Sexta, 13 Outubro 2017 16:00

Qual é a sua missão? Destaque

Escrito por  Com informações Info ANS
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Chihiro Morito, missionário japonês no Sudão Chihiro Morito, missionário japonês no Sudão Info ANS

São muitos os exemplos, em todo o mundo, da ação missionária salesiana. Isso pode ser constatado nos depoimentos de missionários de vários países, publicados pela Agência Salesiana de Notícias (InfoANS) desde o início de 2017. Toque nos nomes e saiba mais sobre eles.

 

“Eu não disse que seria fácil, mas que valeria a pena”. Essa é uma das mais famosas frases atribuídas a Dom Bosco. E ela resume bem o significado de ser missionário em um outro país: muito trabalho, dedicação, superação, angústias e até mesmo risco de vida fazem parte da escolha pela missão “ad gentes”. Mas há também a contrapartida de perceber que tudo isso torna melhor a vida de muitas pessoas – muitas mesmo –, inclusive a do próprio missionário.

A primeira Expedição Missionária Salesiana foi enviada por Dom Bosco da Itália para a distante Patagônia argentina em 1875. O grupo de salesianos era composto por seis sacerdotes e quatro irmãos coadjutores, tendo à frente o padre Juan Cagliero. A eles, Dom Bosco pediu: “Busquem almas, não dinheiro, nem honras, nem dignidades (...), cuidem dos enfermos, das crianças, dos velhos e dos pobres e ganharão a bênção de Deus e a benevolência dos homens (...)”.

 

Na América do Sul

No primeiro continente a que se dirigiram os missionários salesianos o objetivo primordial continua o mesmo daqueles dias: estar com os jovens pobres e suas famílias, oferecendo apoio educativo, humano e espiritual. “Tive a felicidade de conhecer o padre Luigi Melesi, que voltava da primeira expedição ‘Operação Mato Grosso’ em 1967 e muitos jovens que partiam para as missões do Brasil, Equador e Bolívia. Falavam da própria experiência com alegria, e o meu coração entusiasmava-se ao ouvi-los. O contato com os pobres mudara o modo de pensarem! Assim, decidi partir missionário... Sonhava gastar a minha vida pelos pobres”, relembra o padre salesiano ERNESTO SIRANI, italiano, hoje missionário nos Andes do Peru e responsável pelas 30 comunidades que compõem a Paróquia de São José, a 2.750 m de altitude no vale de Huaylas.

Mas hoje os missionários não são provenientes só da Itália, tampouco da Europa, mas de vários outros países, dos cinco continentes. É o caso do padre salesiano BRIGILDO DE DEUS, chamado pelos rapazes de padre “Dydu”. Ele nasceu no Timor Leste, país asiático marcado pela guerra e pela pobreza, e decidiu ser missionário pelo testemunho de alguns sacerdotes salesianos, que sempre estiveram com o povo. “Um deles foi assassinado e eu pensava: se eles deram a vida, por que eu não posso doá-la também a quem necessita?”. Há 12 anos está na Argentina, e considera que “ser missionário não seja tanto ir salvar pessoas, mas partilhar a vida com a comunidade, com os jovens... Seja levar-lhes Deus”.

 

Desafios da África

“Partilha” é a essência da ação missionária do padre salesiano NICOLAU CIARAPICA, há mais de 25 anos na África Ocidental, entre a Nigéria e a Libéria. Ele relembra como foi desafiador se relacionar com o povo africano no início, até que compreendesse que estava ali para partilhar: “Se já era difícil compreender-se pela língua, muito mais difícil era entender, e aceitar, o novo modo de conceber a vida, a morte, os papéis e a importância na vida social do idoso, do adulto, do jovem...”. “Isso porém me foi ajudando a compreender que um aspecto importante da missão não é tanto o fazer mas o amor que isso nos pede e que se coloca nos relacionamentos”, completa.

Esse amor pelos destinatários da missão é o que se percebe em um orfanato de Inharrime, Moçambique, onde vive e trabalha há 42 anos a irmã LUCÍLIA TEIXEIRA, Filha de Maria Auxiliadora portuguesa. “As nossas meninas não têm pais, mas acharam uma família: estão felizes de nos ter encontrado e nós somos felizes por tê-las conosco; é que a vida salesiana só tem sentido quando elas (as crianças) existem”, conta a religiosa.

