Terça, 16 Maio 2017 18:33

Mato Grosso: devoção mariana em terras indígenas

Escrito por  Pe. José Marcos, SDB
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O trabalho missionário da Inspetoria de Mato Grosso é um ato de amor em que os resultados aparecem conforme o caminho vai sendo feito. A exemplo da mãe grávida, que espera pacientemente nove meses para o nascimento de seu filho, a vida nas aldeias xavante não acontece sobre atropelos e no frenesi da agitação de uma metrópole. Ela segue seu ritmo próprio, marcado pelo silêncio, pelo brincar das crianças, pela andança dos homens e das mulheres pela floresta, como pelos jogos, danças, cânticos, rituais.

A vida segue seu ritmo. Quem vem da cidade e se coloca junto dessa etnia logo se dá conta de que é um povo feliz, simples, humilde, que não tem tantas ambições e no qual a valorização do grupo, da família, é muito importante.

 

Quando vou à cidade e digo que vivo com os índios xavante a pergunta que me fazem é se eles são religiosos, se participam das missas, se são um povo de fé. Respondo que é um povo profundamente religioso e que tem grande amor às coisas sagradas.

 

Neste ano de 2017, por ocasião de celebrar os 300 anos da aparição da imagem de Nossa Senhora Aparecida, padroeira do Brasil, tivemos a graça de receber a imagem peregrina e foi exatamente desta visita nas aldeias que tive a firme convicção de que o povo xavante é de fé e piedade.

 

Na reserva de São Marcos atendemos 42 aldeias e, conforme se desenvolvia o cronograma da passagem da imagem peregrina, aumentava o nosso encanto ao perceber que cada aldeia se preparou em clima de festa. A fé na Mãe de Deus, a oração fervorosa do santo rosário, as pinturas festivas nos corpos, a recepção da imagem, as danças no momento da missa, as homenagens, a procissão para poder tocar na imagem de Nossa Senhora. Os dias em que a imagem peregrina permaneceu na reserva indígena foram momentos memoráveis de devoção, alegria e amor.

 

Nas aldeias visitadas todos se reuniram para prestar a sua homenagem, fazer suas orações e preces. No momento do ofertório, via-se a delicadeza dos xavante de colocar a gravata típica indígena na imagem, de trazer seus colares artesanais, como também produtos da terra: abóbora, mandioca, cana-de-açúcar, banana, frango vivo e seus próprios filhos recém nascidos em oferta a Nossa Senhora Aparecida.

 

O povo xavante é guerreiro, sonhador, amante da natureza, dos animais e profundamente religioso. Que a exuberância da natureza e da mãe terra nos ajude a amar as coisas simples e principalmente o homem como imagem e semelhança de Deus. O nosso respeito, o nosso carinho e estima por esse povo tão cativante. Que São João Bosco, pai e mestre, abençoe a todos os missionários e missionárias que não medem esforços para difundir o Reino de Deus em cada recanto deste amado planeta.

 

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