Quarta, 26 Abril 2017 14:14

Participação salesiana no Fórum Internacional Migração e Paz

Escrito por  Com informações InfoANS e Portal FMA
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Realizou-se em Roma, Itália, de 21 a 22 de fevereiro, o VI Fórum Internacional sobre Migração e Paz, com o tema “Da reação à ação”. O evento foi organizado pelo Dicastério para o Serviço do Desenvolvimento Humano Integral, pelo Scalabrini International Migration Network (SIMN) e pela “Fundação Konrad Adenauer” e reuniu mais de 200 representantes de organizações internacionais, instituições, governos, universidades, centros de pesquisa e congregações religiosas que atuam junto aos migrantes, além de especialistas em migração, cooperação internacional e integração.

Entre os participantes do Fórum estavam o coordenador da Internacional Network das Filhas de Maria Auxiliadora (FMA), Guido Barbera, e os Salesianos de Dom Bosco (SDB), padre Martín Lasarte e padre George Menamparampil, do Setor para as Missões.

O Fórum

Após um pré-fórum limitado aos institutos e organismos religiosos, os participantes do Fórum dedicaram dois dias a explorar possíveis soluções para a questão dos migrantes, baseadas em boas práticas realizadas na Europa, na América do Norte e na América do Sul. Os trabalhos do Fórum levaram a perceber o quanto é essencial a criação de uma rede entre as instituições, a sociedade civil e os governos.

Também ficou claro que as instituições devem garantir, ao mesmo tempo, o ‘direito de não emigrar’, criando projetos para que as comunidades não sejam desmembradas, destruídas, por crises de todos os gêneros. O apoio do Papa Francisco, que recebeu os participantes do Fórum no Vaticano, demonstra como a migração é uma prioridade, já que ela ocorre por outros fatores históricos e sociais.

 

Salesianos

Os padres salesianos Martín Lasarte e George Menamparampil, do Setor para as Missões, tiveram a oportunidade de apresentar o trabalho que fazem os Filhos de Dom Bosco pelos migrantes, os quais são destinatários privilegiados da missão salesiana, visto que sobre os 65.300.000 refugiados (dados UNHCR), mais da metade é composta por menores (crianças/adolescentes) e a outra metade, em sua maioria, jovens.

Nas diferentes presenças salesianas, escolas, centros de formação profissional, oratórios, obras sociais e paróquias,  em mais de 130 países do mundo, se entra em contato direto com cerca de 10.600.000 pessoas, das quais se estima que 16% são refugiados, deslocados internos, imigrantes de primeira ou de segunda gerações.

A missão salesiana, portanto, envolve cerca de 1.700.000 pessoas em situação de mobilidade humana, dentre as quais, cerca de 400.000 são refugiados/deslocados que estão pedindo asilo em outros países.

A ação, sem excluir as operações de emergência todas as vezes que sejam necessárias, tem como prioridade o desenvolvimento de processos educativos que, num espaço de tempo suficiente, possam oferecer aos migrantes os instrumentos com que inserir-se no mundo do trabalho e na sociedade que os recebe.

Por outro lado, os salesianos trabalham também para transmitir às sociedades de acolhida os valores de solidariedade próprios do Evangelho. Dedicam-se ainda a iniciativas específicas contra o tráfico de seres humanos, como as da ONG ‘PARA’, na região da Índia; e o “Stop Tráfico”, em colaboração com a ONG VIS, na África Ocidental e na Etiópia.

Por parte dos religiosos salesianos, indicou-se por fim na exposição a necessidade de fortalecer e tornar mais sistemática – em âmbito global – a colaboração entre as instituições católicas ativas no mesmo setor.

Com informações: Info ANS e Portal das FMA

 

Papa Francisco: combater as desigualdades

 

Escrito por: Rádio Vaticana

 

Desenvolvimento e integração: este é o binômio proposto pelo Papa Francisco para enfrentar hoje o desafio das migrações. O Pontífice falou sobre este tema ao receber os participantes do VI Fórum Internacional sobre Migrações e Paz.

Em seu discurso, Francisco parte da constatação de que os movimentos migratórios sempre caracterizaram a história humana. Na sua essência, migrar é expressão intrínseca do anseio à felicidade própria de cada ser humano. Todavia, o Papa manifestou preocupação pela natureza forçada da maioria dos fluxos contemporâneos: transferências causadas por conflitos, desastres naturais, perseguições, mudanças climáticas, violências, pobreza extrema e condições de vida indignas.

Para responder a este desafio, ele propôs a conjugação de quatro verbos: acolher, proteger, promover e integrar.

Acolher: O Papa pede uma mudança de atitude para superar a indiferença e a índole da rejeição, sentimentos muitas vezes amplificados por demagogias populistas. Para quem foge de guerras é preciso abrir canais humanitários acessíveis e seguros. E o acolhimento deve ser feito de maneira responsável e digna, em espaços adequados e decorosos.

Proteger: Para Francisco, proteger significa defender os migrantes da exploração, do abuso e da violência. Trata-se de um imperativo moral a ser traduzido adotando instrumentos jurídicos, realizando políticas justas, aplicando programas contra os “traficantes de carne humana”.

Promover: Contudo, proteger não basta: é preciso promover o desenvolvimento humano integral dos migrantes. Esta promoção deve começar a partir das comunidades de origem, ou seja: com o direito de poder emigrar, deve ser garantido o direito a não ter que emigrar. Isto é, o direito de encontrar na própria pátria condições que permitam uma digna realização da existência.

Integrar: A integração é um processo bidirecional que se fundamenta no reconhecimento mútuo da riqueza cultural do outro, só assim se podem evitar os novos “guetos”. Para isso, são necessários programas específicos que favoreçam o encontro significativo com o outro e o migrante não pode se fechar à nova cultura que o hospeda, respeitando leis e tradições.

“Creio que conjugar esses quatro verbos, na primeira pessoa do singular e na primeira pessoa do plural, represente hoje um dever – um dever para com os irmãos e irmãs que, por várias razões, são forçados a deixar o próprio local de origem”, disse o Papa Francisco. Este dever, acrescentou, é tríplice: dever de justiça, dever de civilidade e dever de solidariedade.

Todos esses elementos, indicou por fim o Pontífice, requerem uma mudança de atitude da parte de todos; deixar a defesa, o medo, o desinteresse e a marginalização de lado e se abrir para a cultura do encontro, “a única capaz de construir um mundo mais justo e fraterno, um mundo melhor”.

Francisco concluiu seu articulado discurso com um pensamento especial ao grupo mais vulnerável dos migrantes: “Refiro-me às crianças e aos adolescentes que são forçados a viver longe de suas terras de origem e separados dos afetos familiares.”

 

Lido 454 vezes Modificado em Quarta, 26 Abril 2017 19:00

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