O continente africano também é destino para o voluntariado missionário, feito por jovens que se dispõem a sair de suas localidades para prestar serviços em outra comunidade. Foi o que fez GUILLEM FENOLLOSA BUSQUETS, estudante de mecânica no Instituto Politécnico Salesiano de Sarrià, Espanha, que passou o verão em um projeto de voluntariado em Zâmbia. Em um orfanato, ele e sete colegas puseram em prática seus conhecimentos em mecânica, organizaram a casa e o terreno, pintaram os muros, entre outras atividades.

 

Ásia: chegar e partir

SIMON MÜHLBAUER, jovem alemão de 19 anos, decidiu participar do programa “Don Bosco Volunteers” antes de ingressar na universidade e passou um ano em Fatumaca, no Timor-Leste. Além de incentivar outros jovens alemães a ingressar no programa, Simon acredita que um projeto inverso – com jovens timorenses convidados a ser voluntários em comunidades salesianas na Alemanha – seria muito produtivo. “Em meu serviço, mais que ensinar, aprendi; e aprender é algo que diz respeito a todos, independentemente do fato de você ser alemão ou timorense. Num ano de voluntariado missionário, você aprende um novo idioma, uma nova cultura. Você partilha suas experiências e aprende a encontrar amigos e amigas de Dom Bosco em todo o mundo”.

As entrevistas feitas pela ANS apresentam dois jovens asiáticos que descobriram sua vocação sacerdotal e missionária. “Entendi que há coisas que não se podem compreender somente com a inteligência ou com o bom senso. Só a fé nos pode iluminar. Só o amor pode ser a resposta”: assim fala da vida missionária o padre salesiano CHIHIRO MORITO, primeiro missionário salesiano japonês na África, atualmente em serviço na comunidade salesiana de Wau, no Sudão do Sul.

“Estou realizando o sonho de Deus”, completa ANTHONY LEUNG, proveniente da China. Batizado quando era aluno da escola primária, Anthony não seguia a religião até participar da Jornada Mundial da Juventude de 2008, na Austrália. “Quando o Papa elevou a hóstia consagrada, tive a percepção muito intensa de que estava me chamando a segui-Lo, a trabalhar para Ele. Depois daquela viagem, decidi entrar no seminário salesiano”. Atualmente ele passa por um período de formação de dois anos em Serra Leoa, onde compartilha a alegria de sua vocação.

 

Projeto Europa

É comum considerar que a missão só é possível em países pobres da América, África e Ásia; e que os missionários são sempre provenientes de países europeus. Mas há grande necessidade de apoio missionário também na Europa; do testemunho de fé, do entusiasmo e do trabalho dedicado de pessoas como o padre CHRISTIAN TSHALA WIKA, originário da República Democrática do Congo, na África, e que atualmente é diretor da obra salesiana de Argenteuil, perto de Paris, França.

Padre Christian participou da formação da 144ª Expedição, em 2013, mas tinha muitas dúvidas de onde e como poderia colaborar. No terceiro encontro de missionários do Projeto Europa, em 2016, iniciou sua participação nessa proposta de renovação do carisma salesiano nos países europeus. “No encontro sublinhou-se o fato de que este não é um projeto a mais, ou paralelo, mas ‘com’ os irmãos aos quais nos agregamos: um projeto a ser construído junto com eles. Isso acertou a ideia errada que tinha: de achar que eu não teria com que contribuir na França” afirma.

As mesmas dúvidas foram enfrentadas por JOSÉ LIANO, salesiano da Guatemala (América Central) e missionário em Gjilan, Cossovo. Quando aceitou o chamado para partir em missão, muitos amigos disseram que isso não era necessário: já havia muito trabalho a ser feito na Guatemala. “De fato, há tanto por fazer... mas é também verdade que a Congregação no mundo é uma só: e os jovens esperam-nos em qualquer lugar”, considera, para logo em seguida questionar: “Se os primeiros salesianos não tivessem arriscado quanto tinham para ir mais além, como teríamos nós conhecido Deus, Dom Bosco e a nossa vocação?”.

 

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