Segunda, 22 Abril 2019 16:54

Pesquisa CNBB: Igreja no Brasil tem exército de caridade dedicado a ações sociais

Escrito por  CNBB
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“Café Fraterno” servido diariamente a 2.1 mil imigrantes venezuelanos na paróquia Sagrado Coração de Jesus, em Pacaraima, RR “Café Fraterno” servido diariamente a 2.1 mil imigrantes venezuelanos na paróquia Sagrado Coração de Jesus, em Pacaraima, RR

Dioceses, paróquias, associações, novas comunidades e institutos são exemplos de um exército de caridade que atua no Brasil. Junto com as 21 Pastorais Sociais estruturadas nacionalmente, as Obras Sociais da Igreja chegam à somatória de 499,9 milhões de atendimentos a cerca de 39,2 milhões de pessoas e aproximadamente 11,8 milhões de famílias.

 

Os dados são da pesquisa sobre a Ação Social da Igreja no Brasil encomendada pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) à Fundação Grupo Esquel Brasil (FGEB), cujo presidente, o cientista social Silvio Sant’Ana, foi o responsável por organizar os dados no relatório.  A pesquisa se desenvolveu no campo ocupado por duas instâncias institucionais muito próprias no contexto eclesial: as “Obras Sociais” e as “Pastorais Sociais”.

 

De acordo com o responsável pela pesquisa, Silvio Sant’ana, obras sociais são organizações quase sempre com existência legal (pessoas jurídicas de direito privado) e, geralmente, vinculada a Institutos e Ordens Religiosas, ou à diocese, com pessoal especializado, dispondo de instalações físicas, recebendo pessoas e as demandas de interessados no atendimento. “É, de certa forma um núcleo ‘receptivo’, um local onde é ofertado à população um atendimento ou um serviço”, descreve.

 

Já as Pastorais Sociais, são organizações compostas majoritariamente por voluntários, nem sempre organizadas como pessoas jurídicas, que operam por “’busca ativa’ de pessoas ou segmentos sociais em situação de vulnerabilidade e risco”. O pesquisador ressalta a característica de atendimento voltado a grupos ou temáticas sociais especiais, “que requerem atenção específica devido as suas características e situações vivenciais”.

 

Em sua pesquisa, Silvio relata o sentido de ação social tomado pelos católicos no Brasil que se envolvem nas atividades de ajuda aos mais necessitados, os pobres. O termo, neste contexto, significa de forma mais elementar a oferta de comida e roupa. “É atitude louvável do ‘bom samaritano’”, resume o pesquisador. São exemplos disso as ações de padre Jesus, em Pacaraima, e do diácono Juarez, em Itajaí.

 

A pesquisa

A amostra da pesquisa é de 26 Igrejas Particulares no Brasil, entre dioceses e arquidioceses, e admite um erro amostral de até 5% para mais ou para menos. Os dados referem-se ao ano de realização da investigação, 2014. Foi decidido não incluir na pesquisa as organizações dedicadas a assistência de Saúde (hospitais) e as de Educação (escolas católicas). “De um lado não existem dados confiáveis e disponíveis sobre o atendimento realizado por estas instituições. De outro, as dimensões destes trabalhos são gigantescas e seguramente distorceriam os resultados quando mesclados com iniciativas menores”, explica Sant’Ana. No entanto, as Obras Sociais criadas e patrocinadas por hospitais e escolas católicos fazem parte da amostra.

 

É considerado o número de 10.760 paróquias, dado disponível de 2010, para encontrar mais de 32 mil iniciativas estruturadas, uma vez que, a partir de uma outra pesquisa, feita pelo Centro de Estatísticas Religiosas e Investigações Sociais (CERIS), em 1999, que apontava pelo menos três iniciativas de ação social em cada paróquia do Brasil. A este número, somam-se as associações de obras sociais dispostas em cada diocese e as iniciativas dos mais de 500 institutos e ordens religiosas e de vida apostólica distribuídos em 1026 sedes em todo o país.

 

Dos 499,9 milhões de atendimentos da Igreja, 393,5 milhões correspondem às Obras Sociais. Este número corresponde a quase 30,3 milhões de pessoas atendidas, número equivalente a 88% do número total de pobres do país.

 

As Pastorais Sociais realizaram, em 2014, 106,4 milhões de atendimentos. São 8,9 milhões de pessoas atendidas e 2,7 milhões de famílias. A cobertura nas dioceses do Brasil tem destaque pela presença da Pastoral da Criança na totalidade das Igrejas Particulares do Brasil. Em seguida, somente a Pastoral Carcerária e a Pastoral da Pessoa Idosa têm cobertura em mais da metade das dioceses brasileiras. No menor grau de capilaridade, as pastorais do Surdo, da Mobilidade Humana, da Ecologia, Afro-Brasileira e dos Direitos Humanos estão em 9% das dioceses, cada, o que significa 25 localidades, praticamente coincidindo com o número de cidades capitais.

 

As áreas do atendimento

A pesquisa encomendada pela CNBB também faz uma classificação das pessoas atendidas nas obras e pastorais sociais a partir de funções sociais, assim divididas: saúde, assistência social (saúde + educação + proteção social básica), desenvolvimento e defesa de direitos e outros. Os números, segundo o pesquisador, devem ser entendidos considerando que a abordagem integral da pessoa “faz com que as estatísticas não consigam explicitar adequadamente a riqueza e diversidade da atividade realizada”. Isso pode ser exemplificado quando se considera o atendimento de uma Pastoral Social cujo trabalho é focado para atendimento de um grupo específico, mas a pessoa é assumida em seu contexto familiar e social.

 

Na ação da Igreja, há forte concentração nos serviços de atendimento na área da saúde, seguidos da assistência social. No âmbito das Obras Sociais, refere se a 40,9% e 46,7% dos atendimentos, respectivamente, sendo que a Assistência Social engloba, em conjunto, os serviços de saúde, educação e proteção social básica. As Pastorais Sociais destacam-se na defesa de direitos ou promoção de iniciativas de melhoria de renda ou emprego. São 3,1 milhões de pessoas atendidas, o que corresponde a 35% dos atendimentos. Assim como nas obras sociais, contudo, o atendimento na área da saúde é o mais expressivo: são 5,5 milhões de atendidos, 62,3% do total de pessoas a quem se destinam ações das pastorais.

 

Segundo a pesquisa, parte significativa do esforço na área de saúde está associada ao atendimento materno infantil, mas também são contemplados segmentos populacionais como pessoas soropositivas, dependentes químicos (de drogas permitidas ou não), pessoas ou grupos vítimas de violência e abusos de toda ordem, portadores de necessidades especiais.

 

Quem é quem no atendimento

No recorte por tipo de público atendido pela ação social da Igreja, o destaque vai para as crianças e jovens, que concentram 18% do número de atendidos. A Pastoral da Criança, por exemplo, atende mensalmente 1,2 milhão de crianças. Os idosos são o segundo grupo mais expressivo no atendimento, principalmente se o recorte for as Obras Sociais, onde se encontra um número até maior do que o de crianças e jovens: são 2,6 milhões de pessoas na terceira idade atendidas.

 

A população em situação de rua, a exemplo dos que recebem atenção do grupo da “Kombi da sopa”, em Santa Catarina, refere-se a 2,7% do total de atendidos por obras e pastorais sociais da Igreja. De acordo com a pesquisa, o número de atendidos, apesar de parecer pequeno dentro do universo estimado, representa quase metade dos “moradores de rua” recenseados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nas capitais e áreas metropolitanas.

Fonte: CNBB

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