Quarta, 21 Novembro 2018 19:54

O Existencialismo e o Humanismo na realidade socioeducativa dos jovens

Escrito por  Cleyson Fellipe do Prado Silva
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O artigo a seguir foi escrito pelo noviço salesiano Cleyson Fellipe do Prado Silva, baseado em sua experiência pastoral em duas unidades socioeducativas (CENSE) do Paraná.

 

 

Afirmava Jean-Paul Sartre que “Não importa o que fizeram comigo, o que importa é o que eu faço com o que fizeram comigo”. Ressignificar a própria história de vida é sempre um desafio para o ser humano.

 

Quando o existencialista ateu Jean-Paul Sartre afirma que a existência precede a essência, ele está dizendo que o homem surge antes de qualquer ideia, para depois se definir. Segundo o mesmo filósofo, “o homem nada mais é além daquilo que ele faz”. Aqui, temos um grande problema. O homem não pode ser resumido às suas atitudes, pois ele é sempre rodeado de circunstâncias.

 

Ao observar as medidas socioeducativas aplicadas aos jovens, percebe-se que eles não são educados para aquilo que eles podem ser (honestos cidadãos), mas são simplesmente punidos por aquilo que fizeram. Aqui não cabe a máxima de Sartre: “O inferno são os outros”. Em alguns casos “eles não têm nem culpa”, são apenas vítimas de uma sociedade que desacredita que o ser humano pode ser melhor.

 

Ainda citando o existencialismo de Sartre, onde a angústia faz parte de um processo de autoconhecimento, nota-se que todas as vezes que o homem se confronta com sua realidade, ele entra em um estágio de desamparo. Por que? O que ele encontra além dele mesmo?

 

Aqui, entra o Humanismo Cristão para responder a seguinte pergunta: O homem pode salvar-se de si mesmo? A resposta é dada pelo homem Jesus. Quando o ser humano olha para sua história de vida tendo a si mesmo como critério de avaliação, ele pode desesperar-se por ver que existem fatos desordenados em sua vida, ou “pode acostumar-se com aquilo que ele é”.

 

Quando um cristão olha para sua história de vida, ele tem como referência Jesus Cristo. Ele percebe que muitas de suas atitudes são marcadas por intenções desajustadas. Porém, do seu coração brota a certeza de que por si próprio não terá condições de salvar-se. Sendo assim, ele repete as palavras de Pedro: “Senhor, salva-me” (Mt 14, 30). Salva-me do quê? De mim mesmo.

 

É dessa realidade cristã que queremos partir para ajudar quanto à medida socioeducativa dos jovens, pois, ao olhar para a situação existencial na qual eles vivem, não encontram saída para serem melhores. Alguns não conseguem ver o mundo além de uma cela de prisão ou do caminho do tráfico. Mas como eles poderiam ver, se não têm outro ponto de referência a não ser a injusta realidade social na qual estão inseridos?

 

Precisam de alguém que, em nome de Deus, oriente-os, que lhes faça enxergar que o homem pode ser melhor quando configura sua vida ao do homem Jesus. É o Espírito Santo quem nos dá os sentimentos de Cristo. É Ele quem configura a vida do cristão com a do seu Senhor.

 

Portanto, com todo respeito ao Existencialismo de Sartre e às contribuições que ele trouxe para o ser humano, na educação e evangelização dos jovens em medida socioeducativa é preciso sair dessa forma de existencialismo e abraçar o Humanismo Cristão.

 

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