Sexta, 05 Abril 2019 14:37

Casa Mamãe Margarida: atenção integral a crianças e adolescentes em Manaus Destaque

Escrito por  Raimunda Corrêa
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Equipe da Casa Mamãe Margarida - visita da Ir. Alaíde Deretti Equipe da Casa Mamãe Margarida - visita da Ir. Alaíde Deretti Foto: Divulgação

A Obra Social Casa Mamãe Margarida de Manaus, AM, completou nesta terça-feira, dia 2 de abril, 33 anos de atuação na sociedade manauara, em defesa dos direitos da vida de crianças e adolescentes. A Casa oferece Educação Infantil e Ensino Fundamental do 1º ao 5º ano e oficinas de Arte Educação, como Dança, Teatro, Música, Canto, Informática, Esporte, Acompanhamento Escolar e Oficinas Temáticas. Assim também oferecemos proteção às nossas acolhidas, encaminhadas via Juizado da Infância.

 

Nossa postura pastoral e educativa é de gerar, promover e defender a vida, tendo como ponto de partida a Caridade de Cristo Bom Pastor. Nossa postura preventiva, como educadoras, é cuidar do ser humano que nasce com uma centelha divina, num todo. Desta forma, somos chamadas a acreditar e a testemunhar que o outro tem possibilidades. Dom Bosco dizia que por mais problemático que pudesse parecer um jovem, se o olhássemos de dentro para fora encontraríamos nele a semente do bem.

 

Na maioria das vezes temos a tendência a olhar e tratar as jovens marginalizadas como vítimas, de forma maternal e assistencialista. Porém, o Sistema Preventivo nos remonta a credibilidade no protagonismo juvenil, segundo o qual temos que acreditar que a jovem pode ir além. Ela não é uma “coitadinha”, uma mera vítima; mas agente de sua própria história, um sujeito ativo social e pessoal.

 

Esta certeza nos assegura na caminhada: olharmos as jovens como pessoas em potencial. Nossa postura é de presença que se manifesta na pedagogia do encontro; outra postura que não seja essa é uma forma camuflada de autoritarismo. Nosso próprio carisma nos impulsiona a apostar na juventude, seja qual for a situação em que está inserida. Acreditar nas jovens, em especial as marginalizadas, significa vencer o medo do fracasso, das surpresas, de não dar certo. Só o amor é capaz de vencer o medo, arriscar, quebrar as barreiras e acreditar que a jovem é capaz.

 

Cada menina pensa, fala, escreve, sente, age; ela não é sujeito passivo, mas ativo no mundo em que vivemos. “Hoje também nós, mulheres radicadas em Cristo, queremos dirigir um olhar de simpatia e amor ao mundo, mesmo que ele se apresente a nós com contornos não muito definidos como acontece em Mornese nos dias de muita neblina” (Atos do XX Capítulo Geral).

 

Dessa forma, nosso trabalho aqui não visa meramente “empregar” uma menina, mas principalmente ajudá-la a reconstruir sua própria história, a recolher os “pedaços” de vida que caíram no caminho e a remontá-la. Para isso, é claro, não se abre mão da profissionalização e de outras atividades alternativas de geração de renda. Mas não se pode confundir ou substituir esse processo de profissionalização com a formação básica, pois esta é um pressuposto para a formação profissional.

 

A ação educativa das FMA quer contribuir para a inserção, a permanência e o sucesso na escola. Agimos em favor dessas jovens excluídas não só para combater a pobreza, em que a solução atinge esferas mais profundas, mas para aumentar sua competência e qualidade enquanto pessoa. De outra maneira, apenas se promoveriam cursos mecânicos, mão-de-obra barata, absorvidas somente no mercado informal e contribuindo para a manutenção da exclusão.

 

A pedagogia do encontro encarnada pelo Sistema Preventivo é que envolve de um grande sentimento de incompletude. Não somos as salvadoras do mundo, a resposta a todas essas injustiças sociais, pois somos apenas “uma voz que clama no deserto”. Olhar para si como ser inacabado é reconhecer a importância do outro, é reconhecer que não se pode sozinho, é unir-se efetivamente num processo de complementaridade, é tecer “redes de solidariedade”.

 

“O empenho ético da comunidade educativa neste contexto pós-moderno, significa dar lugar ao próprio ser, oportunizar as pessoas pra que sejam. Isso leva a uma ética superior, porque conduz ao bem comum. Não significa cada um ser ético na busca de seus interesses, mas na busca do bem comum. É a ética da busca da coletividade. Isso significa abrir espaços de co-responsabilidade, de atuar, de ser protagonista”.

Lido 521 vezes Modificado em Sexta, 05 Abril 2019 14:42

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