Quarta, 10 Outubro 2012 16:02

As gloriosas Catacumbas de São Calisto

Escrito por  Rozmus Tadeusz
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O fascínio da “terra dos mártires” atrai peregrinos até os dias atuais, que continuam visitando esse local, vindos de todo o mundo. Grande parte dos peregrinos, algumas centenas de milhares a cada ano, é de jovens.

 

Em 1930, o papa Pio XI convidou os salesianos para cuidar, em nome da Santa Sé, apenas das Catacumbas de São Calisto, as "Catacumbas por excelência, o primeiro cemitério oficial da Comunidade de Roma, o glorioso sepulcrode mais de 16 papas do século III" (GiovanniBattista de Rossi).

Hoje, depois de 80 anos de serviço contínuo dos salesianos, as Catacumbas de São Calisto são atendidas por uma comunidade constituída por salesianos oriundos de uma dezena de nações diferentes.

 

O mais preservado

As Catacumbas deSão Calisto constituem o cemitério mais antigo e melhor preservado da Via Appia. O destino final de uma grande área sepulcral comunitária da Igreja do século II, gerenciada de forma independente pelas autoridades eclesiásticas, leva o nome do diácono Calisto que era responsável pela administração do cemitério pelo papa São Zeferino. Calisto tornou-se papa, por sua vez, e ampliou o complexo funerário e nesse lugar foram enterrados 16 papas romanos do século III (Cripta dos Papas).

Nas catacumbasdescemos uma escada íngreme e, passando junto à Cripta dos Papas, temos acesso, através de uma pequena abertura, ao cubículo onde foi descoberto o túmulo de Santa Cecília: sobre as paredes conservam-se pinturas do século V-VI, entre elas a mais antiga imagem da Santa em uma postura de oração. A partir daqui, em 821, o papa Pascoal I removeu o sarcófago da mártir para transportá-lo para a igreja do mesmo nome em Trastevere.

Saindo da criptade Santa Cecília, pode-sedescer para uma casa mortuária, que consiste em camadas de até 4 metrosde altura, e depois percorrer um túnel no qual se abre uma série de cubículos chamados “dos sacramentos", por causa das pinturas que fazem alusão ao Batismo e à Eucaristia. Depois de visitar o túmulo monumental conhecido como sendo “do Papa Milcíades”, entramos em outras regiões dos santos Gaio e Eusébio e uma chamada “liberiana”, pelas três inscrições do tempo do papa Libério (352-366), nas quais se veem pinturas arcossólias com cenas do Antigo e do Novo Testamento. Continuando, pode-se também chegar a um núcleo primitivo, as “Criptas de Lucina”, onde se encontram o túmulo do papa Cornélio, decorado com pinturas em estilo bizantino, e, nas proximidades, dois afrescos: um representando o Bom Pastor e outro com dois peixes e duas cestas cheias de pão, e no centro um copo de vidro cheio de vinho, símbolos claros do alimento eucarístico.

Por motivos de organização e segurança, os visitantese peregrinos podem ver apenas uma pequena parte das catacumbas, mas esta já deixa uma impressão inesquecível. A consciência de poder tocar os locais relacionados com a sepultura de mais de 56 mártires e 18 santos envolve e proporciona um forte apelo espiritual.

Por isso, não surpreende ver tantosgrupos de jovens, de caráter catequético, escoteiros, estudantes, em passeios escolares etc., que, vindos de diferentes partes do mundo, chegam às catacumbas para respirar o ar fresco da fé.

 

Uma catequese

Os visitantes vêm acompanhados por um guia no seu próprio idioma, que oferece uma detalhada explicação que não se limita somente aos aspectos histórico-culturais. Cada visita é uma catequese por excelência, que deixa uma forte impressão. Para dar à visita um significado mais profundo, muitos grupos pedem a possibilidade de celebrar a Santa Missa. A cada dia são realizadas dezenas de missas, em diversos idiomas, que nos cubículos das catacumbas se reúnem à voz sussurrante dos santos.

As Catacumbas de São Calisto atraem tantos salesianos de todas as partes do mundo que, como guias, dedicam uma parte de suas próprias vidas a esse precioso serviço. Existem alguns que desenvolvem esse serviço há mais de 50 anos e outros que vêm a São Calisto somente por um breve período. Entre os guias não faltam os jovens voluntários que, principalmente no verão, reforçam a sua própria fé em sintonia com a mensagem profunda da Igreja primitiva.

As informações mais detalhadas e em diversos idiomas podem ser encontradas no site www.catacombe.roma.it.

