizes, projetam-se! A felicidade não vem por acaso, é uma conquista!  

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