Segunda, 23 Julho 2018 15:15

Alegrai-vos! A alegria diz quem somos

Escrito por  Pe Renato dos Santos, SDB, Cidade do Vaticano
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Papa Francisco e uma criança na Praça São Marcos Papa Francisco e uma criança na Praça São Marcos Reprodução Vatican News

Em sua meditação desta semana para o site Vatican News, padre Renato dos Santos, SDB, reflete sobre a Exortação Apostólica Gaudete et Exultate e afirma: “A alegria diz quem somos! Ora, quem somos? Somos cristãos alegres, somos seguidores alegres, mas, alegres no Senhor. Como em todos os tempos, o mundo atual tem necessidade e urgência de santos e santas alegres”. Leia a seguir a íntegra do artigo:

 

É interessante notar que a Exortação Apostólica sobre o chamado à santidade no mundo atual tem seu início com esta fantástica e atrativa afirmação: Alegrai-vos! Esta afirmação, por si só, já dá toda a tônica ao documento. Não é indiferente que um documento pontifício, que nos motiva à santidade, inicie destacando a dimensão da alegria. Ou seja, é impossível ser santo, ser santa, sem ser alegre.

 

Esta possibilidade real de viver a santidade, que não dispensa o viver com grande alegria, está muito presente em todo o documento. Em outras palavras: a alegria diz, precisamente, quem somos! Ora, quem somos? Somos cristãos alegres, somos seguidores alegres, mas, alegres no Senhor. Como em todos os tempos, o mundo atual tem necessidade e urgência de santos e santas alegres.

 

Para quem desejar percorrer um caminho de santidade, entenderá que a alegria não estará, jamais, nas coisas transitórias deste mundo, mas no próprio Deus. Em Jesus Cristo ressuscitado a santidade encontrará a sua substância e o seu fundamento. Cristo ressuscitado será o motivo maior da nossa santidade alegre. O Apóstolo Paulo entendeu muito bem tudo isso quando afirmou: “Alegrai-vos sempre no Senhor. Repito: alegrai-vos!” (Fl 4,4)

 

Quem assumir na própria vida este imperativo paulino, entenderá que alegria não será, mais, uma questão de “alegria de momento”, passageira, sem brilho, sem consistência, mas, uma alegria permanente, cheia de encanto e de sentido.  Encontrar Jesus ressuscitado é encontrar o estado perene de contentamento, de júbilo, de satisfação, de alegria de viver e, de gastar a vida, para que outros tenham vida.

 

Santidade em ação: “servir ao Senhor com alegria”!

Notaremos em todo o documento que este projeto possível de santidade, vivido na alegria do encontro real com o Senhor ressuscitado, não é para um grupo reduzido de “iniciados”. O próprio Papa afirma: “Muitas vezes somos tentados a pensar que a santidade esteja reservada apenas àqueles que têm possibilidade de se afastar das ocupações comuns, para dedicar muito tempo à oração. Não é assim. Todos somos chamados a ser santos, vivendo com amor e oferecendo o próprio testemunho nas ocupações de cada dia, onde cada um se encontra.”(14)

 

Neste sentido, nunca será demais afirmar que, nas ocupações de cada dia, poderemos “servir ao Senhor com alegria”. (Sl 100)

 

Santidade alegre e liberdade caminham juntas...

Quem fez a experiência do encontro pessoal com o Senhor ressuscitado, se sentirá totalmente livre para viver sem ter o coração preso às coisas passageiras desta realidade terrena. O jovem rico do Evangelho, depois da provocação de Jesus, vai embora entristecido. Era escravo dos bens terrenos... O seu foco não era Jesus e, nem os pobres. Outros interesses ofuscaram sua visão. Ele, talvez, sem a necessária abertura à ação do Espírito Santo, não teve a grandiosidade de entender que a maior riqueza era o próprio Jesus. Em Jesus Cristo a santidade alegre e a liberdade de renúncias caminham juntas.

 

A santidade alegre, fruto da ação do Espírito Santo, nos faz entender da necessidade de relativizar todas as coisas terrenas para não perdermos o essencial: Jesus Cristo Ressuscitado, fundamento e princípio de toda santidade alegre. Portanto, como seguidores de Jesus e, portadores dos valores do Reino, na condição de batizados, não apostemos a nossa alegria de viver nas coisas que passam, mas, nas que não passam...

 

Onde temos fundamentado a nossa alegria, nas coisas do mundo, ou, nos bens do céu?

 

Fonte: Vatican News

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