Segunda, 25 Junho 2018 19:04

Amazônia: novos caminhos para a Igreja

Escrito por  Com informações: Vatican News e ANS
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Padre Justino Rezende (de camisa azul claro) foi o único indígena presente na reunião Padre Justino Rezende (de camisa azul claro) foi o único indígena presente na reunião

Teve início em abril a preparação do Sínodo dos Bispos especial para a Região Pan-amazônica, que será realizado em outubro de 2019. Entre os especialistas convidados a participar da organização está o padre brasileiro Justino Rezende, único indígena na reunião preparatória.

 

Foi realizada nos dias 12 e 13 de abril de 2018 a primeira reunião do Conselho Pré-sinodal da Assembleia Especial do Sínodo dos Bispos para a Região Pan-amazônica, presidida pelo Papa Francisco. Entre os participantes estava o padre Justino Sarmento Rezende, brasileiro e primeiro salesiano indígena ordenado sacerdote, há 24 anos.

Padre Justino foi um dos 13 especialistas convidados para a reunião, e o único participante de origem indígena. Entre os 18 bispos que são membros efetivos do Conselho estão dois salesianos: dom Edmundo Ponciano Valenzuela Mellid, arcebispo de Assunção, no Paraguai, e dom José Ángel Divassón Cilveti, ex-vigário apostólico de Puerto Ayacucho, na Venezuela. Durante a reunião foi examinado o projeto de documento preparatório para o Sínodo, programado para outubro de 2019 sobre o tema: “Amazônia: novos caminhos para a Igreja e para uma ecologia integral”.

 

Documento preparatório

O cardeal Lorenzo Baldisseri, secretário do Sínodo, definiu a Amazônia como “um jardim de imensas riquezas e recursos naturais, terra mãe de povos indígenas, com uma história própria e um rosto inconfundível. Terra ameaçada pela ambição sem limites e o afã de domínio dos poderosos”.

Ele também destacou os novos caminhos que estão já no tema deste Sínodo, e apresentou a terra amazônica como um espaço sociocultural que implica um duplo desafio. De um lado, é um desafio para a Igreja, no sentido de que a Amazônia é uma terra de missão, com características próprias que exigem caminhos novos e soluções apropriadas para a inculturação no Evangelho. O outro desafio, não menos importante, está na problemática ecológica, que exige como resposta uma ecologia integral na linha da Encíclica Laudato Si.

O documento preparatório foi avaliado, reformulado em alguns pontos e aprovado, juntamente com um questionário, para que pudesse ser transmitido a todas as Conferências Episcopais e organismos da Igreja da região Pan-amazônica, dando início assim à consulta pré-sinodal.

 

Contribuição indígena à Igreja

Padre Justino Rezende foi o autor de uma carta apresentada ao Conselho no dia 12 de abril, na qual manifesta sua alegria de encontrar o Papa Francisco pela primeira vez e expressa, em nome dos povos indígenas, que a Igreja “está depositando em nós, povos da Amazônia, a esperança de receber contribuições importantes para que seja cada vez mais universal”. De acordo com o salesiano, o Sínodo será uma importante oportunidade para renovar a presença da Igreja na Amazônia.

“Agradecemos também a todos os missionários, bispos e padres, que deram a vida pelos nossos povos, defendendo nossas vidas e nossas culturas, sendo martirizados e dando o sangue para banhar as terras amazônicas”, acrescenta ele, reforçando que “muitos missionários adquiriram o rosto indígena, aprendendo a cultura, o idioma, as tradições, e não quiseram mais retornar. Estão sepultados conosco”.

Para o padre Rezende, foi a partir do trabalho missionário que surgiram muitos leigos comprometidos com a Igreja – catequistas, ministros extraordinários, religiosos e sacerdotes. “E este é o rosto que temos a oferecer enquanto Igreja. Estamos lá, mas também aqui no coração da nossa Igreja”, conclui.

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