 

Artigo originalmente publicado em Bollettino Salesiano – Itália, em junho de 2012.

Tradução: Elaine Tozetto

 

Entrevista: Guias nas Catacumbas de São Calisto

 

Nazareno Magnani é um dos guias salesianos na visita a São Calisto.

 

Boletim Salesiano – O que significa para um salesiano ser um "guia" para as catacumbas?

Nazareno Magnani – Antes de ser guia, eu era cético e não me sentia sintonizado com o “carisma” tipicamente salesiano. Em 30 anos de trabalho, após subir e descer as escadas a percorrer galerias e galerias com tantos visitantes, eu mudei de ideia e, então, me parece um modo providencial para fazer os peregrinos experimentarem os valores essenciais da vida cristã.

 

BS – O que essa missão lhe proporciona?

Magnani – Os primeiros cristãos, e especialmente os mártires, experimentaram nesse local uma “linguagem” eloquente e cúmplice. É um trabalho que faz a pessoa “crescer”, porque a convence e ajuda a viver o que depois comunicará aos outros.

 

BS – Como os visitantes reagem?

Magnani – Nessa atividade se entrelaçam a história, a arqueologia, a “angelologia” e... muita fé. Há um intercâmbio agradável de todos esses tópicos, mas a fé os une e dá todo o fundamento.

 

BS - Mas não é uma linguagem pouco acessível?

Magnani – A linguagem simbólica, comunicada pelas imagens, é toda uma expressão de fé e de esperança. As dedicatórias exprimem afeto e certeza em uma vida futura em Deus. A arte paleocristã pinta nas paredes das tumbas aqueles “eventos” descritos na Bíblia e no Evangelho que garantem, se praticados, esta vida futura em Deus. Todos os nossos guias dão um toque catequético às visitas que realizam com os visitantes e os colocam à frente de “documentos imparciais” para que eles mesmos possam admirar ao longo dos labirintos escavados em 15 hectares de lava vulcânica.

 

BS – Você está satisfeito com esse compromisso?

Magnani – Os salesianos que estão nas Catacumbas de São Calisto estão alegres com o próprio trabalho. É certamente um trabalho comprometido, como um testemunho que você deve dar. É sacrificado pelo horário e pelo percurso subterrâneo, mas proporciona muita alegria pelo bem que você pode fazer por si mesmo e para aquelas pessoas com quem você tem contato.

 

A visita de Dom Bosco

Na Páscoade 1858, Dom Bosco está em Roma. As Memórias lembram um de seus dias: “Ele visitou as catacumbas de São Calisto. Aqui atendeu-o, provavelmente, o cavaleiro G.B. De Rossi, que havia descoberto aquelas catacumbas, e que foi apresentado pelo Monsenhor de San Marzano.

Quem entra naquele lugar experimenta tal comoção, que permanece inesquecível por toda a vida; e Dom Bosco absorto em pensamentos muito doces ao percorrer aqueles subterrâneos, onde os primeiros cristãos, com auxílio do Santo Sacrifício, encontraram a força necessária para o martírio que os aguardava, com oração em comum, com o canto dos salmos e das profecias, com a santíssima Comunhão, ao escutar a palavra dos Bispos e Papas. É impossívelolhar para esses olhos secos nesses nichos que haviam enclausurado os corpos ensanguentados ou queimados de tantos heróis da fé, os túmulos de 14 Papas que deram suas vidas para testemunhar o que eles ensinaram, e a cripta de Santa Cecília. Dom Bosco observava os afrescos muito antigos que representavam Nosso Senhor Jesus Cristo e a Eucaristia; e as imagens queridas representando o casamento de Maria Santissima com São José, da Assunção de Maria ao céu, e outra da Mãe de Deus com o Menino nos braços ou sobre os joelhos. Ele se encantou com o sentimento de recato que resplandece dessas imagens, nas quais a arte cristã primitiva soube reproduzir a beleza incomparável da alma e do mais alto ideal de perfeição moral que deve ser atribuído à Divina Virgem Maria.

Não faltavam outras figuras de santos e mártires.

Dom Bosco saiu das catacumbas às 06h da tarde e havia entrado às 8h da manhã. Fez uma refeição com os religiosos que faziam a proteção.” (Memórias Biográficas V, p. 919-920)

TalvezDom Bosco presentisse que a custódia daquele lugar santo seria deixada para seus filhos.

 

Lido 10689 vezes Modificado em Sexta, 29 Agosto 2014 15:11

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