Sábado, 27 Abril 2013 01:47

A Oração do Senhor: Traços característicos

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Depois de ter apreendido o genuíno significado do conteúdo do Pai Nosso, podemos retroceder delineando algumas características. Isso pode nos ajudar a entender que a relação da criatura com Deus não é complicada, mesmo que pareça impossível.

 

No Pai Nosso não há traço de prolixidade. Os pedidos são breves, as palavras são concisas e o seu conteúdo é de uma profundidade abissal. Com esta oração, Jesus desejou ensinar-nos como Deus deseja receber a oração. Indica o modo correto ou, se assim o desejar, a disposição interior com a qual devemos estar diante de Deus.

O Pai Nosso é uma oração rica de conteúdo. São Cipriano o considera um “compêndio da doutrina celeste”, onde “nada foi esquecido daquilo que sabemos e podemos pedir”, seja referindo-se a Deus ou em relação ao homem (De dominica oratione, 8). Devemos, portanto, considerá-la uma oração completa em si mesma.

 

 

A última invocação do Pai Nosso fala do “mal”. É uma palavra que pela indeterminação deixa o caminho aberto a duas interpretações.

 

 

Os três últimos pedidos do Pai Nosso interagem uns com os outros. A súplica do perdão vem integrada à da superação das tentações ou provas, completada com a da liberação do mal. Esta última compreende também, de certa maneira, os antecedentes, porque, libertos do mal, somos capazes de realizar o conteúdo dos pedidos, que contêm a santificação do nome de Deus, a vinda do Seu Reino e o cumprimento de Sua vontade.

 

 

Depois da invocação para remissão dos pecados, Jesus nos convida a suplicar ao Pai para que nos auxilie a superá-las.

O pedido “não nos deixeis cair em tentação”, como o recitamos, é ambíguo pelo fato que nos faz imaginar que seria Deus a nos induzir à tentação. Interpretação já rejeitada por São Giacomo que diz: “Ninguém, ao ser tentado, deve dizer: ‘É Deus que me tenta’, pois Deus não pode ser tentado pelo mal e tampouco tenta a alguém. Antes, cada qual é tentado por sua própria concupiscência, que o arrasta e seduz” (Tg 1,13-14), mas isso não o priva da responsabilidae pessoal.

A locução atual, inserida na liturgia da Missa, diz: “Não nos deixeis cair em tentação”. É uma súplica dirigida ao Pai para pedir que o peso da tentação seja proporcional às nossas forças, para não sucumbirmos.

 

Sábado, 03 Novembro 2012 15:05

A Oração do Senhor: "Perdoai as nossas ofensas"

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O suprimento do corpo é necessário, mas precisamos também restabelecer a ordem dentro de nós mesmos, liberando-nos da desarmonia, tornando-nos devedores diante de Deus e do próximo. É lógico, então, que no Pai Nosso, a invocação do pão seja seguida pela da remissão das nossas dívidas, o que somente Deus pode solucionar por meio do perdão.

 

A redação de Mateus fala de uma maneira metafórica do perdão das “faltas” (Mt 14-15), a de Lucas, mais realista, do perdão dos “pecados” (Lc 11,4). Deus não exige de nós uma restituição, porque a dádiva do seu amor é gratuita e pode ser acolhida ou recusada.

 

 

Nos três primeiros pedidos do Pai Nosso fala-se a Deus, mas sob a perspectiva do homem, nos quatro pedidos seguintes fala-se do homem que se dirige a Deus para invocar por ajuda.

 

 

Sobre o significado deste “pão”, existem interpretações diferentes entre os estudiosos da Sagrada Escritura. Trata-se somente do alimento material, do qual o homem necessita no dia a dia ou do “pão para o dia que ainda vem (=para o amanhã)” até incluir na invocação também o pedido da dádiva de um novo pão futuro, essencial, oferecido pelo Senhor na Eucaristia como antecipação do banquete do Reino? São duas as principais interpretações contidas nesse debate.

 

 

Para compreender o significado do terceiro pedido do Pai Nosso, que é exclusivo da redação de Mateus, devemos refletir sobre o significado da vontade de Deus no contexto bíblico e o seu cumprimento por nós.

 

Observando a tradição do Antigo Testamento compreende-se que fazer a vontade de Deus equivale a observar os mandamentos e colocá-los em prática na vida cotidiana. No Novo Testamento a relação com Deus e com a sua vontade é colocada sobre as novas bases de Jesus. Tudo o que está comprometido com o pecado tem necessidade de ser restaurado em Cristo. São Paulo afirma que nós estamos imersos em um projeto de salvação de Deus, que é realizado pelo seu Filho unigênito, Verbo encarnado.

São Paulo sintetiza o objetivo do universal projeto divino nestes termos: Deus “quer que todos sejam salvos e cheguem ao conhecimento da verdade. Pois há um só Deus e um só mediador entre Deus e a humanidade: o homem Cristo Jesus, que se entregou como resgate por todos” (1 Tm 2, 4-6). Na sua primeira carta aos Tessalonicenses (4,3) o apóstolo recordava-os que “esta é a vontade de Deus, a vossa santificação”.

 

O segundo pedido do Pai Nosso espera que venha o reino de Deus. É uma invocação inspirada pelo desejo de que este reino já iniciado em nós, como premissa nesta vida, alcance a sua plena realização na beatude eterna. O pedido nos convida a refletir sobre a relação entre o reino de Deus e o Evangelho, sobre o significado deste reino e o que representa para nós.

 

Sábado, 04 Agosto 2012 14:49

A Oração do Senhor: O Pai Nosso

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“Oremos, então, irmãos, como Deus nosso Pai nos ensinou. Orar a Deus, com suas palavras, é uma oração amigável e familiar, que faz chegar aos seus ouvidos a oração do Cristo. Que o Pai reconheça, quando oramos, as palavras do Seu Filho; Ele que habita dentro do nosso coração, esteja também em nossa voz” (S. Cipriano, Tratado sobre o Pai Nosso, cap. 3).

 

Após a invocação inicial, o primeiro pedido do Pai Nosso suplica a Deus para que seu nome seja santificado. Mas o nome de Deus não é por si mesmo santo, pela sua referência direta a Deus, que é Santo em essência? Como deve ser entendida esta súplica? O que exprime?

Pronunciar o nome Pai na oração significa, para nós cristãos, reconhecer que Deus Pai é o princípio sem princípio e o fim da existência de todo homem e de toda a criação. Somente Dele, plenitude de amor, brota um fluxo vital que se espalha sobre o Filho e sobre o Espírito Santo e, por consequência sobre o universo.

 

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